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PDF | Resumo: Este trabalho propõe uma leitura da canção "Diário de um detento", do Racionais MC's, e do livro "Diário de um detento: o. no livro Diário de um detento, escrito por Jocenir e publicado em pela editora Como o título do livro sugere, Diário de um detento narra a experiência . E é assim cada uma das páginas que compõe este livro quase todo escrito nos que transformou alguns versos de Jocenir na música "Diário de um detento.

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Cabisbaixo, me despedi dando um afetuoso beijo. O PT é o partido com que a gente mais se identifica. Após terminar enxuguei com minha camiseta e logo que vesti a roupa. Vergonha de si mesmos. Maio 13,

no livro Diário de um detento, escrito por Jocenir e publicado em pela editora Como o título do livro sugere, Diário de um detento narra a experiência . E é assim cada uma das páginas que compõe este livro quase todo escrito nos que transformou alguns versos de Jocenir na música "Diário de um detento. De repente, num único segundo, toda a minha passagem pela prisão veio-me à cabeça. Lembrei-me de cada detalhe e situação dos últimos anos. Como modo de fazer justiça, vai ficar disponível aqui a resenha do “Diário de um detento: o Livro”, uma das publicações mais interessantes. Compre Diario de um Detento o Livro, de Jocenir, no maior acervo de livros do Brasil. As mais variadas edições, novas, seminovas e usadas pelo melhor preço.

Jocenir Josemir Prado surpreende por sua força e capacidade de relatar o que todos gostariam de esquecer, por seu olhar inquieto, sempre procurando algo, talvez busque as sombras, talvez as grandes muralhas O murmurinho dos corretores, vozes ainda jurando inocência, vozes que calaram nas sombras A vida passa fora das muralhas, os homens passam dentro de si. Jocenir é libertado numa tarde de novembro.

No final da primavera, a natureza o agracia com sol e chuva. Jocenir caminha, tenta sentir o vento, perceber o horizonte, ter certeza de que as muralhas ficaram definitivamente no passado. Chora umedecendo o corpo ressecado de sonhos e caminha em busca de um arco-íris.

Havia um arco-íris na liberdade de Jocenir Atua umsica professor no Ensino Médio. Desde terça-feira ninguém abre pra nada. Antes de arregaçar as mangas, para também vasculhar a história dos Racionais MCs, queria agradecer, a todos que acompanham o Clube e mandam elogios e dicas de novos temas. Pra eliminar dftento, pra se livrar de uma responsabilidade social.

Tem outra logo mais, eu sabia. Isso é uma grande piada. Resultado em face disto, tentando ludibriar os censores: O EP, ainda tinha mais uma faixa inédita: Jocenir, nessa mesma doario, comenta: E segundo KL Jay, pelo menos, mil cópias foram pirateadas. A vida bandida é sem futuro. Logo, também passaram a frequentar o local, skatistas, grafiteiros e rappers. Na segunda metade dos anos 60, surge a galera da Jovem Guarda, a galera da psicodelia, do rock progressivo.

É uma grande farsa essa a de que raiconais cadeia serve para reestruturar o ser humano. Me lembro como se fosse hoje. Segundo alguns sociólogos, a sociedade pode ser dividida em: Eu preciso da sua ajuda, para escolher os novos temas do Clube. Foi nosso começo dentro do movimento Hip Hop. Quando fui preso em 1. Agora de visitante passou a encarcerado. Que zica!

Assim que passei da gaiola do segundo andar e comecei a descer as escadas, ouvi uma sequência de tiros e, pelos estampidos, eram de fuzil.

Logo em seguida a sirene soou. Rapidamente os funças trancaram todos os portões de acesso aos pavilhões. Ninguém dizia o motivo real. Imaginei que pudesse ter acontecido uma fuga ou pelo menos tentativa de fuga. Um mano que estava tomando sol no campo do P8 viu toda a cena e me contou o fato.

No campo transcorria uma partida de futebol entre detentos do P7 contra os do P8, pelo campeonato interno da FIFA, interpavilhões. O sol rachava o coco e o chicote estralava nas quatro linhas.

