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Trio Ternura - O Vento Certo (Letra e música para ouvir) - O vento tá bom aqui / E eu solto pipa depois da ladeira / Não tenho pra onde ir / To sem um trampo. Trio Ternura - Kyriê (Letra e música para ouvir) - Se eu não merecer o seu amor / Juro que vou ser um sofredor / Meu Deus não quis me dar a glória de poder. Emily BRONTà A Colina dos Vendavais Tradução de Ana Maria Chaves _R_B_A -- EDITORESTítulo original: *_Wuthering Height.

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E foi assim que, com um soco, parti o vidro, esticando em seguida o braço para agarrar o ramo. A entrada de Supper Time com as guitarras a um ar mais roqueiro ao disco. Infância de menino e poesia do adulto se encontrando, a fundir-se, acima da vigilância intelectual do escritor. E é para onde vais direitinha. Envergonhado, descobri que a minha gritaria tinha sido bem real. Foi quando começou a ficar só no mundo, e pela primeira vez chorou o choro da tristeza. Desculpa, Nell Fez bem em ter contado a história devagar; é esse o método que mais me agrada e peço-lhe que o mantenha até ao fim. Estranhava o ar parado numa serra que trazia o nome de Riacho do Vento. Achei conveniente revelar a minha presença, na medida em que, conhecendo o temperamento de Heathcliff, era certo e sabido que ele iria continuar as buscas caso eu permanecesse quieto. O que é que queres dizer com isso da queixa, Heathcliff? Por um segundo, essa paisagem cruzou no pensamento de José Maria com o panorama de Santa Teresa. Nós entendemos. O engenheiro tinha certeza de que ele continuava vivo. A sorte grande, por exemplo. E logo trata de cortar o cabelo para virar punk. Claro que vai ficar mais difícil eleger o regime fiscal — comenta a gerente financeira da UBC. Uma vai puxando a outra.

Trio Ternura - Kyriê (Letra e música para ouvir) - Se eu não merecer o seu amor / Juro que vou ser um sofredor / Meu Deus não quis me dar a glória de poder. Emily BRONTà A Colina dos Vendavais Tradução de Ana Maria Chaves _R_B_A -- EDITORESTítulo original: *_Wuthering Height. Lyrics to 'Louvarei Na Tempestade' by PG. Tudo era tão certo / Você estaria aqui / Enchugando as lagrimas / Salvando o MEu Dia / Mas novamente eu digo. O nome Trio Ternura foi sugerido pela amiga Lilian Maria, filha de Almeida . Trilha Sonora da Novela "Rosa dos Ventos" (Sempre primavera). Você encontra os dois albúns lançados que postarei os links pra download. . Vento é dinheiro enquanto não sai por detrás e entra venta adentro (Fernando Catatau) 1. 1. . uma análise um tanto simplista, mas não desprovida de um certo fundo de verdade.” . Trio Ternura – Vê se dá um jeito nisso – LP – CBS –

Fiquei o tempo todo espiando pelo buraco da fechadura; a língua fininha dele entrava no meu olho. Acho que ela sofreu um bocado. Alimentei a conversa: "-Ontem eu vi quando ele se escondeu na grota, disse-me o menino enquanto subíamos.

Como é que sabe? Às vezes vai com grande velocidade, sessenta, setenta, noventa quilômetros a hora E o que é que o vento vai fazer no mar?

Era, creio, a segunda vez que lhe fazia tal pergunta e ele desconversava. Passou a cismar. Atrapalhou tudo, nós corremos, o padre ia na frente, o andor caiu, foi uma coisa danada! Pergunta à Espiga de Milho!

O vento faz cada uma! Mas é escondido, ouviu? Dei ao menino algumas noções elementares sobre deslocamento de massas quentes e frias da atmosfera.

Falamos sobre diversos tipos de vento.

