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MUSICA DE CARLOS E JADER MANDA UM SINAL BAIXAR


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Abandonem esses papéis! Nenhum era jovem como Luisa. Estava perdendo as esperanças quanto a conseguir encontrar o mítico documento e, com isso, o modo de retornar ao Dreamer. Mas os respeito e admiro. O interior da loja era surpreendentemente espaçoso. Dinho encontra o mapa que Ju deixou em sua mochila. Concordo com o argumento do preço das coisas aqui. Flores, um ornamento de frutas no centro da mesa, champanhe, dois banheiros Título original: La scuola degli dei. Se o fizesse, iam me acusar de cabotino ou dizer que acer- tamos o contedido. Diante daquela vista, o intento vacilava. Havia uma coisa ainda a fazer! Éramos dois no mesmo corpo. Todos sabemos disso. Adicionou em seguida: Por isso, nunca é superior às nossas forças. Senti uma pungente melancolia e um pequeno remorso ao me recordar de todas as maldades que nós fazíamos para ele. Pessoal estou afim de ter uma TV por assinatura quem souber de qualquer coisa me ajuda.

Manda Um Sinal. Carlos & Jader. Te quero e se te quero. Vou andando feito fera atrás do seu amor. Te vejo e te desejo e me preocupo. É que eu já sei que. Clique agora para baixar e ouvir grátis Carlos e Jader - A Nova Pegada do Verão postado por músicas do CD. Manda um Sinal Baixar. Baixar: Carlos jader manda um sinal mp3 donwload! Carlos jader manda um sinal palco mp3, Carlos jader manda um sinal 4shared, ouvir musica Carlos jader. Baixar: Carlos e jader manda um sinal mp3 donwload! Carlos e jader manda um sinal palco mp3, Carlos e jader manda um sinal 4shared, ouvir musica Carlos. Baixe Manda Um Sinal Carlos E Jader e mais de 1 milhão de músicas de graça.

E uma boa li9ao moral para estes tempos de moralizacgo do servigo pdblico? Nem mesmo pro- fissionalmente se tem comportado: Tudo comecou a mudar quando a prefeitura aceitou compor o pagamento da divida da admi- nistrailo passada, comeqando a quitA-la. Mais de dois, para Lu- ciano, 6 o infinite. Mas saber disso nos faz levantar a cabega a cadamanha- erecome9ar.

Esse destiny inexorAvel vinha send adiado pela mobilizag9o carllos outras fontes de renda, mas elas desapareceram. Agora que perguntas inc6modas de jorna- listas, ou atW mesmo palavras desconfortaveis de auxiliares e aliados, sao tomadas como agressao, o governor fecha-se em copas e rea- ge agressivamente.

Mas nao o suficiente para permitir ao criador realizar suas audaciosas preten- s6es, nem para garantir ao espetAculo as caracteristicas que um publi- co pagante teria o direito de exigir, ou seja, um padrao professional compativel. Mantido o eixo principal, entretanto, ja se sabe que as mesmas forgas que se confrontaram no sinzl turno deste ano estarao de volta, corn novos aderegos e um remanejamento winal alia- dos, em Quantas gera96esja nao se apaixonaram por ela?

Quantas gera96esja nao se apaixonaram por ela? Nao reconhecia o direito de res- posta. Aldm de colocar a filha na secretaria-geral, Mescouto de- signou, sempre sem concurso e por ato de impdrio, mais dois fi- Ihos para cargos de confianca.

Deve ser alguma edigao especial produzida para os olhos da prefeitura petista. Manipula as informag6es para que o melhor ganhe, 6 claro. Ele foi criado exclusivamente para o mercado indiano, e produzido pela Famous House of Animation em Mumbai. Liloca — Sibo Audio. B3 Money — Hozza. Johnny obviamente aproveita a oportunidade para seduzir Vendella. Showassim como outros novatos da época como O Laboratório de Dexter, a Vaca e o Frango e outros que mais tarde se tornariam os desenhos principais do Cartoon Network.

