papawemba.info

Biblioteca Brasileira de Arquivos

BAIXAR BONDE DO FORRO COPO DE VINHO


Bonde do Forró - Copo de Vinho (part. Marcos e Belutti) (Letra e música para ouvir) - Eu e minha namorada a gente estava agarradinho / Até que meu amor. Eu e minha namorada a gente estava agarradinho, / Até que meu amor bebeu um copo de vinho / Ela perde o controle ela fica logo animadinha, / Tá todo. Clique agora para baixar e ouvir grátis Cavaleiros do Forró VOL - Copo de Vinho postado por Caio Coelho em 15/08/, e que já está.

Nome: bonde do forro copo de vinho
Formato:ZIP-Arquivar
Sistemas operacionais: MacOS. iOS. Windows XP/7/10. Android.
Licença:Somente uso pessoal
Tamanho do arquivo:48.68 Megabytes

O homem e nada mais. Viajou hoje no bonde um homem embriagado, meio dormindo. Vendo-o, hoje, no bonde, de caniço em punho, tive uma pequena surpresa, olhei para ele fiz-lhe aquela pergunta inócua. Ao entrar num café, dei com o homem do lenço na minha frente. As expressões frias do Sr. Este, quando procura a penumbra e o aconchego, é no borralho familiar onde o fogo deixou um pouco da sua alma quente e errante, é entre cobertas moles e cariciosas, é no regaço quieto das pessoas pensativas, ternas ou tristes. Notei que tinha o nariz vermelho. Meu Deus, como pude viver até hoje deste jeito! Todos temos de ser cavaleiros, de guiar uma besta e de nos servir dela. Deus me livre - Zezé di Camargo e Luciano. E, enquanto acamava com o polegar o fumo negro contido no pipo, cantou, numa voz que podia bem ser a de um ex-barítono:. Raios o parta! Têm o ar de pais de família diplomados. Aqui, o verbo caíste le mont est créateur sugeriu-me espontaneamente este quarto verso:. A cobra, essa é positivamente um objeto encantador. Assistiam à cena dez ou doze curiosos, que muito se divertiram. Claro que apanhei porque tinha de apanhar Azul Piscina - Davi Firma Promocional É só o que eu lhe peço.

Eu e minha namorada a gente estava agarradinho, / Até que meu amor bebeu um copo de vinho / Ela perde o controle ela fica logo animadinha, / Tá todo. Clique agora para baixar e ouvir grátis Cavaleiros do Forró VOL - Copo de Vinho postado por Caio Coelho em 15/08/, e que já está. Ouça músicas de Bonde do Forró como 'Milk Shake', '90% de Você Em Mim', 'A Nossa História de Amor', 'Por Um Gole A Mais', 'Agarra, Copo de Vinho (part. Bonde do Forró. Eu sou tua menina e quero te dizer, amor Faz tempo que a saudade em minha vida só machucou. E agora que a saudade se mudou de lugar. 13 – dez 23 Baixar CD Bonde Do Forró Stúdio Vol. 13 – Lançamentos, Musicas CDs Nada Mudou To Solteiro e To Feliz Copo de Vinho.

Maridos e Esposas Banda Calypso - Volume Cachaca Mulher e Gaia - Part. Passe bons momentos com seus amigos ou com aquela pessoa especial em sua vida no mais novo bar em vereda garotinhos bar.

MEMORIAL DE UM PASSAGEIRO DE BONDE

Quando olhar pro ceu Marcelo e Rayane e Forro da Malla Radio sat a sua radio transmitindo direto da cidade de vereda estremo sul da bahia para brasil e mundo via web.

Junior Vianna - Matuto do Paredao - Part. Tony Guerra e Ze Cantor - Letra e. Harmonia do Samba - Daquele Jeito vania mendes pe. Nao Volto Mais Washington Brasileiro ouvinte sat. Agora voce pode ouvir milhares de radios em um so clique, baixado o novo plicativos radiosconectados - Copia. F-vaqueira desmantelada-forró sela de prata. Voce jogou fora - Gusttavo Lima. Voce quer - Victor e Mateus. Você de mim nao sai - Luan Santana.