Afastado da massa estava o Joy, sentado e encostado na muralha. Era um faxineiro do terceiro andar do P8. Num dado momento foi surpreendido por um banho. Enfurecido, com a fisionomia transformada, sangue nos olhos, levantou-se a fim de saber de onde veio a brincadeira de mau gosto.

Foi quando olhou para cima que fitou o autor: um policial. Ele estava na muralha, tendo crise de gargalhadas.

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Xingava o PM. Joy foi mais uma vítima do despreparo emocional, psicológico e o instinto assassino de muitos PMs. O militar friamente apertou o gatilho. O projétil de viajou e atingiu a cabeça, mais precisamente entre o nariz e os olhos.

Secretaria da Segurança Pública

O mano ficou feio na foto! A vítima só teve tempo de dar um grito estridente, agonizante e foi caindo em câmera lenta. Joy, segundo o mano me contou, ainda tentou reagir, mas o corpo começou a tremer e se debater.

Nesse momento a partida de futebol foi interrompida pelo corre-corre. Foi o maior auê, muitos em pânico procuravam abrigo. Quando caíram em si, ficaram paralisados com a cena. Os mais serenos correram tentando socorrê-lo, mas nada puderam fazer. Alguns minutos depois Joy deu o suspiro derradeiro.

Assistir aquela tragédia e a facilidade com que um gambé algoz pôde tirar uma vida foi como acender uma chama no combustível. A revolta foi geral. A massa, munida de palavrões e pedregulhos, tentou atingir os policiais na muralha sem êxito algum. O gambé foi indiciado por homicídio - artigo do código penal - e julgado pela polícia militar.

Por causa do triste episódio, a cadeia ficou de luto. Um clima sombrio e sinistro tomou conta da ilha. Nos finais de semana o trânsito interpavilhões era suspenso por ser dia de visitas.

Levei para o Dexter alguns produtos de higiene pessoal, cigarro, bolacha, entre outras coisas. Aqui tem um mano chamado Dexter ou Marcos Fernandes de Omena? Apesar do lugar, é gratificante encontrar um amigo verdadeiro. Naquele momento senti que Dexter ficou aliviado em me ver.

Automaticamente tive a certeza de que ali estava um forte aliado para somar na intensa guerrilha. Nos cumprimentamos com entusiasmo e demos margem para uma longa conversa cheia de confidências. Mó zica hein, mano, a gente se trombar aqui nesse lugar? O barato é loco mesmo ó! Tô vindo de Bragança. E eu fui nessa também. Mas aí dei um azar muito grande e fui recapturado no dia seguinte. Foi cruel! Voltei pra cadeia, é mole? É cruel truta, fim de carreira! Logo no dia da mentira!

Confesso que me impressionei com o tamanho do condomínio fechado. Olhei para o alto e percebi o quanto era verdadeiro aquele momento.

Ver aquela muralha me causou fobia. Ver aqueles ratos cinza em cima dela, armados com fuzis AR me fez reviver o filme Alcatraz. Com dinheiro se vai também. Pagaram muita raiva pra você? Era chegada a hora de conhecer o inferno por dentro. Um, dois, três. Quatro portões foram suficientes para chegar ao setor de controle geral. Me tornei mais um gado marcado. Foi difícil? Tem um conhecido que chegou comigo e sabe como funciona.

É o Kong, um patrício. Nossa amizade iniciou quando ele me viu fumando um cigarro. O mano me apresentou o japonês que por sua vez me orientou a escrever uma pipa com seu nome completo. Na sequência, ficou na responsa de entregar o pipa, entendeu? Mesmo assim me senti um forasteiro num território hostil. Em seguida nos escoltou até a triagem no terceiro andar. Nessas horas o apoio é super importante. Tem alguém aqui trincando com você e te dando uma assistência?