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Escrevera as notas durante a noite, 22 no quarto do hotel. Disse que esteve pensando muito durante a noite: aquele negócio de massas frias e massas quentes, de que lhe falara na véspera, achava que era bobagem. Eu acho que ele é assim porque passa com as lanternas apagadas. E continuou: -Ventania é danada pra virar canoa e destelhar casa. Desarruma tudo. O pessoal fica aflito quando ela vem, e eu fico só gozando Muito bom para refrescar a pele e empinar papagaio Mas depois que chega é uma festa Olha o miIharal!

Gosta muito de apostar corrida com o rio. Parecia orgulhoso. Deixei ficar. Juiz, foi assim crescendo à base de vento. Um dia, eu subia a estrada que leva à colina de onde se avista a cidade e a ala esquerda do hotel. Sobre as casas pairava a faixa de fumaça deixada pela locomotiva. Eu caminhava devagar. Mais devagar vinha descendo o garoto. Pela primeira vez aparecia penteado. Ia com certeza encontrar-se com Espiga de Milho. Falou-me:-Pensei que o senhor tivesse ido embora.

Tudo parece fotografia. Tudo parecia mesmo fotografia. Fora de seu natural. É preciso ventar para que ele comece a viver. O garoto observou, apontando para alguém:-Olhe que gozado o ventinho nas barbas daquele velho!

Olhei para o menino que voltava correndo. Sua cabeleira estava desfeita, ele mesmo todo diferente, subitamente transformado em perSonagem do vento. Mas este foi logo diminuindo e cessou. Zeca da Curva assumiu um ar escabriado. Sem jeito, virou-se para os lados do vale: "-Daqui a um pouquinho ele volta. Quer apostar? Apareceu uma menina ruiva com uma garrafa de leite. Vamos aproveitar! Fiquei de longe, a ver se repontavam mais adiante.

Mas o céu começou a enfarruscar. Entrou outro tipo de vento, o vento de chuva, diferente do. Estava indignado. Só porque fiquei espiando Inventei que nele correm também meninos invisíveis, os mensageiros. Fazia inspeções pelo céu.

Ficaram encalhadas. Ontem o vento andava mais devagar do que o rio. Ia pegar as malas, fazer o seu biscate. Quando pensava nele, era para duvidar de sua sinceridade. Ou apenas se divertia? Ou procurava mesmo impor-se à amizade do turista para merecerlhe favores? Se era sincero fora de minha presença. Minha janela abria-se para os barracos da colina, onde ele morava. Meti o binóculo, o seu casebre se aproximou. Logo avistei Zeca da Curva no terreno, a pular. Tirara a roupa, ficara nu no meio do vento.

Correndo de um lado para o outro, esbarrou numa lata e rolou pelo barranco. De repente, ei-lo de braços abertos e olhos 26 fechados, gozando, aspirando o espaço.

Assim permaneceu alguns minutos, imóvel, feliz. Acertei melhor as lentes e percebi, Sr. Juiz, claramente percebi o que o menino fazia: mijava! Nem podia, tamanha era a barulheira. A urina diluíase em gotas cristalinas. Olhou para o Juiz, como que o consultando. Que prosseguisse. Mas tem com a verdade. Muitas vezes se chega à verdade pelos caminhos mais absurdos.

Desde o momento em que verifiquei como procedia Zeca da Curva quando se viu só com o seu vento, comecei a acreditar mais nesse menino. O pequeno maltrapilho era o meu mestre de vento, o verdadeiro iniciado.

Daí por diante, só o compreendia dentro mesmo do vento.

Mas evitava que ele percebesse o meu estado de espírito, e dentro de mim mesmo lutava contra as imagens delirantes, lembrando-me da advertência de meus pais. Era uma goiaba atirada da rua. Cheguei à janela. Reconheci o menino embaixo:-Isso é modo de despertar alguém? O corpo avisa. Os meninos do vento! Vai ser de tarde, disse consultando o céu e mordendo uma goiaba. Por volta de três horas, subimos a colina, lugar habitual de nossos encontros.