You and I - Lady Gaga. É fato - Cristiano Araujo. Ainda bem - Mariza Monte. Coladinho - LuanSantana. Eu amo amar voce - Daniel. Me apego - Cristiano A.

Problemas - Ana Carolina. Pura Adrenalina - Belo. Recomecar - Tania Mara. Refem - Gustavo Lima. Reggae Power - Natiruts. Take a bow - Rihanna.

To na Balada-Bravana. Vamo mexe - Bruno e Davi. Vou nao - Gustavo Lima. Arrocha que ela gosta- Kaio e Bruninho. As lembrancas vao na mala. Empinadinha cristiano. Louca Louquinha. Na pegada do arrocha - Henrique e Hernane.

Pac man - Lucas Lucco. Plano B - Lucas Lucco. Princesinha - Lucas Lucco. Rebola assim - Israel Novaes. Refem - Silvanno Salles. Sinal disfarçado. Antonio Marcos - Voce Jamais Sabera. Celi Campello - Banho de Lua. Celi Campello - Biquini de bolinha. Celi Campello - Lacinhos Cor de Rosa. Celi Campello - estupido cupido. Demetrius - Ritmo da chuva. Erasmo Carlos - A pescaria.

Ed Carlos - Estou Feliz. Ed Wilson - Se Voce Quer.

Erasmo Carlos - Festa de Arromba. Erasmo Carlos - Gatinha Manhosa. Erasmo Carlos - O Caderninho. Erasmo Carlos - Sentado a Beira do Caminho. Erasmo Carlos - Vem quente que eu estou fervendo. Festa de Arromba1 PM L. Golden Boys - Pensando Nela. Nem o enxerga sequer. É como quem tira a sorte. O rio traz o peixe, o peixe vê a isca, engole-a, engasga-se. Ele espera, entendeu? É de uma imparcialidade absoluta.

E a imparcialidade, aí, quer dizer simplesmente que qualquer um serve. E depois, olhe aqui, e depois que vem a ser um século ou dois diante da imensidade do tempo. Com esse artifício metafísico, se tem justificado muita pose de espíritos inumanos e muita monstruosidade material. Nós vivemos um minuto! Esse minuto é que deve ser a nossa medida. Nada de repreensível na pesca, nem mesmo na caça. É lei do mundo que as espécies umas às outras se exterminem, por necessidade, por esporte, por prazer, por passar o tempo, é lei do homem que combata as outras espécies todas e a própria.

Que lhe havemos de fazer? Observo-lhe, simplesmente, que a sua filosofia piscatória poderia justificar também uma larga parte da moral corrente nas relações humanas. Lança-se o anzol, fica-se à espera. Eu, dono de um negócio, daria o preço que bem entendesse às minhas coisas. Barbosa amuou, resmungou, e creio que só a sua sensatez e bonomia de animal forte, o impediu de levar adiante a contenda. Separamo-nos sem nos encarar. Por um fio roto vai-se às vezes o tecido inteiro. Devemos crer nesse fundo, sem o examinar com insistente rigor.

A nossa boa vontade o faz crescer. Acreditar que ele existe é corroborar-lhe a existência. A nossa fé transfunde-se no íntimo dos outros como uma levedura vivaz. E assim cada um de nós é um pouco criador; criador das mais doces coisas do mundo. Felizes os que ainda têm pensamentos que encobrir!

A maioria pensa à medida que fala. A necessidade de falar é que a obriga a pensar um pouco.

BONDE DO FORRO COPO DE VINHO BAIXAR

Era preciso falar muito menos. O silêncio seria a nossa melhor cura. No silêncio germinam as forças heróicas. No silêncio condensam-se as forças invencíveis. Silence and Secrecy! Para que sobrecarregar a brosladura? Para que arriscar desenhos supérfluos que podem comprometer irremediavelmente o tecido?

A linguagem apropriada seria musical, a meia voz, lenta como um cantus planus envolvido pela melancolia suave que banha as felicidades efêmeras.

E seria como se cada uma dissesse para a outra, sem dizer nada: "Eis-me aqui. Tal como sou, eis-me aqui: um pouco de lodo com duas asas.

