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MUSICA DE LIMAO COM MEL TENTEI TE ESQUECER BAIXAR


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Fernando sorriu diante do espelho. Gostava de seu rosto. Franziu o cenho, elevou mais o queixo. Dirigiu-se, pela porta interna, à sala de despachos.

Raposo levantou-se ao ver o governador. Fernando cumprimentou-o amigavelmente e fez um gesto apontando a poltrona. Frei Francisco costuma fazer as coisas como as serpentes, sorrateira e sinuosamente. O mordomo Guedes ouvia atentamente à conversa, enquanto organizava papéis sobre a mesa.

Fernando respirou fundo. Desde que iniciara seu governo recebia apenas notícias desalentadoras. O rosto do governador contraiu-se. Mas agora a coisa é diferente. Apodera-se das mentes dos incautos e domina outras prometendo selvagerias. Os paulistas refugiaram-se na casa de um ferreiro.

A chusma enfurecida ateara fogo à casa obrigando os paulistas a saírem, sufocados pela fumaça e com as roupas ardendo. Uma saraivada de tiros de clavina os esperava à porta. Isso é impossível. Disse-me que sofreu ameaça por parte de um português que faz contrabando de escravos. O reinol escondeu um comboio de vinte negros dentro de sua própria casa, à vista de todos.

Borba Gato escapou porque foi avisado. Viana juntou um arsenal que daria para prover um grande exército. Prenuncia-se ali o fim da sociedade humana. Quero que me mantenhais a par de tudo. Mas, ao final, dais as ordens, sois o governador. Maior que o de todos os exércitos. Abriu a caixa e tirou o quadro. Raposo ajoelhou-se ante a imagem do rei, surpreendido, quase sem fôlego.

Levareis o rei convosco. O superintendente chamou os soldados da ordenança, para ajudarem-no a levar a caixa. O paulista voltou-se. Viajo com homens da minha confiança. Eles têm olhos no rabo e ouvidos nos chifres. Mergulhado em preocupações, Raposo caminhou pelo corredor. Percebeu a presença do sujeito, conhecia-o das Minas, era um bandido afamado que andava a serviço de frei Francisco.

Vacilou por um instante, mas decidiu prosseguir passando à retaguarda da ordenança, que levava a caixa real. Montou seu cavalo e partiu, com os soldados, o grosso deles a pé. Ostentando um estandarte com as insígnias do governo, dobraram a rua Diogo de Brito. Voltou-se, ao perceber a chegada dos homens. Salvador mandou o mordomo trancar a porta.

Moedas de ouro tilintaram. Salvador abriu o saco. Mordeu as moedas, contando-as. Lourenço esperou. Tinha nojo de traidores, de ricos, de fidalguetes pintados. Salvador guardou o ouro num cofre. Lourenço ouvia, soturno. Sabes o que é ressarcir? Indenizar, compensar, reparar. Lourenço sentiu vontade de enfiar sua faca na barriga daquele homem.

Salvador abaixou ainda mais o tom de voz. É certo.

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Frei Francisco sabe de quem se trata. Senhor Albuquerque. Sodoma imundo, pensou Lourenço. Achegou-se ao ouvido de Lourenço, que recuou enojado. Efígie, entendeste? Fez um sinal para o mordomo. Guedes abriu a porta e espiou o corredor. À esquerda viam-se, às vezes, pedaços da baía azulíssima e à direita colinas e quintas floridas.

A traquitana cruzava com viajantes a pé, a cavalo, com negros cargueiros, recuas, rebanhos de bois e varas de porcos. Aos poucos as casas foram ficando mais modestas e raras. Mariana jogou-lhes vinténs, Aurora acenou-lhes com um lenço branco.

Cachorros magros acompanhavam-nas em alguns trechos, latindo junto às patas dos cavalos ou às rodas, mostrando os dentes. A traquitana sacolejava nos buracos, o cocheiro fustigava os animais para que fossem mais depressa. Ali a estrada se bifurcava. Entraram à direita, passaram pela frente de casas cobertas por telhados de barro, às margens do rio Comprido, um córrego reduzido que transbordava nos dias de muita chuva.

No quintal da Boa Vista pararam um pouco a fim de olhar o Rio de Janeiro entre as montanhas e o mar. Vista assim, de longe, parecia uma cidade limpa, inocente, em estado de graça, sem seus moradores, seus pecados, suas intrigas. Sua casa lhe trazia recordações sangrentas. Ali ela matara seu marido com um tiro. Por que nunca o fizera? Naquela casa Mariana vagara de aposento em aposento, marcando, sem perceber, todas as coisas com sua presença.