O céu era de uma cor neutra, meio amarelada, tonalidade que para nós indicava lufada iminente. O garoto parecia desassossegado, com medo de ser desmentido. Afinal o vento começou. Era- como um animal invisível, mas perto. Tanto vale dizer que larguei o vento pelo menino. Mas, tomado também pela força da correnteza, dentro em pouco éramos dois a experimentar a mesma embriaguez.

No meio da 28 polifonia, ouvia-se um som de lata velha. E uma mulher, espécie de bruxa desgrenhada, do alto da cafua chamava o garoto para a janta. Devia vir da floresta, sua matriz longínqua. Zeca da Curva parecia embriagado.

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Arrancou a camisa, estendeu os braços. Permanecia imóvel, tenso. Faltava-me a força e a pureza do menino. Fui tomado de um sentimento estranho: senti-me rebaixado perante mim mesmo. Construo pontes, tenho os pés fincados na terra Loucura, querer emular-me com o garoto, disputar com ele os mesmos direitos perante o vento.

Tratei de sair dali. Juiz, só restava do vento a cauda leve e comprida. Acendiam-se as lâmpadas. Uma a uma as vidraças se o iniciado do vento 29 abriram. Fui descendo a ladeira. No dia seguinte, voltei para o Rio sem maiores apreensões. Porque estava certo de que o menino tornaria. Juiz, o que se passou entre mim e Zeca da Curva! Minha amizade com a malograda criança foi, como disse, unicamente na base do vento, assim como o meu encontro com ele foi o vento que propiciou. O olhar aflito da assistência parecia implorar-lhe que prosseguisse.

Juiz, explicar a influência exagerada que ele exerceu em mim e no menino. Fizemos dele um emprego abusivo, confesso. Depois mudou de rumo e conseguiu uma brecha. E por essa fresta, logo ampliada, invadiu o prédio. Levantava os papéis, fazia bater as portas. O promotor ficara todo o tempo embevecido numa cisma remota. Ouvia-se um barulho na escada. Juiz, que Zeca da Curva esteja morto? Deu o juiz por terminada a audiência.

Pouco a pouco a sala recuperou a atmosfera forense. Queria saber se era para tomar por termo tudo aquilo e como. Mal pôde 31 disfarçar um travo de ironia nessa pergunta. A sala foi se esvaziando. Duas moças deixaram-se ficar sentadas ao fundo. O Oficial de Justiça veio pedir-lhes que se retirassem, ia fechar as portas. Perguntaram se no dia seguinte ia ter mais. Era como se tivessem interrompido a contragosto a leitura de um romance. Ganhando a praça, o engenheiro respirou livre.

O denunciado comprou uma das folhas, verificou, ele mesmo, o que pressentira. Populares deixavam-se ficar nas imediações do Foro. Era porém impossível trocarem impressões. Aumentando de velocidade e enrolando-se em redemoinhos poeirentos, derrubou a prateleira do engraxate. Ninguém conseguia ler a notícia até o fim: ou a ventania carregava de novo o jornal ou a poeira turvava a vista dos leitores.

Das sacadas altas do Foro descia uma nuvem de escrituras, certidões e editais. Pairavam no ar antes de virem pousar nas frondes. Era o arquivo que se desmanchava. A praça assumiu um ar festivo. Os moleques se atropelavam na disputa dos papéis.

Queria resistir, manter-se impassível. Como porém recusar a evidência do que estava acontecendo? Mas que maravilha! Era de um tipo novo, menos descarnado e musical. O engenheiro tinha certeza de que ele continuava vivo. Voltaria escondido, para uma busca naquelas grotas de montanha. Eis agora o vento nas pernas do Meritíssimo!

O Morro dos Ventos Uivantes

Um juiz de verdade só caminha de cabeça erguida, a passos firmes como quem vai de braços com a Justiça. O pretinho veio correndo pela ladeira para dizer que no Bela Vista a dona estava chorando, trancada no quarto. Seus amigos compreendem-lhe o silêncio. O outro:-Só serviu para virar a cabeça do povo. Sente-se derrotado, confuso. A dona do hotel nunca mais se apresentara a seus hóspedes.