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Sempre extrovertido, falando gíria. O Kong, aquele patrício que me ajudou a te encontrar, me apresentou quatro malandros ali do segundo andar da cela Os manos trinco. Eles trocaram mó idéia com um funça, deram uma merreca e o funça liberou a gente. Paguei uma ducha quente, tomei um café de responsa, depois almocei com os manos. O Kong até fumou um baseado com os manos.

Tudo isso foi no segun-. Passamos a tarde de sexta-feira, só contando história. Pelo menos nessas horas estamos livres. Passei o final de semana trancado. Às vezes sentia mó vontade de desabafar com alguém. Enquanto Dexter retomava o fôlego, pediu para eu falar um pouco sobre mim.

Tenho que dar graças a Deus por estar vivo. Foram muitas loucuras, aventuras desafiando a morte. Você se lembra? Meu intuito era dizer ao crime nunca mais. Tava trampando em Santos numa oficina mecânica.

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Concluí os exames criminológicos para o RA Regime Aberto. Tava só no aguardo da liberdade para a felicidade ser completa. Numa segunda-feira saí para trampar. Subi as escadas de casa rumo à rua. Desci a ladeira, resolvi parar na padaria para baixar chiclete, quando trombei o David. A conversa foi breve. Quando me despedi, ele perguntou para onde eu iria. Ofereceu carona. Elogiei a nave de fuga e entrei no golf prata. Foi quando recebi uma proposta indecente. Ta faltando um mano pra cena. É uma fitinha dada pelos pé-de-porco do coban.

A sociedade vira as costas mesmo, mano. Fecha cum nóis, que é daquele jeito. Mas o crime é um mundo de ilusões, costumo dizer que é uma rosa que esconde seus espinhos. O David ligou o carro, acelerou, seguimos em frente. Na época, poucas pessoas tinham acesso a essa tecnologia. O grupo estava fortemente armado com pistolas, matraca, fura, cole-.

Segundos depois ouvimos sirene de viatura. Tava na cena do crime, em flagrante ainda. Saquei minha quadrada, abri a porta, saí me esquivando.

Dei alguns disparos para dispersar, comecei correr, pânico geral, aquele auê, pessoas apavoradas, correndo, gritando, carros freando. Resultado: carro roubado e eu no semi-aberto.

O couro comeu quando pegou em meu bolso a carteirinha da colônia. Me bateram até umas horas. Eles queriam que eu caguetasse a goma do David.

Infelizmente fui coagido a segurar o BO porque Cagueta morre feio na foto, entendeu? Entendi tru. O prego tava no cavalo e na hora que a chapa esquentou, ele se jogou e deixou os manos falando, mó desacerto!

Os caras caíram em flagrante no coban. Sem massagem os manos mandaram um pipa da cadeia. Fugi pelo tatu com mais nove caras. Foi mil grau, coisa de engenheiro. Demoramos dois dias para abrir o buraco com a matraca, depois cavamos 13 metros debaixo da terra. No interior do tatu a gente só se movimentava engatinhando. A maioria dos manos era experiente. Eles planejaram, calcularam e saímos no lugar exato, mas o diâmetro para descer no buraco era de apenas 30 centímetros.

Só deu para fugir de shorts e sem camisa. Valia tudo pela liberdade, isso aproximadamente às 3h. Pulamos para a linha do trem, sem parar continuamos correndo descalços nos trilhos, sujos de terra, até chegar numa favela. A sorte tava do meu lado. Depois cheguei numa viela, bati palmas num barraco, pedi ajuda. Um desconhecido me deu uma calça, uma camiseta e um chinelo velho.

Saí correndo e me escondi num matagal. Ajudei minha família, tive uns desacertos, tomei uns botes dos tiras e fui obrigado a fazer uns acertos. No dia 5 iria fazer à boa. Iria ficar sossegado, mas me atrasaram. Um zé povim me caguetou pro Depatri.

Fui pego de surpresa e voltei recapturado depois de três meses. Nem acreditei, nem senti o gosto da rua, meu castelo caiu. Mas o mais importante é ta vivo.