Os talheres, as cadeiras, os bancos deformaram-se após anos de uso. No teto apainelado em alforje suas fantasias foram sonhadas. Seus gemidos ecoaram sob o dossel da cama. Seus travesseiros guardavam o calor dos beijos secretos em amantes fictícios. As bacias de ferro estanhado tinham refletido as mais misteriosas partes de seu corpo. Mariana imaginou-se o alicerce da casa; tudo poderia ruir na sua ausência.

Durante esse percurso, Aurora insistia em conversar com Valentim, mas ele respondia com poucas palavras. Muitos homens acreditavam ser pecado manter conversações com mulheres. E talvez fosse, mesmo. Cavalos, mulas e bois pastavam. Mariana foi até a capela, onde noviços cantavam. Ajoelhada, rezou pedindo a Deus que a protegesse.

À saída Valentim a esperava. Pendurou a espingarda no ombro. Indicou o caminho, como se encerrando a conversa. Prosseguiram a viagem. Pela vereda deserta, na noite de lua crescente, os viajantes avançavam rente ao mar e podiam sentir a brisa marinha umedecendo-lhes a pele, o cheiro de sal; ouviam o quebrar das ondas. As salvaguardas acenderam tochas que iluminavam os arbustos, transformando-os em avermelhadas imagens retorcidas.

Repentinamente um fio de luzeiros acendeu-se bem perto. Era Sepetiba. À porta de uma taverna, Valentim conversou com um português velho de orelhas cabeludas. Pagou adiantado a hospedagem e, após verificar o interior da tasca, fez sinal para que Mariana entrasse. A casa, cercada de horta e bananeiras carregadas de grandes cachos de frutos amarelos, era feita de esteios de madeira e paredes de barro.

A porta baixa obrigava os viajantes a se curvarem ao entrar. Dois gaios de penas escuras, com as pernas amarradas, esperavam pacientemente a morte, com seus olhos opacos. Um deles agitou as asas, emitiu ruídos; em seguida aquietou-se.

Mariana fez o sinal-da-cruz. Meio escondida por uma pilha de pratos, uma negra escolhia de uma gamela mariscos e calamares frescos, lavava-os em outra e jogava-os numa palangana.

Ao lado, um gato cheirava um grande peixe e passava de leve a pata, tentando arrancar as escamas com as unhas. Ao fundo, um corredor dava acesso aos quartos.

Ao lado, uma portinhola fechada. Mariana abriu-a, atraída por risadas femininas.

No mar prateado duas mulheres se banhavam enroladas em panos brancos. Um vulto passou, carregando um imenso feixe de lenha na cabeça. Ao jantar Mariana escolheu um lugar à mesa, perto da janela; estrelas brilhavam intensamente no céu.

Entrava uma brisa perfumada de capim que se misturava ao cheiro da comida. As peles fediam demais para servirem de cobertas, ou tapetes, ou o que fosse. Porém Mariana comprou algumas, livrando-se do sujeito. O taverneiro circulava, com um asado castiço. Ele parece mais um açougueiro, mas vossenhora, vê-se que é fidalga. Aqui as damas andam com escoltas montadas. Valentim apareceu à porta. Perscrutou atentamente todas as pessoas, antes de sentar-se à frente de Mariana.

Mariana, irritada, escolheu uns vegetais, que colocou em pequenas quantidades no prato. É verdade? Ele tomou mais um gole do vinho vermelho. Valentim observou um par de viajantes que entrava na taverna. Mariana olhou em torno. Os viajantes conversavam em voz baixa, a um canto da sala.

Valentim bebeu o resto do vinho. Serviu-se novamente. Mariana empurrou o prato. Ele arrependeu-se de sua rudeza. É vosso pai. Valentim tinha bebido, a essas alturas, boas quantidades de vinho. A velhice chegava rapidamente, sem que ele percebesse.

Pesava-lhe a responsabilidade de suas funções nas Minas. Durante um tempo conseguira controlar e acalmar as coisas em Rio das Mortes, mas as outras regiões sempre estiveram fora de seu alcance. A ameaçadora imagem da guerra rondava sua mente. Tinha amigos entre os forasteiros e os paulistas. Mas inimigos também. O retrato do rei ia acabar com aquela arrogância, ia pacificar as almas.