Amemo-nos, pelas nossas asas. Mas em silêncio, chut! Etre méconnu memê par ceux qu'on aime, é est la coupe d'amertume et la croíx de la vie De uma claridade difusa e divina.

Lordão Vol. 7 – É Show, é Festa é Lordão – Ao Vivo em Salvador (2010)

Para além da lógica tardígrada das magras aparências, das reflexões esterilizantes. Ver o homem viver é mais interessante do que ler as histórias do que ele faz e pensa, ou pensa que pensa. Mas onde quer que esteja, e como quer que esteja respira humanidade. Honra a Sterne. Viajei ao lado de um homem que, pela casca, devia ser negociante de secos e molhados. Era, de fato. Cheirava a suor, tinha os dedos grossos e encardidos, trazia um casaco de casimira cinzenta semeado de respingos, coscorões e tintas de varias cores.

Portanto, um abjeto ganhador de níqueis? Para ele, ser paciente e obsequioso com a freguesia é uma forma de virtude. Disto se ufana. No bonde, o Sr. De resto, todos iguais perante o condutor e o motorneiro. Todos podem, ser brutos, dentro das regras, bastante amplas, que presidem a vaga polícia dos carros. Ora, quem estiver isento de culpa, esse lhe atire a primeira pedra! Todos, no fundo, vendeiros amabilíssimos com a freguesia, e passageiros que fumam nos bondes da vida muito à sua vontade.

Esquisita vaga de saudade! Rufína, meteoro rutilante perpassaste pelo céu caliginoso de minha vida! No bonde em que voltei da cidade, hoje à tardinha, vinham crianças com brinquedos. Perto de mim, um senhor idoso e barbeado fazia ver ao filho de seis anos como funcionava um galante volantim mecânico, que o pequeno, mais por comprazer ao tipo velho, inutilmente lidava por acionar. Outrora, mais ou menos até Rousseau, considerava-se a criança como um homem pequeno. Os próprios artistas as presentavam como adultos em escala menor.

Muito custou reconhecer-se que o homem é que é uma criança crescida. Entretanto, dir-se-ia que isso entra pelos olhos. Para elas, coitadas, tudo é brinquedo. Uma toalha enrolada, que se revestiu de um casaco velho, faz o papel de uma boneca perfeita, ainda melhor do que a própria boneca perfeita.

É verdade que os petizes recebem com ânsias esses presentinhos de festas, e fazem a propósito um pouco de rumor. É o atrativo da novidade. É a pressa de ver e experimentar.

É o prazer de dizer "meu". Vai-se mais resguardado de maçantes. Pode-se inspecionar o carro inteiro, quase sem ser visto. Detesto exibições. É a vaidade exterior que tem preservado na mulher o seu secreto manancial de piedade e de energias profundas. Aparentemente frívola, ela é na realidade mais forte e melhor. Predispôs-me bem, quando muito deu-me um calorzinho de otimismo e de simpatia difusa.

Isto, sim. Se todos vivêssemos enfiados em estojos de boa fazenda e bom corte, de certo lucraria a disciplina interna das almas e com ela a facilidade e o concerto das relações entre os homens. Mas como se iludem!

A liberdade perfeita e bela seria a que implicasse no mesmo desprezo profundo e sereno as materialidades exteriores e todas as suas conseqüências - a liberdade de Diógenes ou de Francisco de Assis. Vale por um esporte. Excelente esporte para o corpo, visto que o submete a uma disciplina retificadora e a uma continuada economia de força. A alma toma todas as posições de luta, desde a de um calmo e melódico guerreiro de Fídias até à de um torpe moleque agachado e sinuoso, com a navalha empalmada e o pé igualmente pronto para a rasteira ou para a fuga.

Somos bonecos à procura de gestos. A toga foi talvez a mais importante das invenções romanas. Trêmulo, sentei-me, e verifiquei: o vulto era uma velha gorda e tostada. Fechei os olhos, procurei esquecer-me da velha e de Rufina - ejusdem farínae, afinal de contas!