Johnny passa férias em PamplonaEspanhaa fim de ver as touradas e obviamente conhecer novas garotas. Logo, ela o leva para sua pequena cidade de madeira, lhe apresentando a seu povo nada menos que um povo pré-histórico estalado nos tempos de hoje e lhe sugerindo casamento, ao que ele aceita.

Dj Vino Massivework Feat. Liloca Quadradinho Music Video Mr. Johnny tem um encontro marcado com uma garota chamada Gabrielle e acaba chegando bastante adiantado. Liloca ficxndo Nkhuvu Video by Cr Boy. As palavras sufocavam-me, um pranto despontava.

Éramos dois no mesmo corpo. O ar tornou-se pesado. Percebi ter errado o caminho.

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As palavras apagaram-se e um gelado silêncio tomou o carro. Voltei-me para olhar o meu amigo. Instintivamente, entrei na primeira travessa que encontrei.

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Tive de esterçar bruscamente para evitar bater em um grupo de mendigos espremidos ao redor de uma fogueira improvisada. As sombras dos edifícios eram goelas monstruosas, a garganta de um inferno que nos devorava.

Um grito insistente de sirene cortou o ar e chocou-se contra aquela atmosfera opressiva, estilhaçando-a. Reconheci os sinais de um bairro mais humano e algumas placas indicadoras que enfim nos socorreram. Nunca mais revi aquele velho amigo.

Aquelas escolhas que acreditei serem expressões da minha personalidade estavam se revelando armadilhas sem saída. Percebi com repugnância a minha impotência. Um desespero mudo me dominou. Reclinei a cabeça sobre os braços. A tristeza transformou-se em sono. Uma antiga tela ocupava a parede do fundo da grande sala.

A luz tênue permitia-me ver a paisagem campestre com uma figura sonhadora ao centro. Encontrar-me naquela casa, àquela hora incerta entre a noite e a aurora, era muito estranho. Tudo me parecia familiar, ainda que estivesse certo de jamais ter estado ali antes.

A casa permanecia silenciosa, como absorta em um pensamento. Subi a antiga escada de pedra até a porta maciça de um cômodo. Reparei que eu estava cuidadosamente vestido, como para um encontro com uma autoridade desconhecida. Uma ciranda de pensamentos alimentava meu monó- logo interior como gravetos em uma fornalha.

Tirei os sapatos, deixando-os à porta. Também esse ato pareceu-me natural. Alguma coisa dentro de mim sabia. Sem esperar resposta às minhas leves batidas, apoiei meu peso sobre a maçaneta de ferro e empurrei a porta o suficiente para minha passagem. Meus olhos pousaram sobre a lareira. Ele estava ao lado do fogo.

De costas para mim. Vi projetada na parede a sombra do Seu vulto. Mas o ímpeto de minhas palavras abateu-se como se atingisse paredes almofadadas.

O silêncio que se seguiu cresceu no ser ao extremo. Dentro, uma risada mordaz ecoou por um tempo infinito. Depois daquela eternidade, a voz emergiu de novo. Houve uma pausa. O tom peremptório e aquela repentina mudança de assunto desconcertaram-me. O desconcerto transformou-se rapidamente em medo e pânico. Senti-me subjugado por uma ameaça mortal. Suas palavras caíram sobre mim como uma ducha fria e imprevista que me deixou atordoado. A temperatura pareceu baixar muitos graus. Senti- me regelar.

O tom era um sussurro rouco, sem doçura. O golpe atingiu-me em pleno peito. Explodi de vergonha. Queria somente fugir, encontrar forças para simplesmente dar as costas e desaparecer. Bastaria o som de um telefone ou de um despertador para tirar-me dali. Entalhadas em grandes letras góticas e pintadas a ouro apareceram as palavras: Visibilia ex Invisibilibus. O silêncio ampliou os próprios contornos ao infinito. Dependência é medo. Quanto mais eu refletia no que me dissera, mais o ensinamento calava fundo dentro de mim.