Raposo sentiu-se fortalecido por novas esperanças. Sentia saudades de sua mulher, que ele chamava carinhosamente de Tuiui. Conviviam com toda espécie de gente. O que estava preparando como futuro para aqueles jovens? O segundo sonhava apenas com ouro. O terceiro apreciava demasiadamente as armas de fogo, podia ser soldado. Jesuíta, nunca. Os padres da Companhia de Jesus eram bastante hipócritas.

As meninas faziam-lhe muitos agrados. Sabia falar o português e conhecia algumas letras. Como aprendera, a esperta? Gostava de enfeitar-se e piscar languidamente os longos cílios pretos. Merecia um bom casamento. Mas com quem? Conseguira amealhar uma boa fortuna. Mas se eclodisse uma guerra perderia tudo. Nas Minas, havia sempre a sombria perspectiva de uma desgraça rondando. Porém Raposo angustiava-se quando pensava em mandar Tuiui e os filhos de volta para a antiga casa na passagem de Pinheiros.

As mulheres eram engraçadas. Fernando de Lancastre era um sujeito desusado. Por que ficava do lado dos paulistas se era um reinol? Por que agenciava para si a animosidade dos seus? Eram amigos e o governador sempre o recebera com simpatia, nunca lhe negara nada que estivesse a seu alcance, nem traíra sua confiança.

De onde vinham suas suspeitas? Que Deus o perdoasse pela injustiça que cometia com seus sentimentos.

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Por que cruzava os braços? A primeira era lutar contra ela, arrancar de dentro e de perto de si toda sujidade, a qualquer suspeita. Era impossível governar. Raposo conhecia bem esse mundo dos poderosos. Mesmo um mero regente tinha seu império. Afastava servidores acanalhados, prendia traidores e gente metida em suborno. Assim era o mundo. Raposo olhou as montanhas ao longe. Fechou o casaco. Frei Francisco deitou-se. Vosso criado pode entrar? Lourenço entrou, sem tirar o chapéu.

Ele mandou uns recados. Frei Francisco levantou-se da cama, agoniado. A ida da efígie de sua majestade para os paulistas, entretanto, era uma surpreendente e terrível notícia.

Depois recuou, abismado. Deu dinheiro a Lourenço. Lourenço fechou a cortina da porta, de uma chita grossa vermelha, e saiu.

Foi à janela. Podia voltar para Portugal; mas com que finalidade? Nas Minas, sentia-se em seu mundo. Era atraído pela altura das montanhas. Ao receber a coroa sobre a cabeça, pensara ser o símbolo da humanidade redimida pela graça. Queria ser bispo, quem sabe arcebispo, cardeal, ou até mesmo o papa.

Uma ânsia tomou-lhe o peito. Estava em perigo. Sabia que perdera muito de seu poder. Os paulistas da nascente de Rio das Velhas mantinham homens armados nos caminhos e diante dos açougues a fim de impedirem a entrada e a venda da carne que o frei trazia da Bahia. Isso a mando de Borba Gato, o cobiçoso provedor dos quintos e das trilhas.

Borba Gato queria adquirir fama de justo, e perseguia o contrabando. Por outro lado, enchia as algibeiras distribuindo as melhores datas para si mesmo e para seus amigos. Borba Gato agora tinha tudo. O frei Firmo, que sublocava os açougues de Rio das Velhas, talvez pudesse unir-se a ele. Mas era um homem aleivoso, capaz de cometer qualquer deslealdade em holocaustos a Baal.

Os paulistas ameaçavam-no a cada dia com mais violência. E agora tramavam contra ele o golpe final. Mas qualquer um seria melhor que Fernando de Lancastre. Um reinol que apoiava os paulistas era inadmissível. O rei iria saber disso. Por que enviara sua graça em efígie aos paulistas? Certamente era mal informado por seus ministros. Frei Francisco escrevera uma carta a sua majestade, relatando os fatos.

Se o navio da frota chegasse a salvo em Lisboa, as coisas nas Minas iam mudar dentro de pouco tempo. Narcejas, colhereiros, garças cruzavam o céu; caçadores carregavam fieiras de patos e gansos bravos. Raposo comprou alguns para alimentar seus homens. Um veleiro e pequenas canoas navegavam diante do escolho com plantas rasteiras em algumas partes e descoberto em outras, franjado de uma areia alva e fina.

As ondas batiam no lado escarpado da Marambaia, fazendo espuma. Do lado de dentro enxames de moluscos de concha e calhandras povoavam as pedras.