Dizia-se que depois da meia-noite seu piano tocava em surdina. Nem despachou processo algum. Qualquer coisa havia mudado na fisionomia moral da cidade. O vento começou a existir. Descobriram-lhe um sentido novo. Algo de estranho passara-se na consciência do magistrado. Transferido ou aposentado, desapareceu da comarca dias depois, sem nada dizer, sem se despedir de ninguém.

Notaram que sobraçava o calhamaço de um processo. E que falava sozinho. Qual fosse esse processo ninguém sabia. Sabia-se apenas que o vento soprava no calhamaço com força desconhecida e, uma a uma, arrancava-lhe todas as folhas Um dia, porém, José Maria faltou. O motorneiro batia a sirene.

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Os passageiros se impacientavam. Achou-o de pijama, estirado na poltrona, querendo rir. A criada chegou à janela, gritou o recado. E o bondezinho desceu sem o seu mais antigo passageiro. Interroga-o com o olhar. Pode ser às nove e meia, onze, meio-dia ou quando você quiser. Debruçado à janela, José Maria olhava para a cidade embaixo e achava a vida triste. Saíra na véspera o decreto de aposentadoria. Que fazer agora? Ministro", até ser detido por um guarda.

Aposentado agora, continuava a ligar os diferentes aspectos da natureza a acontecimentos que a deformavam. E o Ministro mandou um telegrama. Estava encerrada a etapa principal e maior de sua vida. Como fazer desaparecer-lhe os vestígios? Como se reencontrar?

Austero coisa nenhuma: desajeitado apenas, tímido: gostaria de poder fazer o que censurava nos outros. Isso e um telegrama do Ministro! Estou livre agora, livre! Mas livre para quê? Mas nada lhe diziam os barcos a vela flutuando longe, nem os castelos de nuvens que se armavam no céu. Ia experimentar a cidade, andar sem destino. E sem chapéu.

E se envergasse uma camisa esporte? Na rua, um colega veio dizer-lhe que os jornais deram a notícia; alguns até com elogios ao velho servidor.

O amigo abraçou-o. E logo recuou com certo espanto:-O seu chapéu, Zé Maria? Vai começar a gozar a vida, hein? O aposentado livrou-se do importuno. Estou livre! Na verdade, sentia-se impelido por um desejo ambíguo, como o general reformado que vai à paisana em visita a seu antigo regimento. Era tarde, porém; o rush se avolumara. Achou melhor voltar para casa, postar-se na fila do bonde. Via-se como que despido. Floripes serviu-lhe o jantar, deixou tudo arrumado, e retirou-se para dormir no barraco da filha.

Havia o telefone, é verdade. Mas ninguém chamava. De repente, sem motivo, a voz emudecera. E o aparelho voltou a ser na parede do corredor a aranha de metal, sempre calada. O sussurro da vida, o sangue de suas paixões passavam longe do telefone de Zé Maria Como vencer a noite que mal começava? Ingeriu outra dose de vinho. E adormeceu.

Quem se lembraria dele? Algum convite? Era engano! A quem estaria destinada aquela voz carregada de ternura? Preferia que dissesse desaforos, que o xingasse. Era um triste aparelho telefônico! Atirou-se de bruços na cama.

E sonhou. Foi andando para o passado Abriu-se-lhe uma cidade de montanha, pontilhada de igrejas. Aí parou. E Duília lhe repetiu calmamente aquele gesto, o mais louco e gratuito, com que uma moça pode iluminar para sempre a vida de um homem tímido. Acordou com raiva de ter acordado, fechou os olhos para dormir de novo e reatar o fio de sonho que trouxe Duília.

Mas a imagem esquiva lhe escapou, Duília desapareceu no tempo. Ia dar início a profundas modificações em sua pessoa. Entraria de sócio para algum clube; e se encontrasse um professor discreto, talvez aprendesse a dançar.

Essas providências seriam a sua toilette exterior para a nova fase da vida. Tornou-se sócio de um clube da Lagoa. Como dialogar com elas? Parecia-lhe que zombavam dele.