Logo a gente atravessa as fronteiras novamente. Deu mó trampo pra polícia, hein? Mas e agora? Parou com o crime, deu um tempo? O barato é loco truta. O primeiro BO confesso que fui eu, mas o segundo tava de laranja. Mas parece um dinheiro amaldiçoado. Perdi tudo pros ladrões dos ladrões, para a polícia e para um advogado, um tremendo doutor areia.

Às vezes penso que tô fazendo minha família sofrer demais. Sabe, todos aqueles que diziam serem meus amigos nem uma carta me mandaram. Mano, minha filha nasceu, é minha jóia rara, tem apenas seis meses, precisa tanto de mim. Às vezes penso em pa-. Nós nem sabemos se sairemos vivos. Sinto mó vontade de viver honestamente. Minha família sentiria maior orgulho de mim.

O Bad vem sempre que pode e traz meus sobrinhos, o Jeron e a Sttephany. É a minha cara. Como de costume, todo entardecer eu subia no quinto andar para espairecer a mente. Olhei pela ventana e celebrei o final de mais um dia.

A brisa soprava em meu rosto. Logo viajei num bando de pombos que voava em sincronia e fazia o cruel contraste com a sentinela na muralha.

Agradeci a Deus por mais um dia. Sua cor assemelhava-se a uma gema de ovo. Um presente para os meus olhos. Mas acredito que a pessoa que mais prejudiquei fui eu mesmo. E só o crime poderia me ajudar.

Só o crime poderia mudar minha vida de uma hora para outra. Tudo começou como em uma brincadeira de criança. Para provar que eu era capaz, saí da loja com um pacote de bolacha sem pagar.

E histórias como a minha se repetem todos os dias. Roubar banco exigia mais inteligência do que força. Nossa quadrilha era formada, normalmente, por sete pessoas. A preferência é que ele fosse, no mínimo, 1. A primeira era para discutir a estratégia da entrada no banco, a rota de fuga e definir as funções de cada componente do grupo.

Todas as operações tinham as funções de cavalo — piloto de fuga —, o linha de frente — anunciava o assalto e rendia os vigias —, a isca — normalmente uma mina gostosa que distraia o pé de porco. Saíamos com dois carros: um quente e um frio com placa adulterada. O cabrito estacionava na porta do coban.

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No carro quente, apenas o motorista carregava o armamento até próximo ao banco. Neste local, as armas eram entregues discretamente aos bandidos que estavam dentro do carro frio. Cerca de dois quarteirões antes da entrada do banco, os integrantes desciam, se separavam e iam a pé até a agência. Depois entrava a mina de saia, com duas armas Glock nas cochas. Com os vigias rendidos, era só pegar a grana nos caixas e, se desse tempo, no cofre.

A fuga era a maior adrenalina. Alguns quilômetros depois, o bando se separava e só se reencontrava no esconderijo para a partilha do roubo. Virei referência, espelho da quebrada. Eu era o mais requisitado por todos, principalmente pelas mulheres. As brigas para o posto de titular ao lado de um bandido eram freqüentes, mas elas sempre sabiam da existência de filiais.

Vagabundo adora ostentar, se exibir. Acreditava que com isso estava ganhando respeito. Eu era o rei da favela, achava que estava em uma redoma de vidro, com todos me olhando.

A vaidade trouxe a cegueira e eu pensava que estava abafando. Permaneci dando bandeira. Quase 40 gramas de ouro 18 quilates.

Usava relógio original Bulova, camiseta Bruno Minelli, perfume Eternit, calça jeans Calvin Klein, o tênis Nike mais caro que tinha nas lojas, óculos de sol da Armani. Sem contar a nave zerada brilhando, cor preta, filmada, com rodas de liga - leve aro 19 cromada, sonzera que mais parecia um baile ambulante.

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O carro era um Passat Pointer, a caranga do momento. Quando chegava ao bar, gostava de ser notado. O churrasco seguia até altas horas. Eu segui o outro caminho. É dificílimo lidar com a vaidade, orgulho e o poder. Por incrível que pareça, minha quadrilha fazia o social.

