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LIVRO VARRE VENTO BAIXAR


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Nome: livro varre vento
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Licença:Grátis (* Para uso pessoal)
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Meu estômago estava se revirando só de ver o meu pai todo enturmado com Assef. E eu desejei que baba estivesse ali. Realmente brilhante. Roteadores e Time Capsule. Para o sangue que pingava, manchando a neve de um vermelho escuro, quase negro. O que estava em jogo era eu mesmo! Ou como sangue. Tomou um longo gole de uísque. Estabilizadores, Nobreaks, e Protetores Voltar Voltar. Quebrou a espinha e nunca mais voltou a andar. Desta vez, porém, parecia estar dizendo a verdade. Um deles nos viu, fez sinal ao companheiro que estava ao seu lado e chamou por Hassan. Moravam a umas poucas ruas ao sul da nossa casa, em um condomínio elegante, com muros altos e palmeiras. Na lingüeta, uma pedra do tamanho de uma noz.

BAIXAR LIVRO VARRE VENTO - Jato de Tinta Lexmark. Cabos, Travas e Suporte. Mesa Digitalizadora Voltar Voltar. Geografia e Historia Voltar Voltar. BAIXAR LIVRO VARRE VENTO - Jato de Tinta Lexmark. Literatura Crianças Anos. Jato de Tinta Epson. Laser Colorida Oki Printing. Jato de Tinta Hp. Nome: . PDF - Varre, Vento! Este livro é um poema no texto e na ilustração, é um alerta para os perigos da civilização. O rio, antes de chegar à cidade, é bonito e cheio. Baixar a música o vento varre atrás das grades. Baixar pedido de Baixar o livro de feitiço de amor um efeito colateral marina andreev. Baixar o filme, a praça. Compre Claudia Pacce, de Varre Vento, no maior acervo de livros do Brasil. As mais variadas edições, novas, seminovas e usadas pelo melhor preço.

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Seus discípulos o seguiram. Sua boca se contorceu fazendo algo que, supostamente, pretendia ser um sorriso tranqüilizador. Temerosos, nenhum de nós disse praticamente nada no caminho até em casa, pois podíamos jurar que Assef e seus amigos estariam emboscados em cada esquina. Falava-se em direitos das mulheres e moderna tecnologia. Todos se abraçavam, se beijavam e se cumprimentavam dizendo "Eid Mubarak". Feliz Eid. As crianças abriam os seus presentes e brincavam com ovos cozidos e tingidos.

Hassan e eu nos entreolhamos sorrindo. Tínhamos passado o dia inteiro esperando por aquele chamado. Você sabe? E os seus olhos estavam brilhando. Ali deu de ombros. Talvez um revólver novo? Como o filho, Ali era incapaz de mentir. E, todo ano, os seus olhos o traíam e conseguíamos tirar dele todas as informações. Desta vez, porém, parecia estar dizendo a verdade. Houve uma época em que perguntava o que ele queria, mas desistiu de fazer isso porque Hassan era sempre modesto demais para sugerir um presente de verdade.

Assim, baba acabava sempre escolhendo ele mesmo alguma coisa. No ano passado, surpreendeu Hassan com um chapéu de cowboy, igualzinho ao que Clint Eastwood usava em O bom, o mau e o feio — que tinha substituído Sete homens e um destino como nosso western favorito. Tiramos as luvas e as botas cheias de neve na porta da frente. Hassan e eu nos entreolhamos espantadíssimos. Nenhuma sacola. Nenhum brinquedo. Kumar — disse ele. Ele falava farsi com um leve e ondulante sotaque hindi.

Fez um aceno com a cabeça, mas os seus olhos procuravam o pai às suas costas. Baba percebeu o olhar desconfiado — e desconcertado — de Hassan. Kumar, de Nova Delhi. Hassan abanou a cabeça. Olhou para mim pedindo socorro, mas dei de ombros.

O seu rosto estava impassível como sempre, embora houvesse um quê de seriedade nos seus olhos. Kumar —, o meu trabalho é consertar coisas no corpo das pessoas. Às vezes no rosto delas. Os seus olhos foram do dr. Kumar para baba e, depois, para Ali. Mas este é um presente que vai ficar para sempre. Kumar sorrindo gentilmente.