Meu ressentimento aguçou-se até a cólera. O que tinha a ver a vida, o trabalho de um homem, com seus sentimentos ou com seus medos? Para mim, esses dois mundos, interno e externo, sempre foram separados, e assim deveriam continuar.

Eu acreditava firmemente que se podia depender externamente e ser livre internamente. Ninguém jamais havia me tratado daquele modo. Aquela resposta inesperada encarcerou-me no estado de impotência.

Sentia um opressivo sentimento de culpa. Queria me esconder. O Dreamer permaneceu calado. Por aquela garganta imaginei passar um exército de milhares de seres subjugados, derrotados, como os romanos em Sâmnio, submetidos às forças caudinas. O Dreamer continuava silencioso. De repente, o sentimento de ofensa, de injustiça, que havia invadido cada parte do meu ser, desapareceu, e minhas defesas dobraram-se àquele decisivo golpe de aríete. Senti ruírem as antigas bases sobre as quais eu apoiava minha existência.

As convicções mais radicais, como templos abalados em seus alicerces, estavam caindo. Compreendi a falsidade de minha dignidade ofendida e a insignificância daquele eu que, como um ganido ao Universo, tinha pronunciado diante do Dreamer.

Sem me dar conta, eu estava sendo engolido pela areia movediça da autopiedade. Sou uma mulher Fiquei estupefato. Aquela voz O pensamento caiu em um precipício Cabeça baixa, paralisei. Um olho impiedoso, imenso como todo o horizonte, abria-se sobre meu passado. Era Luisa quem me falava, encontrando-me além do tempo, além dos confins da vida, com sua indefesa docilidade. As terríveis circunstâncias de sua morte, aos vinte e sete anos, estavam agora se manifestando à consciência. Uma vergonha imensa, quase repulsa, inundou minha alma.

Tentei distanciar-me do homem que eu tinha sido. Aquelas ideias, jamais ouvidas antes, estavam me destroçando. Em seguida, um rio caudaloso derrubou cada barreira e inundou meu ser, arrastando consigo as recordações, os amigos, as minhas convicções mais radicais. Vencer, vencer E agora teria de renegar, anular tudo isso? Parecia-me injusto que o Dreamer condenasse meus esforços. Veio-me imediatamente a imagem dos selvagens de Bornéo secando as cabeças de seus inimigos para lhes exorcizar a força.

Senti ternura, um estado de profunda tristeza e, junto, a autoridade de quem sabe. Entrei em estado de alerta, de angustiante vigilância. Um abismo imenso e sem fim abriu-se diante de mim, pronto a me engolir. As luzes do mundo empalideceram, quase se apagando. Encontrava- me no limite de um limbo. Deixei-me levar, entregando-me a um torpor irresistível. Na mesma velocidade, móveis, livros e objetos refletiam o sofrimento de uma vida insignificante e sem alegria.

Senti o esforço terrível para existir, a impossibilidade de mudar. Um espasmo juntou-se ao pensamento de encontrar as crianças e ver nos olhos delas a mesma morte que impregnava cada coisa à volta. Temia que pudesse perder as forças e desaparecer com todo o resto. Trabalhei por horas para transcrever tudo quanto havia acontecido no encontro com o Dreamer e tudo o que havia ouvido Dele naquela casa misteriosa, no cômodo de pavimento branco.

Aquele ser era agora parte da minha vida. Reproduzi fielmente Suas palavras e cada detalhe daquele encontro. Bastava fechar ligeiramente os olhos para ver aflorar na memória cada particularidade com absoluta nitidez. Nas semanas seguintes, li e reli escrupulosamente as anotações em busca de qualquer pista que pudesse reconduzir-me a Ele e ao Seu mundo.