Quando um macaco vê muita banana se lambuza. Era um dinheiro amaldiçoado. Quanto mais eu ganhava mais eu gastava. Fomos caguetados por nós mesmos, pela falta de etiqueta, o modo de agir, proceder, o sobrenome. Só mais tarde percebi que nem os mais ricos esbanjavam tanto quanto eu, elemento suspeito. O outro fator para minha decadência é que nos dia de hoje ninguém quer ver ninguém bem.

Recalcado e X9 é mato. Os poderosos utilizam a periferia como um laboratório de experiências. Só que agora ela desceu o morro e chegou ao asfalto. Como conseqüência, atingiu todas as classes sociais. Quem mora na periferia vive indiretamente ligado ao crime. Vejo por mim. Bernardo do Campo, mais precisamente no bairro Jardim Calux.

A vila era constituída de construções modestas com poucas casas de alvenaria. A maioria eram barracos de madeira. Poucas ruas asfaltadas e muitas ruas de terra, mal iluminadas. Nossa casa era humilde como nós. Possuía três cômodos e um banheiro nos fundos. O sonho dela era ver a gente formado, quem sabe um engenheiro, médico ou advogado. Quando tinha doze anos meus pais se separaram, após quase 16 anos de casamento.

Éramos muito apegados ao nosso pai. Foi um grande abalo. Essa fase foi dificílima.

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Meus pais sempre tiveram que trabalhar muito ficavam o dia todo longe de casa. Vi muitas garotas, da minha idade na época — entre 12 e 13 anos — engravidarem e garotos se tornarem pais quando ainda queriam brincar. Depois do primeiro filho, vinha o segun-. Imagine a conseqüência de situações como esta. Desde pequeno eu tinha uma personalidade marcante. Tais travessuras me custaram muitas surras e choros como qualquer criança.

Era fascinado por aventura. Nunca fui parasita, acomodado. Servia de ponto de encontro de aposentados e idosos. Ela atendia três bairros que ficavam ao seu redor. Assistência médica só no PS Pronto Socorro localizado no centro da cidade. Os botecos batiam o recorde, aproximadamente um em cada esquina.

Entre os envolvidos estavam amigos de infância, conhecidos de classe e vizinhos.

Infelizmente a maioria dos manos que cresceu comigo se envolveu. A necessidade ou o sonho de consumo faziam os olhos. O jovem é induzido a ser consumista em potencial. Vivemos numa sociedade do ser e do ter, mas o que prevalece é a do ter. Ela vende ilusões e ganha milhões, nos faz viver num mundo surreal, dita comportamento. É o capitalismo selvagem: você vale o quanto pesa. Para esquecer as frustrações e os problemas, muitos enchem a cara de cachaça.

Os manos desandam porque essa droga causa dependência física e mental em pouco tempo de uso. A tolerância era zero. E para o governo, ape-. Até hoje essa história se repete. A escola da vida me tornou homem, precocemente, experiente em quase tudo. Um guerreiro na luta pela sobrevivência.

Uma porta se abria e muitas se fechavam.

Com todas as adversidades e contratempos sempre mostrei interesse nos estudos. Exatamente em concluí o ensino médio técnico em contabilidade. Do primeiro ano do ensino fundamental ao ensino médio, passei sem repetir. Minha família botava maior fé em mim que eu teria um futuro promissor. Batalhei um trampo, mas só no início de 1. Justamente nesse ano Fernando Collor de Melo assumiu a presidência do País.

Entrava às 8h, mas saía de casa duas horas antes porque só tinha dinheiro para pagar uma passagem. O ônibus vinha lotado, mais parecia uma lata de sardinha. O restante do percurso seguia a pé. Mostrando dinamismo logo consegui dois sobrados para ven-. As coisas começavam a engrenar quando o Excelentíssimo Presidente deu aquele golpe fulminante que quebrou as pernas de todos os brasileiros. As vendas tiveram queda. A necessidade e a revolta começaram a perturbar minha mente.