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Raposo parou para urinar. Seus homens foram fazer o mesmo, do outro lado da trilha. Descansaram uns instantes, conversando. Tudo estava em ordem. Subitamente um grupo de homens mascarados surgiu na trilha, com armas apontadas. Os soldados dispararam as armas. A tropa de ordenança acabou por dominar os atacantes, matando-os. Os cavalos relinchavam, ariscos. A fumaça da pólvora queimada pairava no ar.

Vamos procurar alguém que possa vir aqui fazer o serviço. Colocaram os corpos perfilados sobre uma relva e seguiram pela trilha. Forrou o catre de sua senhora e colocou travesseiros encostados à cabeceira. Deitou-se numa esteira, ao lado, e em poucos instantes adormeceu. Deitada, Mariana fechou os olhos, mas logo ouviu passos na sala e entreabriu a porta. Valentim, à mesa, escrevia num livro; seu perfil, iluminado pela luz trêmula de uma vela, projetava-se na parede; uma mecha de cabelo lhe caía na testa.

O couro do catre rangia aos seus movimentos. Aurora ressonava, sem se mover. Mariana invejava-a; jamais conseguia dormir profundamente como sua criada de quarto, passava as noites acordada fazendo-se perguntas sem respostas.

Quando alguém bateu impacientemente à porta da venda, Valentim sacou sua arma, uma pistola antiga de tarraxa, que mantinha sempre com uma bala e uma carga de pólvora renovada na culatra. Raposo, à frente de seus soldados, com o ombro ensangüentado, pediu hospedagem.

Os dois paulistas cumprimentaram-se calorosamente. O taverneiro puxou uma cadeira para que o potentado se acomodasse. Valentim rasgou a camisa de Raposo, descobrindo o ferimento.

Com uma toalha molhada limpou o sangue. Num gesto preciso, deu um corte no ombro de Raposo, meteu a torquês na carne e retirou a bala.

Raposo, com o rosto contraído, gritou. Quero autoridade legal. Falou sobre Mariana. Raposo sorriu, zombeteiro. Tampouco sei perguntar- lhe o que desejo saber. As mulheres sentem-se infelizes ao meu lado. A comida foi posta à mesa.

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Valentim lavou o rosto e foi ao quarto que Raposo ocupava. Valentim percebeu olheiras no rosto de Raposo. Algo mandado pelo governador. E por causa disso fui assaltado.

Nenhum bando de salteadores de estrada teria coragem de investir contra um corpo de ordenanças, portador de estandarte do governo. Creio, mesmo, saber quem ordenou o ataque. Frei Francisco estava no Rio de Janeiro, deve andar pela trilha neste momento. Vi aquele criado asqueroso dele, o Lourenço, à porta da casa do governador; ele me avistou saindo com a caixa do retrato. Sou dos mais visados entre os paulistas. Seria melhor procurarmos alguém insuspeito, uma pessoa de confiança.

Podemos colocar a caixa com o retrato entre as bagagens de dona Mariana. Eu prossigo viagem com meus homens, levando o cofre, vazio, para enganar nossos inimigos. É preciso fazer isso. Preciso da tua ajuda. As mulheres têm a boca cheia de línguas. Valentim fez sinal para que Aurora saísse. Mariana ficou hesitante. Valentim saiu do quarto. Logo retornou, com Raposo, trazendo uma caixa rasa retangular.

Apresentou a fidalga ao regente. Tremeu levemente ao perceber que era a mesma que vira na sala de Fernando. Ali dentro estava o retrato do rei! Teve um impulso de ajoelhar-se, mas se conteve. Diversas naus se movimentavam, embarcando e desembarcando gente e bagagens. Raposo providenciava o seguimento da sua viagem. Valentim nunca vira uma mulher como Mariana. Conhecera muitas mulheres, e o que sabia delas? Quase nada. Numa hora estavam felizes e logo desandavam a chorar.

Era de Mariana, que se aproximara. No mar, o barco que levava o regente e o corpo de ordenança afastava-se, com as velas enfunadas. Só quando era menino. Tinha escravaria índia, e aprendeu. Mariana esperou que ele lhe falasse sobre sua vida, mas Valentim ficou calado. Numa ferraria de ambulantes, perto da areia da praia, um artífice batia com um martelo numa peça incandescente. Um velho de braços longos mexia na fornalha.