Do terraço do Café de la France eu observava os turistas ocidentais entrarem no souk. Havia três dias que eu retornava àquele café circundado pela vida frenética de Marraquesh.

Fazia-me companhia um casal de camaleões comprado assim que cheguei. Depois, retornava à minha mesa.

Começava a me desencorajar! Depois de haver recebido uma mensagem Sua, hesitei muito antes de partir. Decidi partir. Esse Dreamer me parece uma ótima pessoa. Sempre fez parte da família e ajudou Carmela no trabalho de parto quando nasci. Com ela, dei meus primeiros passos, com ela ao lado enfrentei os primeiros dias de escola. Com Giuseppona sentia-as ainda vivas e palpitantes; debaixo de remendos e trapos, eu via filtrarem-se lampejos de ouro e sedas preciosas.

Na adolescência, foi minha confidente em todas as questões de amor.

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Adorou Luisa desde o primeiro dia, e, quando nos casamos e tivemos a primeira menina, ela veio morar conosco. Era lenta, pesada, mas onde quer que chegasse colocava ordem. Com ela nunca faltava nada. Sua capacidade de julgamento, a mesma a que recorri em tantos momentos da vida, era uma mistura incomum e sempre nova de bom senso e sabedoria popular.

Sua presença trouxe alegria e bom humor em todos os lugares que me acompanhou, em qualquer parte do mundo, e foi uma referência constante por toda a minha vida. Passei as longas horas de espera vagando pela cidade em busca de qualquer indício.

O interior da loja era surpreendentemente espaçoso. Assistido por duas auxiliares, eu o desafiei a encontrar alguma coisa que me pudesse interessar.

Desenrolou centenas de tapetes e lustrou na própria manga, antes que eu os examinasse, uma montanha de objetos de cobre e de prata. Sobre a tampa da caixa, gravadas em caracteres góticos, liam-se as palavras: Visibilia ex Invisibilibus. Tudo aquilo que vemos e tocamos nasce do invisível.

Mudar o passado Do souk retornei ao terraço do Café de la France para pegar meus pequenos companheiros verdes e escamosos. Ali, apoiado no parapeito, refletia sobre o que havia acontecido. A primeira regra para enfrentar o deserto é viajar com pouca carga, alguém às minhas costas disse. Sobressaltei-me ao som daquela voz. O Dreamer sorria. Sua aparência era a de um rico aristocrata viajante de outros tempos. Seu passado é um castigo de Deus! E parou. Particularmente longa, aquela pausa foi como se, para poder ir além, esperasse um sinal que tardava a aparecer.

Eu teria colocado uma barreira protetora diante da força explosiva daquelas palavras que me perseguiam sem um minuto de trégua. Um fulminante sentimento de ofensa surgiu como um reflexo psicológico condicionado que invadiu cada parte do meu ser. Do mesmo jeito que apareceu, foi-se, como um resmungo. O Dreamer ocupava uma das mesinhas do café. Com um aceno, indicou-me um lugar ao Seu lado. Tudo indicava que estava por se abrir um novo e importante capítulo do meu aprendizado.

Senti-me bem com aquele gesto. Papel e caneta queriam dizer re-cordar, recuperar, recolher partes de mim dispersas pelo mundo quando longe Dele. Escrever diante Dele, anotar cada coisa que dissesse, significava entrar na ponta dos pés em zonas inacessíveis do ser.

Voltou os olhos para se certificar de que eu estava mesmo sendo fiel nas minhas anotações. Significa lavar e curar as feridas ainda abertas Assumindo uma postura teatralmente circunspecta e abaixando a voz como quem conta um segredo, confidenciou: Perdoar-se dentro tem o poder de transformar o passado com toda a sua carga. Infinitas vezes remexi no meu íntimo esse conhecimento de significado incompreensível.