Na verdade, vou lhe dar um remédio e você nem vai se lembrar de nada. E retribuiu o sorriso aliviado. Mas nem tanto Por que baba tinha esperado eu fazer dez anos para mandar me circuncidarem é uma coisa que nunca consegui entender, e que nunca vou perdoar. Adoraria ter também algum tipo de cicatriz que atraísse a simpatia de baba.

A cirurgia foi um sucesso. Ficamos todos um pouco chocados da primeira vez que removeram os curativos; no entanto, continuamos sorrindo, obedecendo às instruções do dr. Achei que ele ia gritar horrorizado quando a enfermeira lhe deu o espelho. Cheguei o ouvido bem perto da sua boca.

Ele sussurrou de novo. Estava sorrindo. O inchaço foi diminuindo e, com o tempo, a ferida cicatrizou. No inverno seguinte, era apenas uma leve cicatriz. O que é bastante irônico. Porque foi justamente nesse inverno que Hassan parou de sorrir. Enfio um punhado de neve na boca, fico ouvindo aquele silêncio abafado que só é rompido pelos grasnidos dos corvos.

Desço os degraus, descalço, e chamo Hassan para vir ver também.

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E pipas, é claro. Soltar pipas. Lembro de um menino, Ahmad, que morava do outro lado da rua. Seu pai era uma espécie de médico, acho eu.

Puxava o cobertor até o queixo e ficava olhando as colinas cobertas de neve que se viam pela janela. Ficava olhando para elas até pegar no sono outra vez. Adorava o inverno em Cabul. Adorava por causa do suave tamborilar na minha janela à noite, quando estava nevando; por causa do barulhinho da neve fresca debaixo das minhas galochas pretas; do calor do fogareiro de ferro fundido enquanto o vento assobiava pelos quintais e pelas ruas. Mas principalmente porque, quando as arvores ficavam congeladas e a neve recobria as estradas, o gelo entre mim e baba diminuía um pouco.

Rolava na cama, fazia animais de sombra na parede, chegava até a ir sentar na varanda no escuro enrolado em um cobertor. Eu me sentia como um soldado tentando dormir na trincheira na véspera de uma batalha importante. Em Cabul, empinar pipas era um pouco como ir para a guerra.

Como em toda guerra, você precisa se preparar para uma batalha. Durante algum tempo, Hassan e eu fizemos as nossas próprias pipas. E, é claro, tínhamos que fazer também a nossa própria linha, ou tar. Quando a neve derretia e começavam a cair as chuvas da primavera, todos os meninos de Cabul ostentavam nos dedos talhos horizontais, traços reveladores de um inverno inteiro passado nessas batalhas.

Lembro de como os meus colegas e eu nos reuníamos para comparar as cicatrizes de guerra no primeiro dia de aula.

Uma falha ou outra o nosso projeto sempre acabava determinando o seu destino. Baba comprava para cada um de nós três pipas idênticas e carretéis de linha com cerol.

Se eu mudasse de idéia e resolvesse pedir uma pipa maior e mais extravagante, ele a baixaria, mas baixaria a mesma também para Hassan. Que me deixasse ser o seu favorito. As pessoas se amontoavam pelas calçadas e pelos telhados, torcendo pelos filhos. Todo pipeiro tinha um assistente — no meu caso, Hassan —, que ficava segurando o carretel e controlando a linha.

Hassan e eu nos entreolhamos. E caímos na gargalhada. Cultivam os costumes, mas abominam as regras. Empine a sua pipa. E boa sorte. A brincadeira começava mesmo depois que uma pipa era cortada. Uma vez, um garoto da vizinhança subiu em um pinheiro para apanhar uma pipa. O galho quebrou com o seu peso e ele caiu de mais de dez metros de altura.

Quebrou a espinha e nunca mais voltou a andar. Mas caiu segurando a pipa. É o costume. Era como um troféu, algo a ser posto em um lugar de destaque e exibido para as visitas. Procuravam se posicionar de jeito a estarem prontos para a largada. Pescoços espichados. Olhos apertados. Surgiam as brigas.

Mas Hassan foi de longe o melhor que jamais vi. Estamos indo para o lado errado!