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Frei Francisco entrou na tenda e mandou que verificassem as ferraduras de seu cavalo. Encontraram algo numa das arcas e levaram o homem preso. Os que iam embarcar foram se acercando.

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Entre eles, uma mulher de pescoço emproado, alva e requintada. Frei Francisco teve um sobressalto ao reconhecer o homem que acompanhava a fidalga. A chegada de Lourenço interrompeu os devaneios do padre. Lourenço relatou o fracasso da investida. Frei Francisco, furioso, agitou o pé nervosamente. Agora seria mais difícil tomar-lhe o retrato, ele certamente estaria de sobreaviso. Sozinho, ruminou pensamentos sombrios.

Procurou Valentim. No cais, o paulista ajudava a fidalga a embarcar na falua. Subitamente, frei Francisco percebeu. Aquela mulher era Mariana de Lancastre.

Tinha o mesmo comportamento altivo do primo. E se Raposo tivesse entregue o retrato para Valentim? Chamou Lourenço, apressando-o com um gesto. Descobre por que motivo aquela fidalga viaja com ele. Depois nos encontramos em Parati. Lourenço pegou dinheiro com o padre e dirigiu-se apressadamente ao cais. Conversou com um dos marujos, entregou-lhe um suborno e entrou no barco. Frei Francisco pegou uma folha da amendoeira e espantou-as.

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Especulou sobre as diversas maneiras de tomar o retrato do rei. Paulistas costumavam ser estultos; mas era preciso cautela. E aquela mulher, dona Mariana de Lancastre? Ele sabia que o nome Lancastre vinha de família antiga. Mas nem todos os Lancastre no Brasil eram irrepreensíveis. Fernando era inexpressivo no governo. Antônio de Lancastre fora um bêbado que morrera assassinado numa misteriosa trama jamais esclarecida. Ele conhecia bem aquela família de traidores.

As disputas entre portugueses e paulistas se acirravam. Com um pouco de intriga, frei Francisco poderia conseguir o que quisesse. O preço da carne subiria às alturas. Sim, uma guerra seria adequada. Precisava fazer algo. E depressa. Ao saltar em terra, Mariana e Valentim foram envolvidos no movimento do porto. Passaram entre cargas de sal, azeite, vinho e foram dar numa praça, onde se realizava uma feira.

Mineiros com negros carregadores que chegavam da trilha negociavam peças de ouro; índios vendiam arcos, flechas, cestas; negros de ganho ofereciam vegetais, aguardente, tabaco; mascates mostravam suas miudezas; marujos faziam trocas, buscavam mulheres.

Via-se gente de todo tipo: moleques, mucamas, escravos, alguns vestidos de seda e cetim; estrangeiros do Oriente e dos Países da Neve, num trato constante de passagem às Minas; fidalgos de chapéus e espadins, damas em cadeiras com estofos.

Notava-se a presença refulgente do ouro, brilhando nas orelhas, nos pulsos, nos colos, nos dedos, nos sapatos, nos arreios, nas volutas das cadeiras e seges. A vila, diziam, tinha sido construída obedecendo a um engenhoso plano que compreendia o uso da maré para a limpeza das ruas. Com a enchente o arruamento alagava-se, e a vazante levava a sujeira para o mar, lavando as pedras. Cansados, Mariana, Valentim e sua comitiva procuraram uma hospedaria. A noite caíra, fria.

Uma neblina leve se espalhava pelas ruas, onde homens perambulavam, rindo, muitos deles visivelmente bêbados. Um homem saiu da hospedaria e parou numa esquina, contando moedas da algibeira. Abordado por uma mulher, caminharam juntos, acompanhados de cachorros vadios que latiam a seus calcanhares. Seria mesmo o retrato do rei dentro da caixa? Certamente nunca mais vira o soberano na corte. E, se por acaso o avistara outra vez, teria sido a uma enorme distância.

Pegou um punhal e procurou abrir o cadeado, que se desprendeu depois de tentativas nervosas. Um calor intenso tomou o rosto de Mariana. Sua fronte suava. Retirou a tampa da caixa, com cerimônia e medo. O quadro estava envolvido em diversas camadas de tecido. Mariana colocou-o sobre uma cadeira, apoiado no encosto. Uma faixa vermelha vibrava sobre a armadura. A coroa de ouro e pedras estava sobre uma mesa, num canto do quadro.

Mariana curvou a cabeça. Desses dentes nasceram mais inimigos poderosos, aos quais o herói cortou as cabeças. Vencidos os monstros, o herói se apossou do fabuloso tesou pelo qual lutara e que o levava de volta ao seu trono perdido.