Uma só realidade. Falou-me de um tempo vertical, de um corpo-tempo que comprime passado e futuro em um só instante. Um tempo sem tempo, cuja porta de entrada é o instante agora. Penetrar nesse corpo-tempo significa poder mudar o passado e desenhar um novo destino. Desejei que aquela aventura começasse imediatamente Mas meu ímpeto nem teve tempo de se manifestar, contido que fui pela Sua severidade: Para homens como você é impossível perdoar-se dentro.

Remotamente, isso me fez pensar em alguns experimentos de psicologia aplicados a empresas que conheci quando ainda estudava na London Business School. A tarefa de um administrador móvel consistia exatamente em circular, fazer sentir a sua presença em todos os cantos da empresa, mesmo os mais distantes.

Fitou-me intensa e demoradamente. Minha presteza deixou-O reflexivo. Lentamente, assumiu uma de Suas posturas originais. Apoiou o queixo sobre a concavidade do polegar, mantendo a cabeça ligeiramente inclinada.

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Tudo dependia de mim. Permanecemos em silêncio por um longo tempo. A bordo, apenas nós Foram as advertências que pude ouvir. Sentia com dificuldade aquilo que o Dreamer me dizia, como se Sua voz fosse, em alguns momentos, encoberta pelo ruído de motores invisíveis.

O Universo parou, a fita do tempo retornou, nada no mundo pareceu mais importante do que aquela nossa viagem em sentido reverso na minha consciência e no meu passado. Embora no tempo linear tenham se passado apenas poucos anos dos fatos que eu estava reexaminando junto ao Dreamer, aquela parte da minha vida pareceu-me incrivelmente remota.

Um melanoma havia aberto uma cavidade em uma de suas pernas, como um buraco na areia que uma criança faz brincando na praia.

Os contornos do mundo fizeram-se ainda mais confusos, como se eu visse através dos olhos surrados de um pugilista.

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Por meses conheci apenas rancor: um ressentimento surdo entre a raiva e o medo. Criminosa cumplicidade de pensamentos e emoções Fragmento imprevisível e danoso do ser Uma lâmina de luz transpassa o escuro da minha existência. Uma fresta Voo ao seu encontro, aproxima-se, avulta, o planeta opaco dos meus anos passados Sem espaço, sem passagem Um canal me engole O quarto de um hospital de província Uma figura prostrada ajoelhada diante de um ser estendido, imóvel Essa era a cena que eu observava com o Dreamer.

Pelos olhos do Dreamer, como sob o efeito de um alucinógeno, eu via além das aparências o grumo de egoísmo e medo a que aquele homem se reduzira.

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Cada detalhe revelava o descuido, o abandono, o ranço da vida daquele ser. Queria fazer alguma coisa àquele homem que eu havia sido, advertindo-o de nossa presença.

Queria entrar naquele ser para pôr ordem às coisas, infundir-lhe um pouco de dignidade, fazer que ele endireitasse as costas curvas, desmanchar aquele semblante de dor do seu rosto Eu estava atônito, incapaz de acreditar em tamanha monstruosidade.

Ao lado do corpo de minha mulher, outros jaziam imóveis. Nenhum era jovem como Luisa. Como poderia aceitar ser o idealizador, o diretor daquele filme de horror que eu chamava de minha vida?

Vi-me violento, enraivecido, como se alguém estivesse arrancando de golpe o que eu tinha de mais valioso. Algo lacerou meu ser. Um grito mudo ecoou dentro de mim e permaneceu de fundo como um resmungo de rancor. Enquanto as palavras do Dreamer tornavam-se reais, naquele quarto decorado para o luto, com outros leitos circundados por velas, a morte de Luisa parecia irreal, como a cena de uma missa macabra.

O que faço aqui? Estava repreendendo-me. Esperei alguns segundos e depois fiz sinal ao Dreamer de que estava pronto para prosseguir.