Se algumas moças lhe dirigiam a palavra, era como se lhe atirassem esmola. Acabou a noite só e triste, agarrado ao seu copo de uísque. Quase nunca provava essa bebida; achava-a até ruim. Deixou o Lulu com as moças, e saiu fazendo uma careta. A vida era para os outros. Antes tivesse ainda algum processo a informar; estaria ocupado em alguma cousa. Um começo de soluço contraiu-lhe a garganta. No dia seguinte postou-se, como outros de sua idade, numa das esquinas da Rua Gonçalves Dias, local preferido pelos militares da reserva e aposentados de luxo, gente saudosa do passado.

Notou que eles se compraziam em adejar perto dos doces da confeitaria, e ver passar as damas elegantes de outrora. Ali se perfilava, de terno branco, um velho Almirante de suas relações: -Olhe, faça como eu: nunca se convença de que é aposentado.

Evite os velhos. Quanto a conviver, só com gente moça. Ele aprendera na véspera o que era conviver com gente moça. Entrou numa livraria. Tentou ler. O melhor mesmo era ficar debruçado à janela. Dali devassava recantos desconhecidos, ilhas que jamais suspeitara. Começava a sentir realmente a paisagem. Esse noivado tardio com a natureza fê-lo voltar às impressões da adolescência.

O tempo contraía-se. Passou a praticar com mais assiduidade a janela. Quanto mais o fazia, mais as colinas da outra margem lhe recordavam a presença corporal da moça. As colinas se transformavam em seios de Duília. Chegava a envergonhar-se. E por quê, se isso lhe fazia bem? Só agora se dava conta de que, sem querer, transferira para Adélia a imagem 41 remota. Mesmo porque, temendo o ridículo, José Maria jamais se deixara trair.

Disponível, sem jeito de viver no presente, compreendeu que despertara com muitos anos' de atraso nos dias de hoje. Chegara ao fim da pista. Da velha cidade que restava? Onde o Rio de outrora? As casas rentes ao solo, os pregões, o peixeiro à porta?

A cada arranha-céu que subia-eles sobem a todo momento-a cidade calma de José Maria ia-se desmanchando.

Sentiu que sobrava. Impossível reatar relações com uma cidade irreconhecível. Pediu que o cancelassem do clube da Lagoa; desistiu da aula de dança. Só lhe fazia bem desentranhar o passado. Dias e noites o evocava com a cumplicidade da paisagem. Nem sabia explicar como, nas tardes de movimento, mais de uma vez suas pernas o largaram nas imediações do Ministério. Começava a sentir-se livre. Ao apelo póstumo, nem tudo de seu passado parecia perdido.

Sabia agora o que ia fazer. Reviu-se mais jovem ao espelho. Floripes parou espantada. Ninguém me escreve Descendo à cidade, José Maria comprou malas, preveniu passagens. Outro homem agora, alegre quase. Agora, sim, ia ser feliz. E se alvoroçava como o imigrante que se repatria. Fazia uma tarde bonita. Mulheres sorrindo, vitrinas iluminadas. Assim procede a mulher indiferente, ao ver partir o homem a quem fez sofrer.

Comprou um mapa do país. Voltou para casa. Era perto de uma cordilheira no centro-sul. Estranhou o apito fanhoso da Diesel à hora da partida. Voz sem autoridade, mais mugido que apito. Muita coisa haveria que encontrar pela frente, modificada pelo progresso: a locomotiva por exemplo; o trem de luxo em que viajava. Seu desejo era refazer de volta, pelos meios de antigamente, o mesmo roteiro de outrora.

Estradas novas vieram substituir-se aos caminhos que levam ao passado. Pela madrugada, o trem parou horas entre duas estações. O viajante despertou com o silêncio. Só ouvia o sussurro do ventilador.

José Maria aproveitou para descer, e sentir o cheiro de Minas. O sol vinha esgarçando devagar o véu de bruma que cobria as serras tranqüilas. Preferível fechar-se no quarto de hotel até que chegasse a hora da "jardineira". Ônibus e caminhões escureciam as estradas de poeira. Cansado, adormeceu. No banco ao lado, um passageiro queimado de sol parecia esperar que José Maria acordasse para encetar conversa.