Injuriado, fui pedir uma força para um amigo de infância. A casa modesta se transformou num vistoso sobrado. Pense num vida boa, a sonzera na casa corria solto a semana toda. Comprou carro do ano, moto, só andava com uns panos da hora, esnobava cada dia exibindo três marcas diferentes de relógio: um Rolex, um Breitling e um Bulova. Só sei que as minas o ovacionavam.

Todos o respeitavam: as crianças, os caras da vila e até os tiozinhos. Também o malandro era muito educado. Ninguém dizia que o mano fazia algo de errado. Hoje em dia é cada um por si. Ninguém ajuda ninguém. Você é respeitado pelo que tem. Aflito, olhando na menina dos olhos dele perguntei de que forma poderia me ajudar. Aí você vê se ta dentro de suas condições.

Aquele foi meu primeiro teste. Nunca tive uma dessa, mas sempre convivi próximo de quem tinha entendeu. Um conselho que te dou é o seguinte: se você tiver que se arriscar, que seja por muita grana. É claro que ninguém começa por cima, tem que fazer por merecer pra subir os degraus.

Mas aí, vamos ao que interessa. Eu to precisando de uma moto, mais precisamente uma RD porque tenho. Você sabe pilotar moto? Eu faço o cavalo e você enquadra uma RD A semana que vem tenho um coban banco pra derrubar.

Aí é nós! Na sequência, te explico qual é a pegada.

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Muito obrigado pela luz. Preocupada me perguntou o que estava acontecendo. Inventei uma desculpa esfarrapada, uma dor de cabeça e fui para o quarto dormir ou pelo menos tentar.

Meu cérebro queimou milhões de neurônios. Queria esquecer os problemas, mas eram visíveis. E assim, seguiu esse inferno astral até clarear o dia.

Como era habitual, a dona Neusa me chamou às 5h.

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Depois presenciei uma cena que me deu maior desassossego. Ela ainda tentou disfarçar, mas na real as prateleiras estavam quase vazias. Aquela cena foi patética. Senti que era o mais insignificante dos homens. Naquele momento fiquei confuso. Meu Deus! Com o estado emocional abalado, deixei a ira aflorar. Cabisbaixo, me despedi dando um afetuoso beijo. Cuidado e vai com Deus. Hoje me arrependo da minha ignorância, temos que acatar os conselhos de nossos pais, pois só querem o nosso bem. Considero herói todos que conseguem se esquivar do ciclo vicioso.

Confesso que falhei nesse desafio. Aguardei alguns minutos. Caiu da cama? Ainda é madrugada! Pediu para eu entrar na garagem e. Essa é a hora. Aí eu encosto você faz a cena, sobe na moto e eu te sigo! Se a gente se perder no trânsito, você vem aqui pra casa. Vou te dar uma cópia da chave, você guarda o cabrito na garagem. O restante é comigo. Assim que a gente chegar eu te dou a grana que combinamos. Sem hesitar, David sacou a PT da cinta e me entregou. Alertou que a arma estava municiada e travada.

Logo o mano avistou uma RD cor cinza. Era chegada a hora. Só que jamais poderia imaginar que aquela aventura se tornaria um vício e uma bola de neve. O diabo é astuto, se aproveita das horas de dificuldades e com suave eloquência te ilude e convence. Como um aviso, aquela vozinha interior me disse que um dia iria me arrepender por ter aceitado aquele convite. De volta à rotina. Passaram-se três meses e Dexter decidiu ir morar comigo no P7. Com muito sacrifício compramos em conjunto o xadrez E.

As paredes eram pintadas com cal. As cortinas, que dividiam o barraco para nossa privacidade, estavam todas esburacadas devido às traças.

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Enfim, a cela precisava de uma reforma geral e nós nos dispusemos, aos poucos, a fazê-la. Confesso que o fato de o Dexter ter ido morar comigo me incentivou e reacendeu uma vontade de formar uma dupla com ele. Mesmo estando na vida do crime, ele também escrevia rimas novas e me mostrava as levadas. Sabia que também tinha o dom.