O barqueiro disse que sim. Estou ganhando dinheiro com o transporte, mas quero ir para as Minas. Queres mesmo ir para as Minas? Conheces a história de Caronte? Frei Francisco iniciou o relato, gesticulando, animado, mas no meio da história percebeu que o homem se desinteressara e calou-se. Seu peito doía. Medo de enfrentar uma travessia atlântica? Era o ouro, sempre o ouro. Avistou a península na baía de Ilha Grande, ao longe, com a vila branca na ponta.

Mariana, exausta por mais uma noite sem sono, andou até o adro de uma igreja à beira-mar e sentou-se numa mureta de pedras. Um grupo de patos ciscava. Um menino caminhava, com sua pequena canoa sobre a cabeça, seguido duma garotinha que carregava um par de remos. Virou- se. Diante da igreja estava encostado um homem de terrível aspecto, pois além de carregado de armas tinha o rosto deformado por uma profunda cicatriz.

Valentim, à porta, arreava o cavalo. Gostaríeis de conhecer a vila? Percebeu a palidez no rosto de Mariana. Hoje mesmo? Mariana viu o homem da cicatriz a caminhar até o cais de madeira, em frente à taverna, onde se sentou.

Pescadores movimentavam-se, preparando barcos. Lourenço, compenetrado, segurava um punhal. Inesperadamente, com um gesto rapidíssimo cravou a arma na madeira, onde havia moscas pousadas. Ela desviou os olhos com rapidez. Ele veio na falua. Lourenço, percebendo que o paulista o observava, retirou- se do cais e desapareceu numa esquina. Ou porque usam calças. Uns dizem que os chamamos assim porque os portugueses andam de botas.

Mas os paulistas também as usam, embora muitos gostem de caminhar descalços. Muitos pensam que emboaba é um termo menoscabante, uma alcunha escarninha. Saíram andando pela rua. Somos preadores.

Os montes têm incrustações nas rochas que brilham como colares. Dos riachos chegam a retirar tantas arrobas que se poderia forrar a trilha desde a Bahia até Parati. O ouro era um metal dócil, flexível, e assim mesmo o mais duro e resistente.

O ouro permitia que se executassem todas as curvas e filigranas, todas as formas de geometria e escultura que pudesse a mente imaginar. Era o mais antigo metal que o homem conhecia, e um dos mais raros. Chegaram numa praça. A pólvora, as armas de catana, as facas frustram qualquer tentativa de paz. Mesmo que seja apenas para morrer. Encontraram um homem chamado Montanha, que os fez entrar numa sala atulhada de móveis, alfaias, pratarias e muito ouro. Filho de paulistas que tinham fundado a vila de Parati numa de suas bandeiras em busca do mar, enriquecera com o comércio.

Montanha sabia o latim, o francês, e afirmou que Parati era lugar de requinte e luzimento, onde havia singeleza, desembaraço, e muito ouro.

Mariana e Valentim, com seus agregados, viajavam sob os domos das florestas, a cavalo, seguidos dos escravos com as bagagens.

Da Bahia para as Minas só podia passar boiada. Por este motivo havia grande trânsito. Mariana e seus acompanhantes ficaram aguardando enquanto soldados examinavam o carregamento de uma tropa, abrindo todas as arcas, embornais, caixas; outros pesavam o ouro de alguns viajantes.

Hirta, Mariana temia que revistassem sua bagagem. Todavia, as barras fundidas clandestinamente passavam por atalhos no mato e por canoas de moradores ribeirinhos. Os fabricantes ou vendedores de cunhos flagrados nos registros pagavam seu crime com a morte. O mercador informou- o, e ele escreveu no livro.

O administrador do registro pediu os documentos a Valentim, e solicitou que abrisse as bagagens. Quando Mariana apresentou a carta do governador, deixaram-nos passar sem revista, com reverências. Valentim pagou duas patacas e dois vinténs por pessoa e quatro patacas por cavalo, e prosseguiram viagem. No caminho, pontes rudes davam passagem sobre riachos.

Os dois homens atravessaram florestas cerradas, num passo cauteloso, a trilha ora forrada de pedras desiguais, ora nua, ora tomada pelo mato e sempre escorregadia.