DE DO COPO VINHO BAIXAR FORRO BONDE

Quatro mil mais mil, cinco mil; cinco mil que? Ora, o diabo da velha! Cinco mil contos Como é que Newton pôde ser pai de família, ter uma esposa, ter filhos, ter afetos, preocupações, desejos, e calcular continuamente? Até o Melquíades, meu servente, que em matéria de calma e paciência e um urso de bazar, fica esparavonado, entorta, arrebita e disparata! Preciso esforçar-me para me corrigir. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. O GATO.

Sentei-me hoje ao pé de uma velhota embrulhada num xale. Logo notei, sem ter nada investigado, que ela dissimulava qualquer coisa por baixo da manta. É qualidade humana, com raízes fundas na camada mais funda da nossa humanidade.

Um gato branco, boquinha rósea, olhos muito grandes estriados por um chuvisco de luz entre vegetações de esmeralda e ouro.

E ainda se isso passasse exclusivamente com os bichos! Toda beleza é escrava. Mulher, - é o alvo e a presa da matilha esfaimada dos instintos. Vende-se nos mercados. Ao cavalo, a certos respeitos, eu preferiria o elefante.

A elegância do elefante, revelam-na bem certos artistas. A gravidade unida ao peso, a paciência ao volume, a doçura à simplicidade, e um quê de majestoso, e um quê de ingênuo, e um quê de gaiato. Tudo tem o seu fim neste mundo. O meu bichano havia de andar miando tristemente pelos cantos.

DO VINHO COPO DE BONDE BAIXAR FORRO

Gatos que miam e cozinheiras lacrimejantes estragam uma casa. Desisto do elefantinho. A verdade é que tenho um fraco pelos gatos, e fiquei a pensar no que a mulher do bonde faria daquele. Procuram agarrar os roedores por simples prazer e necessidade de brincar. E se preferem esses a quaisquer outros, é apenas porque o rato, de todos os bichos proporcionados ao felino doméstico, é, o que mais radicalmente difere deste.

A teoria que Malebranche sustentava com referência à sua triste cadela - cujos latidos de dor eram no seu entender simples passagem do ar pelo mecanismo da garganta - é por todo o mundo imemorialmente e inconscientemente aplicada aos peixes.

Este, quando procura a penumbra e o aconchego, é no borralho familiar onde o fogo deixou um pouco da sua alma quente e errante, é entre cobertas moles e cariciosas, é no regaço quieto das pessoas pensativas, ternas ou tristes. Acusam-no de ser desamoroso e ingrato. Julgamento mesquinho. O homem só compreende as afeições no seu tríplice aspecto de promessa, desejo ou saudade de serviços.

Triste de quem as concebeu algum dia como um culto e um puro gozo interior, esquecendo-se de que a vida que vale é a que se processa e corre da periferia do corpo para fora! Por isso é que se apega mais à casa do que ao habitante, como alguém, de refinado olfato, que preferisse, numa paisagem, o ar embalsamado por um resto de perfume de flores ausentes. O homem canta - Home, sweet home! O bichano vê no rato um simples mecanismo, bom para esporte e brinquedo.

É verdade que das brincadeiras resulta muitas vezes o óbito da presa. Por isso o rancor é dez mil vezes mais comum do que a piedade; além de que a piedade é freqüentemente uma forma de rancor fatigado. Tive ganas de ver se a dona quereria vender-me o gatinho, mas deteve-me a dificuldade do transporte.

E desfiei de memória aquilo de Beaudelaire:. Viens, mon bon chat, sur mon coeur amoureux, Retiens les griffes de ta patte. O gato é uma das mais completas expressões de beleza dadas ao mundo. Digo mal. Nem nós esgotamos todo o seu potencial, nem o próprio acabou de se realizar.

Como os colibris, as rosas e os periquitos, é uma obra-prima, feita pela Natureza no caprichoso intento de mostrar como aquela que faz montanhas e mares é também capaz de compor coisas de paciência, de fantasia graciosa e de gosto quintessencial.

E que os anjos os deixaram cair à terra por descuido, ou para os destruir. Um exemplo de inadvertência galucha: falando de animais bonitos e nobres, dei a minha preferência, precipitadamente, depois do gato, ao cavalo e ao elefante.