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Naqueles meses, com os colegas, eu havia estabelecido uma espécie de simbiose emocional, que combinava a minha atitude de autopiedade com a solidariedade barata deles. Tratavam-me com a gentileza ou solicitude que se dedica a um doente, a um ferido, a um derrotado. Vi todo o horror daquela barganha e senti um profundo desconforto. De qualquer parte que observasse, meu passado era tecido de sombras.

Eu me agitava como um desesperado no local de um desastre, tentando recuperar alguma coisa: uma pessoa querida, um relacionamento, qualquer coisa que tivesse utilidade ou valor.

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Até que vi Aquela presença escura que sempre me seguiu na escolha de cada nova casa, em cada mudança. Alguma coisa dentro se quebrou. Tive a certeza de que eu nunca mais seria como antes. Pelo tempo infinito em que experimentei aquele vazio, aquela ausência, deixei de existir.

Novas imagens do meu passado começaram a se movimentar como em uma moviola. Ao pôr do sol, as sombras dos pinheiros apoderavam-se da velha casa insinuando-se como presenças sutis nas partes mais profundas do ser. Reconheci o vento que se precipitava colina abaixo, encontrando impulso exatamente naquele ponto.

Igualmente inesperado foi o encontro com a escadaria de pedra e terracota. Preparando-me para subir, voltei o olhar para o fundo do jardim, além da casa. Pus-me a observar as janelas iluminadas daquela pequena casa. As recordações fluíram e aglomeraram-se na minha mente. Apenas alguns anos mais velha que eu, alta, atraente, Judith era uma pessoa reservada.

Certifiquei-me de que o Dreamer estivesse ainda ao meu lado e me aproximei de uma janela da pequena sala de visitas. Sentia o ser sobressaltado como quando, à noite, eu a procurava e sobre seu corpo descarregava meu medo, a incapacidade de suportar aquilo que estava me acontecendo. Podia agora sentir todo o horror dos pensamentos daquele homem, o odor nauseante de suas intenções.

Pela primeira vez eu via com clareza qual luta me lacerava as vísceras: o embate entre a dor por aquela morte anunciada e a alegria secreta e selvagem por me libertar da minha mulher, do peso daquele matrimônio imaturo, desequilibrado.

A cortina da falsidade se levantou. Uma força irresistível me impediu de fugir e me deteve imóvel diante da janela de Judith. Revi a cena do nosso encontro. Nosso ato se consumava em orgasmos insignificantes como espirros. Luisa estava em casa, a poucos metros de nós, separada só pelo jardim. Resisti a me reconhecer como capaz de qualquer baixeza, ainda que fosse para salvar a mim mesmo. Assim, cruelmente, estavam se cauterizando as feridas ainda abertas do meu passado.

E assim, lacrada dentro de um vidro e etiquetada com esse rótulo, eu a exilei entre as recordações do passado. Somente agora, pelos olhos do Dreamer, via o que de fato Judith tinha representado para mim.

Judith era melhor que eu. Havia visto claramente quem eu era! Havia me reconhecido como um portador da morte! Mas resplandecia. Dirigi-me ao Dreamer. As pernas me falhavam. Um pensamento absurdo, uma cunha de desvario estava se inserindo em uma fresta da minha racionalidade.

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Eu a sentia comprimir-me. Penetrava lentamente, inexoravelmente em um ponto recluso da consciência. O pensamento voou em movimento turbilhonar sobre aquela voragem e nela se precipitou. Um lado duro do meu ser enterneceu e ruiu. Chorei como uma criança. Obrigado, Luisa! Continuamos a viagem ao passado. Experimentei aquele sofrimento que se fazia mais agudo cada vez que se aproximava uma partida. Penetrava penosamente nas linhas da história de cada um, nas palavras de suas expressões, nos matizes de seus sofrimentos.

Era invadido pelo medo de um dia ter de me sujeitar ao mesmo destino. Apressadamente cumprido o ritual de cônjuge condoído, uma vez amortecidos meus sentimentos de culpa — achando alguém da equipe médica, pedindo notícias e mostrando-me preocupado — rapidamente tratava de encontrar um pretexto qualquer e escapava. Naquela bolha psicológica encontrava ar, como uma enguia em seu muco.