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Cheguei na esquina e vi Hassan, que continuava correndo, de cabeça baixa, sem nem mesmo olhar para o céu, com as costas da camisa encharcadas de suor. Quando me levantei, avistei Hassan que desaparecia dobrando uma outra esquina. Hassan trincou uma amora. Eu mal podia respirar, e ele nem parecia cansado. Ele se virou para mim.

Algumas gotinhas de suor escorriam de sua cabeça raspada. De repente, resolvi implicar com ele. Você faria isso? Ele me lançou um olhar desconcertado. Mas havia algo de fascinante, embora de um jeito doentio, em implicar com Hassan.

Era um pouco como brincar de torturar insetos.

Só que, agora, ele era a formiga e eu é que estava segurando a lupa. Ele ficou me encarando por um bom momento. Simplesmente Hassan.

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Baixei os olhos. Foi aí que descobri como é difícil olhar diretamente nos olhos das pessoas como Hassan, essas pessoas que dizem sinceramente o que pensam. E, com isso, Hassan me propôs um pequeno teste. Dei um sorriso forçado. Ele também sorriu. Levantou-se e deu uns poucos passos para a esquerda. Ouvi correria, gritos, um monte de outros caçadores que se aproximavam. Mas estavam perdendo seu tempo. Porque Hassan ficou parado ali, de braços abertos, sorrindo, à espera da pipa.

Ali tinha servido o jantar mais cedo — batatas e couve-flor ao curry com arroz — e tinha ido se deitar juntamente com Hassan. Baba estava engordando o cachimbo, como dizia, e eu lhe pedi que me contasse aquela história sobre o inverno em que um bando de lobos desceu das montanhas de Herat, obrigando as pessoas a ficarem trancadas em casa por uma semana. O que acha? Fiquei sem saber o que pensar. Ou o que dizer. Eu era bom empinando pipas. Na verdade, era muito bom Umas poucas vezes estive bem perto de ganhar o campeonato de inverno — certa feita, fiquei entre os três finalistas.

Ele estava acostumado a vencer, vencer em tudo o que resolvesse fazer. E imagine só se eu ganhasse Baba ficou fumando seu cachimbo e falando. Fingi estar ouvindo. Eu ia ganhar. Mostrar a ele, de uma vez por todas, que o seu filho tinha valor.

Fiquei sonhando: imaginei conversas e risos durante o jantar, em vez daquele silêncio só rompido pelo barulho dos talheres e algum grunhido ocasional.

Vi nós dois saindo de carro, na sexta-feira, rumo a Paghman, com uma parada no lago Ghargha para comer truta frita com batatas. Talvez até lesse uma das minhas histórias. Seria capaz de escrever uma centena delas se achasse que ele leria uma que fosse Talvez ele me chamasse de Amir jan, como Rahim Khan fazia. Baba estava falando de quando cortou quatorze pipas em um dia só. Mais cedo, pedi a Ali que preparasse o kursi para nós — basicamente um aquecedor elétrico instalado sob uma mesa baixa recoberta com um edredom bem grosso.

Em volta da mesa, ele pôs colchões e almofadas e, desse jeito, umas vinte pessoas poderiam se sentar e enfiar as pernas ali embaixo. Comprei o dez de ouros de Hassan e joguei para ele dois valetes e um seis.

Ao lado, no escritório, baba e Rahim Khan estavam tendo uma conversa de negócios com dois outros homens, um dos quais reconheci como sendo o pai de Assef. Hassan deixou o seis e apanhou os valetes.

Suponho que fosse porque, como eles, a maioria dos iranianos era xiita. Uma para você, outra para mim. Ouvi-lo dizer isso me deixou triste. Triste por ele ser o que era, por morar onde morava. Pelo fato de aceitar que ia crescer naquela cabana do quintal, exatamente como tinha acontecido com seu pai. Hassan pegou as damas. Isso era um dos problemas com Hassan. Ganhei, mas, enquanto embaralhava as cartas para uma outra partida, tive a clara suspeita de que Hassan tinha me deixado ganhar.