O Esporte, que se aplica em fomentar a beleza física da espécie, tem nesse ponto fracassado, uniformemente, em toda a parte do mundo. Só apresenta indivíduos bonitos quando os colheu da natureza. O jogo das massas e dos contornos perde-se fluidicamente em si mesmo. Cada imagem emerge da precedente como numa espiral de fumo, dissolve-se na seguinte como num caleidoscópio sem recortes e sem chocalho. Bem, mas porque foi que eu cometi esse erro?

Porque estava possesso de Rufina. Embalde eu protestava que ela era mais feia do que o elefante, menos perfeita do que uma leitoa. Embalde eu procurava esquecer, embrenhar-me no meu produto como a aranha no seu, embriagar-me com esses pensamentos de luxo, suspender-me a essas teias, atar as minhas arrobas ao vôo dessas borboletas extraterrenas.

E, na verdade, nem agora consigo exconjurar aquele demônio. O condutor cumprimenta-a com respeito, e trocam notícias de família. Veste-se com decência e modéstia. Usa saias pouco acima dos tornozelos. Essa criatura acabou por me interessar. A custo obtive umas informações vagas.

Costura fora de casa. E até de armazém de pancadas. É aquilo de Amiel: Pas um brin d'herbe qui n'ait une histoire à raconter, pas un coeur qui n'ait son roman Por um instante, pensei em aceitar o lenço, mas prevaleceu o austero dever, tirei o chapéu, agradeci, e fui-me. O homem ainda me pediu desculpa e ficou a olhar em redor, a ver se aparecia o legítimo dono.

Mas a galantaria do gesto! Linda coisa, a galantaria. Tem um princípio passivo. Ao entrar num café, dei com o homem do lenço na minha frente. Notei que tinha o nariz vermelho. A grande descoberta instantânea tornou-se impossível. Por isso, um imenso repositório de beleza jaz inexplorado e ignorado no mundo e na vida.

Uma cobra - puh! O charco talvez nos apareça, cheio de azul, como um buraco da terra sobre um abismo sem fundo, todo lavado de claridade e povoado de numes joviais. A cobra, essa é positivamente um objeto encantador. Vê-la enrodilhar-se é apreender a nitidez perfeita da imagem, aliada quase paradoxalmente à cambiante contínua.

É um pau que se fez cipó e um cipó que parece querer voltar aos enlaces e aos balanços com as ramas. Como se tivesse barbatanas e asas invisíveis, bóia, nada, voa pela superfície da terra, e, quando se diria que lhe vai fugir, mergulha por ela dentro. Disse Boileau, sentenciosamente, como sempre:. Il n'est pas de serpent ni de monstre odjeur, Qui, par l'art imité, ne puísse plaire aux yeux,. Se eu fosse Rufina, hoje recostado no banco do bonde, enquanto um céu muito lavado se arqueava sobre todas as coisas, e um grande desejo de amor e ventura abrolhava nas almas, que teria feito?

E tanta coisa mais! Pensaria nalgum namorado vulgar, suavemente grosseiro e agradavelmente chato. Esta idéia me perturba e me desalenta. Tivemos hoje, à ida, um inesperado companheiro de viagem. A senhora gorda enxotou-o, num gesto de susto muito gracioso, como convinha ao sexo.

Este se apresentava para lhe desfechar um tiro com o dedo médio armado em aríete, quando ele se passou para as costas de um homem distraído, onde se deixou e o deixaram ficar. Uma vaga de hilaridade desencadeou-se no bonde ao toque das asas daquele forasteiro. Todos lhe acompanhavam as evoluções com sorrisos. E alguns manifestavam na cara uma curiosidade lorpa, como se estivessem diante de um invento completamente novo.

Porque essa hilaridade? Problema complicado e escuro. A mímica do pranto e do riso nasceu provavelmente da necessidade de se solidarizarem e coligarem os ânimos, na horda primeva diante do perigo, da contrariedade ou do benefício comum que iam encontrando pela frente.