Somente o pensamento em Luisa, a cada tanto, irrompia sem prévio aviso e distraía minha embriaguez. Com o Dreamer aproximei-me do leito de Luisa. Tinha os olhos fechados. Estava só. O Dreamer escolheu um dia em que eu estava trabalhando ou vagando pela cidade, fugindo de mim mesmo. O respiro afanoso de Luisa alçava a delicada coberta em um ritmo impressionante, inumano. Um sinal do Dreamer encorajou-me a me avizinhar.

Desloquei com cuidado uma cadeira ao lado do criado-mudo de metal e ali fiquei por muito tempo observando-a. Mechas de cabelo banhadas de suor caíam-lhe sobre a testa e na parte do rosto mantida fora do lençol.

Os meses e os dias do nosso breve casamento passaram diante de mim, vividamente, com toda a carga dos fatos, das lembranças. Nosso primeiro apartamento. As histórias que eu lhe contava na volta do trabalho e o orgulho, que eu lia nos seus olhos, dos meus primeiros sucessos.

O nascimento de Giorgia. O nascimento de Luca. E depois a doença. Éramos dois fracos agarrados um ao outro, dois incompletos que tinham se iludido de poder fazer uma unidade.

Falei-lhe da vida, da beleza, da felicidade. Ainda assim me regozijava. Sentia-me apaixonado, arrebatado, como nunca antes. Até aquele dia, hipnotizado por atos e ilusórias ocupações, eu tinha enfrentado com puro sofrimento o tempo transcorrido ao lado de Luisa. Aquela espera sem passado nem futuro, aquele tempo sem acontecimentos, a imobilidade, o silêncio e a calma que governavam aquele mundo me enchiam de assombro.

Comovi-me e liberei-me. Era a minha morte. A morte que eu sempre trouxe dentro. Em troca, eu a havia maculado de malevolência e acusações. Semana após semana havia vivido com aqueles seres agarrados, como ela, a um fio de vida, sem compreender o que me davam.

Conter aquele mundo — que revelava a morte que eu carregava em mim —, assumir a responsabilidade por ele faziam parte daquele processo, nem ao menos ainda iniciado, que o Dreamer chamava de perdoar-se dentro. Era noite. Alas e corredores silenciosos no hospital. Havia uma coisa ainda a fazer! Puxei o lençol e a descobri. Sob a camisola o corpo mostrava tumefações enormes.

Examinei a ferida escura e profunda como um ninho. Repus-lhe a coberta e a beijei. Quando abri os olhos, estava no meu quarto de hotel em Marraquesh. Naquele mesmo dia organizei minha viagem de retorno a Nova York.

Algo de miraculoso envolvia ainda a lembrança de cada instante vivido com Ele, do encontro no Café de la France à viagem ao meu atormentado passado, até a noite transcorrida com Luisa. Somente um ou outro fragmento da minha vida continuava preso ao ser.

Um em particular, um só eu ainda segurava com força. O Dreamer ocupava uma das mesinhas. Em torno Dele, um pequeno agrupamento de garçons, todos reverentemente atentos a escutar Suas recomendações.

Uma aura de prosperidade constantemente O circundava. Buscava o refinamento em cada detalhe e amava a fartura, embora cada atitude Sua fosse marcada pela sobriedade de um guerreiro macedônio. Sua dieta ia, portanto, bem além da frugalidade. Parecia feliz em rever-me. Com um leve aceno de cabeça, cumpriu a dupla tarefa de me saudar e convidar-me a sentar. Era a primeira vez que O via depois do nosso encontro em Marraquesh.

Havia esperado impacientemente por esse momento. Agora, na Sua presença, milhares de perguntas me assaltavam a mente, algumas delas ecoavam havia séculos, atravessando a história do mundo sem encontrar resposta.