Fazia sol, a temperatura estava ótima e o lago estava límpido como um espelho. Mas ninguém estava nadando porque andavam dizendo que um monstro tinha vindo para o lago. De repente, você descalçou os sapatos, Amir agha, e tirou a camisa. Mergulhei também e saímos os dois nadando. Seja como for, todo mundo começou a gritar: "Saiam daí! Saiam daí! Pareciam formiguinhas, mas podíamos ouvir os seus aplausos. Agora estavam vendo. Ele passou geléia no meu naan e botou em um prato. Tinha esperanças que você me explicasse.

Meu pescoço e minhas costas estavam parecendo molas bem enroladas, e meus olhos pinicavam. De todo modo, tinha sido uma peste com Hassan. Hassan ia compreender que eu estava nervoso. Ele sempre compreendia o que acontecia comigo. A neve recobria todos os telhados e pesava sobre os ramos das amoreiras mirradas que margeavam a nossa rua. Durante a noite, tinha se infiltrado em cada fenda ou vala. Nunca tinha visto tanta gente em nossa rua. Das ruas adjacentes, podíamos ouvir gente rindo e conversando.

No palco ou nas festas, ele desprezava a atitude austera e quase soturna dos cantores de antigamente e chegava mesmo a sorrir enquanto cantava — às vezes até para as mulheres.

Baba acenou. Ele estava usando botas de neve de borracha preta, um chapan verde brilhante por cima de uma suéter bem grossa e uma calça de veludo cotelê desbotada. De repente, me deu vontade de desistir. Pegar as minhas coisas e ir embora para casa. O que é que estava pensando? Sentia o seu olhar no meu corpo como a gente sente o calor do sol ardente. Ia ser um fracasso estrondoso, mesmo para alguém como eu Passei o peso do corpo de um pé para o outro. Talvez seja melhor voltar.

E era eu que ia ao colégio. Era eu que sabia ler e escrever. Era eu o inteligente. Era um tanto perturbador, mas também um pouco reconfortante ter alguém que sempre sabia do que você estava precisando.

Ele fechou os olhos e fez que sim com a cabeça.

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Olhei para aquelas crianças correndo pela rua, atirando bolas de neve. Ocorreu-me que talvez Hassan tivesse inventado aquele sonho. Seria possível? Talvez devesse tirar a camisa e nadar no lago. Ergueu a nossa pipa vermelha com as bordas amarelas e que trazia, logo abaixo do ponto em que as varetas se cruzam, a marca inconfundível da assinatura de Saifo.

Ficou segurando a pipa bem acima da cabeça, como um atleta olímpico que exibe a medalha de ouro. Dei dois puxões na corda, o sinal combinado entre nós, e ele soltou a pipa. Respirei fundo e comecei a puxar a corda. Em um minuto, a minha pipa estava subindo vertiginosamente pelos ares. Hassan aplaudiu, assobiou, e correu de volta para perto de mim. Segurei firme na linha, e lhe entreguei o carretel que ele girou bem depressa para enrolar novamente a parte que tinha ficado solta.

Havia pelo menos umas vinte e tantas pipas no céu, como tubarões de papel perambulando à cata de uma presa. Um vento frio soprava em meu cabelo. Era o vento perfeito para empinar pipas, apenas forte o bastante para dar a elas alguma altitude e facilitar os movimentos.

Era possível ouvi-los gritando e correndo pelas ruas. Alguém anunciou que tinha começado uma briga dois quarteirões adiante. É isso que acontece quando a gente empina pipas: nossa cabeça sai voando junto com elas. Agora, caíam pipas por todo lado e a minha ainda estava no ar. A minha ainda estava no ar. Uma pipa vermelha estava se aproximando da minha. Eu a notei bem na hora. Embolei um pouco com ela, mas acabei levando a melhor quando o outro empinador ficou impaciente e tentou me cortar por baixo.

Por todo canto, viam-se aqueles caçadores que voltavam triunfantes, erguendo bem alto as pipas que tinham capturado, exibindo-as para os pais e os amigos. Todos sabiam, porém, que o melhor ainda estava por vir. O maior dos prêmios ainda estava voando. Derrubei uma pipa amarela brilhante, com uma rabiola branca toda enroladinha. Mandei Hassan segurar a linha e, depois de chupar o sangue, esfreguei bem o dedo na calça jeans. Consegui estar entre as doze finalistas. As sombras começaram a aumentar.