Com o tempo, isso se teria refletido e entranhado no indivíduo, até assumir uma sorte de vida inferior, independente.

E se tudo isto estiver errado? Responsabilidade social muito pesada. Facadas, amabilidades, invejas, intrigas, amofinações Que bom travesseiro, a pobreza! E foi também o próprio louva-a-deus, natural e bobo como esse riso. O louva-a-deus é talvez um simples broto que de repente se animou, mexeu as suas folhazinhas tenras mal transformadas em asas, saltou, olhou o mundo em torno com os dois olhitos esbugalhados que se lhe acabavam de pôr - e esqueceu-se do papel que vinha representar.

Outra hipótese. A minhoca teria sido tirada de uma raiz de tubérculo. A serpente, de uma haste de foraminífera. O besouro foi talvez copiado de um caroço de mamona. O lagarto, de um estilhaço de pau nodoso rachado pelo raio. E o morcego? O morcego foi de certo imitado de um pequeno guarda-chuva esfrangalhado pelo vento.

Ai, a mulher! Rufina, meu amor, eu adivinho que tu és isso tudo! Tive também um acesso de ternura pelo coitado do meu louva-a-deus, perdido entre paralelepípedos e almas, na cidade poeirenta e dura, longe do fluido verdor fresco das moitas e dos aguaçais.

Vi os agros lavrados, grandes remendos postos ao manto das lombas, com estrias roxas de terra e bordados verdes de planta nova.

Senti o cheiro salubre das macegas. Assim as nossas ternuras vêm sempre acabar em nós mesmos. Aí, senhor duque de la Rochefoucauld! Viajava a meu lado um moço atochado de conhecimentos exatos.

Tivemos hoje concerto de sanfona durante a viagem da tarde. O homem tocava bem, e tocava de tudo. Que boa, alegre e higiênica maneira de ser artista! Pela minha parte, Deus lhe pague, frater desconhecido! Viajou hoje no bonde um homem embriagado, meio dormindo. Quando chegamos ao ponto, no centro, todos descemos, e ele ficou. Ó amigo Tem de pagar outra passagem! Toque essa porcaria! Eu pago quanto você quiser. Olhe, tome! Mas olhe aqui, condutor, mande tocar mais devagar nas curvas É só o que eu lhe peço.

Mais devagarinho nas curvas! Assistiam à cena dez ou doze curiosos, que muito se divertiram. E porque o estado de bebedeira é degradante? Por que? Mas volta, e prova mais uma vez, mais outra, e mais outra, aumentando as doses. Torna-se um automobilimaníaco. E, como muitas outras, deixa suas heranças à descendência.

A verdade é que o homem é um ser que se embriaga. E é verdade. És que? Boa prosa, o Antônio Palhares. Palhares é assim. Quanta novidade, quanta frescura, quanto inesperado, e também quanto sabor de sinceridade libérrima e despreocupada, nos seus dizeres de homem sem galeria presente nem futura!

Queixei-me a Palhares dos inconvenientes da notoriedade. Palhares ouviu-me, ouviu-me, e, afinal, perguntou:. Como romper? Como ter a energia de quebrar brutalmente esses laços? E depois, ser bom é mais um motivo para criar afetos e dedicações em redor de si.

Ser bom, de uma bondade pedestre e regular, de fato, é um meio de criar afetos e dedicações em redor de si. Os homens só nos avaliam, nos pesam, nos apreçam pelas nossas projeções exteriores. Valem pela soma de utilidade e de cumplicidade que levam consigo.

Mas um indivíduo realmente e simplesmente bom é o mais desvalioso dos homens. Uma sombra igual para todos. Palhares sorriu, pôs um confeito na língua e, a remexê-lo na boca, perguntou:. Presente de um amigo. Prestei a esse um serviço de grande importância, que só eu estava em condições de prestar.

É isso. É assim. Tornei a ver a minha Rufina, afinal. Corria eu os olhos pelos passageiros, com essa curiosidade vaga, sem garra nem asa, que nos resta nas horas de fadiga. Contemplei aquelas caras a ver se conseguia extrair de alguma delas a imagem reconstituída de uma beleza decomposta. Teriam talvez uma espécie de beleza interior.