Quase nem tocou a comida. Parecia alimentar-se das impressões que colhia, da harmonia e do ritmo de cada pequeno movimento. Esperei com impaciência que Ele começasse a falar. Parecia-me ouvi-la pela primeira vez. A Escola é a viagem de retorno. O brilho dos seus olhos escuros revelavam uma alegria secreta.

Um mecanismo recluso foi acionado. Senti fisicamente o disparo mecânico de uma engrenagem começando a funcionar. Com a dor lancinante de um remorso, percebi a imoralidade de ter vivido anos e anos fora de casa e, ao mesmo tempo, deliciei-me com o prazer de viver o milagre de estar diante de algo, de alguém que eu tinha desesperadamente procurado. A maravilha daquilo que eu ouvia só foi superada por outra ainda maior, quando disse: O verdadeiro criador da realidade que o circunda é você!

Você apenas se esqueceu. Um traço de hostilidade na minha voz indicava a distância que se estava criando entre nós. Os primeiros, guiados pelo Fato,6 eram destinados a uma grande aventura individual; os outros, condenados a uma existência insignificante, eram governados pelas leis do acaso e da acidentalidade.

Iluminou-me o pensamento que os grandes mitos, das épocas mais remotas, na realidade narravam as ações de homens que haviam encontrado a Escola. Suas façanhas, as lutas contra monstros e gigantes, cantadas por bardos errantes, eram etapas da viagem de retorno, uma viagem pelos próprios processos psíquicos, nos meandros mais escuros e secretos do ser.

Seu movimento tirou-me bruscamente do esforço de entrar em acordo com aquelas novas ideias. Eu tinha um nó no estômago. Queria despejar aquele vinho novo, exuberante e incapaz de ser contido nos odres velhos das minhas convicções. Queria restringir aquele oceano aos limites de uma racionalidade que estava se despedaçando e sucumbindo aos Seus golpes.

Perdia-me em intelectualismos vazios para esconder de mim mesmo a evidência do Seu ensinamento, que penetrava sempre mais profundamente, como uma ameaça perigosa e fatal ao antigo equilíbrio.

Eu deixava com pesar aquela esquina tranquila em que o ar ainda vibrava com Seus ensinamentos. Cada detalhe daquele encontro ficaria para sempre gravado nas minhas células, inclusive as mesinhas finamente preparadas, o movimento dos garçons, e até mesmo os folheados de arroz recém-saídos do forno. Atravessei com Ele a praça e O segui até uma igreja. Transpondo a nave principal e o altar, alcançamos a pequena capela. Na penumbra, consegui ver dois grandes quadros, um diante do outro.

Olhei em volta. Uma forte luz incidiu sobre as duas obras. Segui Suas indicações e examinei atentamente aquelas duas obras-primas. O quadro à esquerda representava Pedro crucificado de cabeça para baixo; o outro, a queda de Paulo na estrada de Damasco. Fez uma longa pausa antes de, sibilino, anunciar que era tempo de voltar a escutar Sua voz. Eu estava atônito. Seu tom tornou-se imperativo: Procure aquele manuscrito.

Provei um gosto de reconhecimento. Um grande sim, solene como um juramento, irrompeu do meu peito. Dedicar-me-ia àquela pesquisa com todas as minhas forças. O Dreamer percebeu que eu estava perdendo o foco, querendo tomar velhos caminhos, recaindo no clichê melancólico de pesquisador improdutivo. O verdadeiro conhecimento pode ser apenas recordado O antigo mosaico do pavimento dilatou-se e a distância entre nós começou a aumentar, de início imperceptivelmente, depois a olhos vistos.

Reconheci- as. Era um sistema de medida universal, perfeito. Senti a embriaguez da invulnerabilidade, da impecabilidade do Dreamer. Nada podia violar, corromper aquela integridade.