A cada momento frei Francisco percebia-se mais próximo de Mariana. Mulheres eram seres malignos, luxuriantes, mas aquela ali era prima do governador. Umas diabas verdes, de boca rasgada, desnudas, orelhas de porco. Todas elas iam para o Inferno, mesmo as santas, que ali tinham uma gaiola com travesseiros de fogo. Lourenço contara que, durante a viagem na falua, ouvira as conversas da baronesa com o paulista. Ela falava como um homem, dissera Lourenço, dava ordens.

Desde Parati, deixara de viajar na liteira e montava a cavalo esgarranchada; ria mostrando os dentes e passava o tempo todo fazendo perguntas. Carregava uma pistola na bolsa e muito dinheiro. Trazia com muito cuidado, como se ali houvesse algo precioso, uma grande arca trancada por cadeado. Seria o retrato do rei? Nunca usava decotes como os das mulheres das Minas, vestia quase sempre saia e casaco pretos.

Costumava ser distraída e gostava de apreciar o horizonte. Falava com estranhos. Entrava nas igrejas, rezava ajoelhada. Andava com o nariz para o alto e olhava as pessoas nos olhos. Despertava vontade de fornicar, pois tinha carnes; mas dava medo.

Buscavam na. Arte de amar apenas os trechos obscenos. Ovídio ensinava às esposas como enganar seus maridos em celas alugadas; suas mulheres ostentavam infidelidade e os homens uma complacência cornuda. A maioria dos livros continha um amontoado de sujeiras, arrotos e desbraguilhamentos. Os poetas costumavam ser uma gente de natureza maliciosa. Filósofos ensinavam como apanhar adolescentes no circo. Imperadores invadiam cidades vestidos como mulheres e deleitavam-se com escravos.

O que achavam as pessoas, por acaso, que os poetas escreviam sobre as tendas esfumaçadas de César? De que vícios padeceria dona Mariana de Lancastre? Desistira de escanhoar-se e a barba tomava seu rosto. Carregava apenas um cesto encourado, contendo uma toalha e uma pele enrolada. Nas caminhadas longas, nunca se cansava.

Nas bandeiras das quais participara — começara aos nove anos — aprendera muito com os índios. Caçava, também, usando arma branca ou mosquete. Jamais passava sede no mato. Conhecia a arte de curar dos selvagens. Sabia extrair bezoares do estômago ou das orelhas de alguns animais mortos, usados para estancar sangramentos. As cabeças das cobras serviam de remédio contra as picadas, assim como aguardente com sal.

Ele, entretanto, em certas ocasiões, observava-a dissimuladamente. Encontraram um lugar estreito de relva cercado de mata alta. Os escravos armaram uma tenda com rapidez e atearam fogo a um pequeno monte de lenha seca que traziam no lombo das mulas.

Na tenda, Aurora vestiu sua senhora com roupas secas. Mariana emagrecera e o corpete estava folgado. A noite trouxe uma neblina densa. Aurora tirou da cesta e arrumou sobre uma toalha peixes em salmoura, biscoitos, confeitos, mel, figos, vinho, copos, pratos, talheres.

Mariana e Valentim, em torno da fogueira, enrolaram-se em peles. Ele serviu o vinho. Aurora mirava Valentim fascinada, com a boca aberta suja de comida e os olhos arregalados. Tudo, um dia, termina. Mariana pensou em seu pai. Por um longo tempo calados, ouviram o estalar dos gravetos e vigiaram as chamas. Esposei um homem gentil que tentava me agradar de todos os modos, mas eu tinha apenas treze anos. Mas velhos nobres enfastiados gostam de brincar com meninas.

Pelo menos aquele. Meu marido morreu. Valentim tinha uma mancha vermelha no globo ocular esquerdo e uma cicatriz pequena acima da sobrancelha. Apaguei a imagem de seu rosto em minha mente, mas seu cheiro de cavalo me persegue. Ele montava bem. Ensinou-me a cavalgar. Ela bebeu mais vinho.

Prosseguiu, evitando os olhos esbraseados de Valentim à luz das chamas. Por que estamos falando nisso agora? Acreditais que sou uma tola?

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Ou uma corda de tabaco? Ou seis libras de carne? Sou uma mulher. Mulheres, senhor Valentim Refletiu alguns instantes. Valentim disse. Mais dois dias caminhando até o pôr-do-sol, e ultrapassou o porto de Guaipacaré, onde ficavam as roças de Bento Rodriguez. Três jornadas depois avistou o Paraíba correndo no meio de um vale. A estrada melhorou, tornou-se mais larga, pavimentada de pedras grandes. Avistou ao longe Mariana e seu cortejo. Às margens do Paraíba, um rio caudaloso cercado de rochedos, havia um povoado com cabanas e uma pequena igreja sobre uma colina coberta de plantações de bananeiras.