Pus-me a passear os olhos pelo tejadilho, pela rua, pelas pontas de meus dedos. De repente, quem havia de descobrir! Trajava de branco e tinha uma gola alta que lhe dava ao pescoço, ao ombro e à cabecinha redonda um quê dessa graça aconchegada e sólida, que se encontra nas frutas perfeitas e nos legumes viçosos.

Mergulhei-me na figura de Rufina. Relanceava os olhos para Rufina, uns olhos de emplastro, sob cujas apalpadelas a moça baixava os seus. Depois, saltou. Incomodado pelo intruso, passei provisoriamente para o banco imediato, dando costas à linda criatura. Mas a moça tinha desaparecido. Luxuosamente gordo.

Exibia o ventre, que lembrava o hemisfério de um grande globo, como se de propósito desejasse que toda a gente lhe pudesse admirar aquela prenda. Aquilo era o seu precioso berloque de novo rico.

Avioes levanta o copo download

Encolheu como pôde o fardo abdominal e, sacudindo a papada, os olhos arregalados: "Passe! Esta sucia O sujeito extremamente delicado é, no fundo, um indivíduo que faz o pior juízo acerca dos seus dissemelhantes, e os trata com infinitos cuidados, como se lidasse com cavalos passarinheiros ou cachorros agressivos.

Só posso dizer que, ao vir-me o condutor cobrar a passagem, nem o senti chegar, estava absorvido na segunda quadra. A vida é um céu que uma só vez se estrela; toda estrelada e rutilante a viste Contudo, a vida forte boa e bela: sorriu-te, tanto quanto lhe sorriste.

Podia servir. E nem mesmo queria acabar de sair. Contudo, a vida foi-te boa e bela: a vida te sorriu, tu lhe sorriste O problema fixava-se em três incógnitas: x dois decassílabos, em ela e iste; y que desenvolvessem o pensamento começado; z tornando possíveis os tercetos com um fecho reluzente e forte.

Hoje, ela te maltrata, e tu caíste. Aqui, o verbo caíste le mont est créateur sugeriu-me espontaneamente este quarto verso:. Bastava modificar de leve os versos antecedentes:. Outrora, a vida aparece-te bela; acenou-te, sorriu. Tu lhe sorriste. E a seus braços voaste. E enfim caíste, caíste, pobre moça! O mais engraçado desse humorismo é que a idéia em si é perfeitamente justa e muito séria.

A vida, de fato, estende às almas jovens e sequiosas umas fatais urupucas, tentadoras e terríveis, onde elas se debatem e se magoam. Mas o "cair na esparrela" tornou-se cômico pela vulgaridade, e a vulgaridade é o sentido moral figurado. Nem que ela fosse real! Outrora, a vida apareceu-te bela; acenou-te, sorriu. E a seus braços voaste; e assim te viste presa das graças lacerantes dela.

Ora, bem. Faltavam os tercetos. O bonde tinha chegado ao ponto final e ia recomeçar o giro. Mas, quem sabe? Ego dormio et cor meum vigilat. Os passageiros, alinhados, taciturnos, pareciam compenetrados de representar algum papel de responsabilidade. Ou dir-se-ia que iam jogar a própria vida numa linha de fogo, logo ali adiante.

A certo momento, entrou um bêbedo, que mal se sustinha nas pernas, como um fardo que trepasse a custo arrastado por uma corda invisível. Mas falava sem parar e ria-se numa grande jovialidade enternecida e patusca. Tudo lhe ria, a barba crespa e grisalha, repartida em duas pontas, os olhos pequenos e azuis, como dois botões de esmalte, o chapéu amolgado e caído sobre a orelha, os longos caracóis de cabelo bamboleantes sobre a testa como gavinhas de aboboreira, e que se haviam despregado da pastinha rala, transversalmente colada por cima da calva.

Ria a próprio casaco de pano encorpado, cujos bolsos atafulhados se arredondavam como bolsas, e ria ainda mais o lenço vermelho amarrado ao pescoço, com as pontas a esvoaçar como bandeirolas.