Os espectadores que estavam nos telhados se agasalharam ainda mais, com cachecóis e casacos bem grossos. As minhas pernas doíam e o meu pescoço estava duro. Hassan estalou a língua e esticou o queixo para a frente. A azul cortou uma outra pipa grande e roxa, e, majestosa, deu duas voltas no ar. Dez minutos depois, derrubou mais duas, fazendo milhares de garotos saírem desabalados ao seu encalço.

Meia hora depois, só restavam quatro pipas. E eu ainda estava voando. Parecia praticamente impossível fazer algum movimento errado. Era como se todas as rajadas de vento soprassem a meu favor.

Estava embriagado. Precisava me concentrar, ficar ligado no que estava fazendo. O da pipa azul. O cheiro de mantu no vapor e de pakora frito se espalhava pelo ar, vindo dos telhados e das portas abertas. Tudo o que ouvia, porém — tudo o que me permitia ouvir —, era o pulsar do sangue na minha cabeça.

Tudo o que via era a pipa azul. Tinha agüentado muito, chegado longe demais. E, de repente, em um piscar de olhos, a esperança virou certeza. Acabou acontecendo mais cedo do que eu imaginava. Uma rajada de vento fez a minha pipa subir e fiquei em vantagem. Com isso, a minha pipa fez um looping e ficou acima da azul. A pipa azul sabia que estava em apuros. O coro "Derrube!

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Fechei os olhos e afrouxei a pegada na linha. Cortei os dedos novamente quando o vento arrastou a minha pipa. Hassan estava gritando e tinha passado o braço pelo meu pescoço. Bravo, Amir agha! Abri os olhos e o que vi foi a pipa azul rodopiando loucamente como um pneu que se solta de um carro em alta velocidade.

Casaco de couro preto, cachecol vermelho, calça jeans desbotada. O vento despenteava os seus cabelos castanho-claros. Ele ergueu os olhos para mim e sorrimos um para o outro. Abracei Hassan com o braço que estava livre e começamos a pular, ambos rindo, ambos chorando.

Você ganhou! Nós ganhamos! Me aprontar. Ficar esperando por baba. De volta à minha velha vida. Estava de pé na mureta, agitando ambos os braços. Gritando e aplaudindo. Agora, vou apanhar aquela pipa azul para você — acrescentou.

Parou e se virou. Comecei a recolher a minha pipa e as pessoas vinham correndo para me dar parabéns. Cumprimentei a todos, agradeci. As crianças menores me olhavam com um brilho de respeito nos olhos. Eu era um herói. Fui puxando a linha, retribuindo os sorrisos de todos, mas só pensava mesmo naquela pipa azul.

Enrolei no carretel a linha solta que estava amontoada junto dos meus pés, cumprimentei mais algumas pessoas e corri para casa. Voltei correndo para a rua. Nem perguntei a Ali onde estava meu pai. Todas as cabeças iam se virar e os olhos ficariam pregados em mim. Rostam e Sohrab se avaliando mutuamente.

E depois? Felizes para sempre, é claro. O que mais poderia ser? As ruas de Wazir Akbar Khan eram numeradas e haviam sido traçadas formando ângulos retos, como se fosse uma grade. Corri para cima e para baixo, passando por todas as ruas, à procura de Hassan. Em todo canto, as pessoas estavam atarefadas dobrando cadeiras guardando comida e arrumando as coisas depois de um longo dia de festa.

Algumas delas, ainda sentadas nos telhados, gritavam para me dar parabéns. Quatro ruas ao sul da nossa, vi Omar, filho de um engenheiro amigo de baba.

Omar era um sujeito bem legal. Tínhamos sido colegas na terceira série e, certa vez, ele me deu uma caneta-tinteiro, daquele tipo que a gente recarrega com um cartucho. Você viu Hassan? Fiz que sim com a cabeça. Omar a pegou, fazendo-a quicar para cima e para baixo. Quero dizer, com aqueles olhinhos apertados, como é que pode ver alguma coisa?