Os animais, com olhos vendados, relinchavam. Mariana, Valentim e Aurora fizeram a travessia numa canoa. No rancho, viajantes divertiam-se com mulheres; mulas comiam milho num coche; recoveiros empilhavam rolos de couro recheados de tabaco. A venda, uma casinhola de barro onde se ofereciam farinha em sacos, forragem, aguardente, vitualhas, ficava um pouco distante das casas.

À beira do rio limpavam as alabardas, molhavam as correias; verificavam as ferraduras dos cavalos, as peças dos carros; faziam consertos. Moradores conversavam, agachados; espreitavam os viajantes com desconfiança. Mariana pediu a Valentim que alugasse uma das casas para pousarem. Quando ele voltou, disse que conseguira uma cabana abandonada. Improvisaram colchões usando peles sobre palhas.

O vento entrava pelas frestas da casa. Durante um longo tempo Mariana conversou com Aurora sobre o catecismo, enquanto penteava seus cabelos. Aurora perguntou se uma mulher podia conceber sem um homem, como a Virgem Maria. Uma delas achegou-se a Valentim. Ele mandou que a mulher se sentasse.

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Ela deu um sorriso que agradou a Valentim. Moro embaixo do céu e em cima da terra. Os homens contaram suas façanhas nas estradas e aventuras amorosas. Bebiam, beijavam as mulheres, riam. Valentim foi deitar-se com Maria. Alva e recheada, ela cheirava como um macaco. Enquanto copulava, tomado de um prazer angustiado, Valentim surpreendeu-se pensando em Mariana. Na cabana, Mariana ouvia os gemidos.

Irritada, tentava reconhecer a voz de Valentim. Ao lado, Aurora costurava uma meia, concentrada. Tinha completado dezesseis anos, passava da idade de casar. Alguém começou a tocar uma viola. Mariana ouviu, em silêncio.

Morcegos entraram no alojamento, pendurando-se nos esteios da palha. Mariana ficou, como sempre, tentando distinguir os ruídos da noite, o lugar em penumbra. Os ruídos da selva pareciam gritos, marteladas. O mais aterrorizante eram os urros dos macacos-barbados, repetidos pelos ecos. Ficou deitada muito tempo, entre alerta e adormecida. Despertou subitamente e viu o vulto de um homem. Horrorizada, notou que ele tirava uma faca da cintura.

Mariana lembrou-se da bolsa onde estava sua pistola. Vou pegar. Ouviram passos e vozes de homens. A porta abriu-se com violência e surgiram Valentim e os guardas. Toque de pele Festa de padroeira Sou feliz Mas que palavras Vaqueiro ruim que dói De janeiro a janeiro Tudo deu em nada Procurando amor Pedaços de canções Vontade louca Meu desejo Meu primeiro amor Minha timidez Minha sereia Beijos e suspiros Frente a frente Morena flor Loucuras de amor Vaqueiro bom demais Toda sua Amor proibido Fantasias Sentimentos e paixões Reencontro Te amar Fica comigo Louca por você Teu perfume, tua flor Meu paraíso Impossível Mais que um desejo Bota pegado parêa Loucura de amor Ainda é tempo Tentei te esquecer A noite mais linda Jogo marcado Carro de boy Mulher vaqueira Incertezas Jogo do amor Deixa eu te amar Forrozando Eu amo amar você Com você no pensamento Sem o teu amor Sonho de amor É loucura Chega de drama Eu queria dizer que te amo num Sol do oriente Sai desse quarto Sai de cena Apaixonado por você Linda mulher Sentindo a tua falta Como eu te amo Ponto final Indiferença Foi você A minha história Você vai ver Toma conta de mim Minha vida sem você Veneno Deixe o tempo passar Caso encerrado Amor ao vento Só você Do meu lado Mais uma noite Machuca de jeito Pra sempre Meu neguinho frente a frente E tome amor Seu e-mail Tudo só por esse amor Play record Voltei O homem da lua Sempre te esperei Seu nome Indiferente Viagens e emoções Deu medo Pra sempre lost in love O lutador the boxer Tudo deu em nada menta y limon Deixa o tempo passar A noite mais linda josé augusto Abertura