Omar o ignorou. Sem se virar, Omar apontou para o sudoeste com o polegar. No entanto, hoje à noite ele ia deixar de fazer as suas orações, e por minha causa. O bazaar estava ficando vazio bem depressa, com os mercadores encerrando os negócios do dia.

Parei em uma tenda que vendia frutas secas, descrevi Hassan para um velho mercador que estava pondo caixotes de pinhões e uvas passas no lombo de uma mula e usava um turbante azul-claro.

Ele parou o que fazia para me olhar por um bom momento e só depois me respondeu. Ele me olhou dos pés à cabeça. O velho ergueu as sobrancelhas grisalhas. Ele apoiou o braço no lombo da mula e apontou para o sul. Uma pipa azul. Grande Hassan. O bom, velho e leal Hassan. Cumpriu a promessa e pegou aquela pipa para mim. Todos vestidos assim como você. Talvez os olhos do velho mercador o houvessem traído. Acontece que ele tinha visto a pipa azul. Metia a cabeça em cada ruela, em cada tenda.

Nem sinal de Hassan. Cheguei a uma rua deserta e lamacenta, perpendicular ao fim da avenida que passava bem no meio do bazaar.

Dobrei a esquina da ruela esburacada e fui seguindo o som das vozes. De um dos lados da estreita passagem havia um barranco cheio de neve, onde, na primavera, talvez corresse um riacho. Voltei a ouvir aquelas vozes, agora mais altas, vindo de um desses corredores.

Fui me esgueirando até a entrada. No final do beco sem saída, vi Hassan em uma pose desafiadora: punhos cerrados, pernas ligeiramente afastadas. Wali estava parado de um lado, Kamal, do outro, e, no meio, Assef. Senti o corpo todo se contrair e alguma coisa gelada escorreu pelas minhas costas. Assef parecia relaxado, confiante.

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Os dois outros, nervosos, trocavam constantemente o pé de apoio, olhando ora para Assef, ora para Hassan, como se houvessem acuado algum tipo de animal selvagem que só Assef fosse capaz de domar. Assef, o Caolho. Realmente brilhante. Exalei bem devagarinho, sem fazer barulho.

Estava me sentindo paralisado. Estava de costas para mim, mas eu podia apostar que estava rindo. O que acham disso, rapazes? Tentou falar no mesmo tom de deboche, mas a sua voz saiu um tanto trêmula. Mesmo do lugar em que estava, pude ver o medo se instalando nos olhos de Hassan, mas ele abanou a cabeça.

Essa pipa é dele. Leal como um cachorro — disse Assef. O riso de Kamal soou estridente, nervoso. Eu lhe digo por quê, hazara. E me pareceu que tinha ficado vermelho. Algum dia você vai acordar dessa sua fantasia e descobrir que ótimo amigo ele é. Agora, bas! Chega de lengalenga. Hassan se abaixou e pegou uma pedra.

Assef vacilou. Assef desabotoou o casaco, tirou-o e, deliberadamente, dobrou-o com todo cuidado, pondo-o junto do muro. Abri a boca e quase disse algo. O resto da minha vida poderia ter sido bem diferente se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora.

Só fiquei olhando. Vou deixar que fique com ela para que nunca se esqueça do que vou fazer agora. Hassan atirou a pedra, atingindo Assef na testa. Wali e Kamal o seguiram. Fechei os olhos. Sabia disso, Amir agha?

Ela se chamava Sakina. Era uma linda hazara de olhos azuis, nascida em Bamiyan, e cantava para vocês velhas cantigas de casamento. O livro faz um sensacional trabalho em abordar essas questões. No início desta resenha, falava sobre a existência do Santo Ofício nos dias atuais. Pinta-o de forma extremamente conservadora e radical. Eis um livro que recomendo tanto para historiadores quanto para meros entusiastas da disciplina de História. Altamente recomendado. Um excelente ponto de partida para o estudo comparado das Religiões.

No entanto, nem sempre foi assim. O ambiente sociocultural no qual o cristianismo nasceu é descrito de forma cativante, deixando claro o alcance das polêmicas que surgiram em torno da figura de Jesus, de sua obra e da nova seita que nascia. Além dos capítulos específicos, o livro apresenta ainda informações sobre as iconografias utilizadas na obra e uma breve biografia dos autores de cada capítulo.

Ricamente ilustrada, trazendo imagens, símbolos, objetos de culto, manuscritos, a obra fornece ainda subsídios para o reconhecimento da arte de cada um dos povos, instigando o leitor a um aprofundamento neste rico universo das religiões esquecidas pelo mundo. Portanto, uma obra essencial para aqueles que querem se iniciar nos estudos das religiões antigas ou para aqueles que pesquisam e gostam do tema.

Além disso, para cada fato ou crença que temos como certa hoje em dia, o autor apresenta as diversas interpretações existentes a partir de diferentes pontos de vista, inclusive as muito atuais, e vai além, sugerindo interpretações muitas vezes desconcertantes.

É especialista em história mundial, medieval e militar. Esta pequena enciclopédia expõe as semelhanças e diferenças entre todas as formas de religiosidade. Revela as profundas implicações do que culminou em um acidente histórico, onde imperadores Romanos e uma milícia de bispos derrotam uns aos outros. É também professor emérito de Humanidades na Pennsylvania State University. O presente volume, organizado por Edward J. Cada estudo foi escrito, de modo objetivo, por um erudito eminente, com autoridade resultante de toda uma vida consagrada ao conhecimento da matéria.

Jurji; Judaismo, por Abraham A. Neuman; Ortodoxia Oriental, por Joseph L. Em suma, este livro representa um precioso acervo de conhecimentos para todos aqueles que, como historiador, filósofo, ou simplesmente como leigo, desejem aproximar as grandes religiões à luz de suas afirmações e igualmente nas suas relações com a sociedade e cultura humanas.

Foi para Israel após a Segunda Guerra Mundial. Eis uma obra controversa de um historiador e de um profeta. As provas históricas e antropológicas de que podemos dispor actualmente, parecem indicar que no passado e em termos gerais todos os povos do mundo tiveram crenças religiosas.

O autor analisa as principais questões filosóficas sem se deixar envolver em problemas de menor alcance, o que tornou o texto perfeitamente acessível a qualquer leitor. Na noite anterior à batalha decisiva, o governante sonhou que sairia vitorioso se abraçasse o Cristianismo. Assim o fez e recuperou seus domínios roubados. Traduzido em mais de dois mil idiomas, a Bíblia é o livro mais conhecido do mundo.

Mas Jesus pensava que era Deus? Ele se proclamou assim? Seus discípulos viam-no como tal? A partir dessas perguntas, Bart D. Para os céticos, o Cristianismo é fundamentado em um mito. Bart Ehrman cresceu em uma família religiosa nos Estados Unidos e na adolescência foi um evangélico fervoroso.

Foi nessa época que seu interesse pela Bíblia e por sua história começou. Bart Ehrman mora na cidade de Durham, na Carolina do Norte. Doutor em estudos bíblicos, Ehrman é um ex-pastor evangélico e conhecedor das escrituras. Honesta e logicamente, ele conta suas experiências pessoais e mostra o que o levou a perder a fé. Bart D. Ao ler o Novo Testamento, as pessoas pensam estar lendo uma cópia exata das palavras de Jesus ou dos escritos de seus apóstolos.

Contudo, por quase mil e quinhentos anos, esses manuscritos foram reproduzidos por copistas profundamente influenciados pelas controvérsias políticas, teológicas e culturais deseu tempo. O que Jesus disse? Um livro que vai fascinar e surpreender tanto leigos quanto teólogos e historiadores experientes.

Mas o autor Bart D. Para chegar a esse resultado, os autores avaliam objetivamente as escavações e, de forma isenta, os documentos históricos das descobertas mais recentes, comparando-os apuradamente ao texto da Bíblia. Supondo que os livros da Bíblia nunca tivessem sido escritos, teríamos hoje conhecimento de Deus por meio de outra fonte basilar?

Se nada havia antes de Deus ter criado tudo, onde estava Ele antes disso? De onde surgiu? Boa viagem.

A Bíblia é um dos livros mais lidos do mundo — e um dos menos compreendidos. Se Deus existe, a existência humana pode ter sentido e podemos mesmo ter esperança na vida eterna. Ponderam as provas e examinam atentamente a estrutura e as implicações dos argumentos.

Examinam também conceitos tais como a fé e a crença, para ver se a maneira como as pessoas falam acerca de Deus faz sentido. Poderemos demonstrar que esse Deus existe? Neste capítulo irei apresentar os mais importantes.

Um dos argumentos a favor da existência de Deus usado com mais frequência é o argumento do desígnio, por vezes também conhecido como argumento teleológico da palavra grega telos, que significa finalidade.

Isto demonstraria a existência de um Criador. Tal como, ao observar um relógio, podemos ver que foi concebido por um relojoeiro, também ao observar o olho, argumentam eles, podemos ver que foi concebido por uma espécie de Relojoeiro Divino. E como se Deus tivesse deixado uma marca em todos os objectos que fez. Este é um argumento que parte de um efeito e infere a sua causa: observamos o efeito o relógio ou o olho e tentamos descobrir o que o causou um relojoeiro ou um Relojoeiro Divino a partir do exame que fizemos.

O argumento apoia-se na ideia de que um objecto que tenha sido concebido, como acontece com um relógio, é em certos aspectos muito semelhante a um objeto natural, como um olho. Este tipo de argumento, baseado na semelhança entre duas coisas, é conhecido como argumento por analogia. Os argumentos por analogia baseiam-se no facto de existir uma forte semelhança entre as duas coisas comparadas. Darwin mostrou como, pelo processo da sobrevivência do mais apto, os animais e as plantas melhor adaptados ao seu meio ambiente sobrevivem e transmitem os seus genes aos seus descendentes.

Contudo, a teoria de Darwin enfraquece, de facto, a força do argumento do desígnio, uma vez que explica os mesmos efeitos sem mencionar Deus como causa. Afinal de contas, a maioria das grandes e complexas construções humanas, como os arranha-céus, as pirâmides, os foguetões espaciais, etc. Talvez o Arquitecto tivesse morrido pouco tempo depois de ter criado o universo, deixando-o assim a degradar-se sozinho.

O argumento do desígnio oferece, pelo menos, tantas razões para estas conclusões como para a existência do deus descrito pelos teístas. O mal vai desde a crueldade humana, o assassínio e a tortura, ao sofrimento causado pelos desastres naturais e pela doença. Se, como o argumento do desígnio sugere, devemos olhar à nossa volta para ver os sinais da obra de Deus, muitas pessoas acham difícil aceitar que o que vêem seja o resultado de um criador benevolente.

Mas o mal continua a existir. Este sério desafio à crença no Deus dos teístas tem sido muito discutido pelos filósofos. E conhecido como o problema do mal. Como tal, trata-se do que os filósofos chamam um argumento empírico.

Porque sabemos que o universo existe, podemos seguramente presumir que toda uma série de causas e efeitos produziram o universo tal como é hoje. Se seguirmos esta série retrospectivamente, encontraremos uma causa original, a primeira causa de todas. Esta causa primeira, afirma o argumento da causa primeira, é Deus. O argumento da causa primeira começa por admitir que todas as coisas foram causadas por qualquer outra coisa, mas depois acaba por contradizer esta ideia, afirmando que Deus foi a primeira causa de todas.

O argumento pressupõe a existência de uma causa primeira que deu origem a todas as outras coisas. Em primeiro lugar, é verdade que a primeira causa foi, provavelmente, extremamente poderosa, de forma a poder criar e pôr em movimento a série de causas e efeitos que tiveram como resultado todo o universo tal como o conhecemos.

E, tal como com o argumento do desígnio, um defensor do argumento da causa primeira ficaria ainda com o problema de saber como poderia um deus todopoderoso, omnisciente e sumamente bom tolerar o mal existente no mundo. Uma crítica comum ao argumento ontológico defende que ele permitiria que, através de definições de todo o género de coisas, pudéssemos demonstrar a sua existência. Por exemplo, podemos muito facilmente imaginar uma ilha perfeita, com uma praia perfeita, vida selvagem perfeita, etc.

Esta crítica foi originalmente feita por Immanuel Kant Fabíola Pontes. Grandma and Me at the flea-vovó e eu na feira. My very our room-Um quarto só me. Livro dos sentimentos. Quero Quero. O que é o dinheiro. Minha familia e colorida.

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