Estamos em fins de fevereiro e nada de chuva! Olhou fitamente para José Maria. Espera aí Conheço muito. José Maria sentiu um estremecimento. Arrependera-se da pergunta. Devia ser outra pessoa. O homem queimado compreendeu, e calou-se.

Daí em diante a viagem se faria nas costas de um burro. Tudo como quando tinha dezesseis anos. Tratou um "camarada" que o gerente do hotel lhe indicara. Pouco depois, o rio fiel aparecia ao viajante.

E todo esse tempo me esperando! Achou-o tranqüilo, mas um pouco emagrecido. Soero foi chamar o balseiro, enquanto José Maria, agachado na areia, deixava que o velho rio lhe ficasse correndo longo tempo entre os dedos.

A bengala desamarrou-se da mala e caiu na correnteza. Soero quis mergulhar. Era afinal, uma lembrança dos ex-colegas.

Almoçaram e retomaram a montaria. Oito léguas, disse o camarada. Tudo era deslumbramento para o viajante. À medida que ouvia esses nomes quase esquecidos, a coisa nomeada aparecia logo adiante, rio ou povoado.

As léguas se estiravam, a noite ia longe. Nem parecia o rio que os viajantes atravessam a vau. Soero desceu os arreios e a cangalha, amarrou o cincerro ao pescoço do cavalo-madrinha, e deixou os animais pastando perto. Pouco se lhe dava o corpo moído, a dor nos rins. Era como o primeiro rumor de um passado que vinha se aproximando. Cobrindo-se com a manta, adormeceu. Soero saudou o vulto de branco com quem cruzou no meio do rio. O homem respondeu em latim.

Perguntou 46 o que era aquilo. A Rancharia é pouso forçado para quem atravessou ou vai atravessar a Cordilheira. Reconheceu-a de longe o viajante, pelo pé de tamarindo. O mesmo de sempre. Ela era moça recatada, ele um rapazinho tímido; apenas se namoravam de longe.

Mal se conheciam. E fechou calmamente a blusa. E prosseguiu cantando Só isso. Apenas uma vez, depois do acontecimento, avistara Duília. A moça se esquivara.

O Vento Certo

Mas o que ela havia feito estava feito, e era um alumbramento. E desejou que o dia raiasse logo. Puseram-se de novo a caminho. Horas depois, galgavam a serra. Por um segundo, essa paisagem cruzou no pensamento de José Maria com o panorama de Santa Teresa. Faltava o trecho maior para se chegar ao Arraial de Camilinho. Os burros suavam na subida penosa. A essa palavra, José Maria animou-se. Tal como na antevéspera, ao ouvir o nome Rio das Velhas. Foi quando começou a ficar só no mundo, e pela primeira vez chorou o choro da tristeza.

À esquerda, as extensões lisas das "gerais" do S. Francisco; à direita, as colinas arranhadas pelas minerações da bacia do alto Jequitinhonha. Estranhava o ar parado numa serra que trazia o nome de Riacho do Vento.

Como fica longe o lugar do passado! O cansaço aumentava. Imenso Brasil. Quantos, ele mesmo, José Maria, fizera despachar sem a mais, vaga idéia das distâncias que iam cobrir! Mergulhava em reflexões.

Infinita a distância entre a natureza e o papelório! De repente, dirigindo-se ao camarada: -Você conhece Duília? E tudo ficou por isso mesmo. Propôs uma pausa.

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Pouco adiante, descobriu uma grota para o pernoite. Os dois homens jantaram o que traziam nos bornais. Os couros foram novamente estendidos. José Maria, amedrontado, perguntou a Soero se havia onças por ali. O camarada tranqüilizou-o.

Mergulhou no sonc pesado. Às onze horas do dia seguinte, entrava no Arraial do Camilinho. Aí se dispunha a refazer as energias para a etapa final. Era como se ela viajasse na garupa do animal. José Maria preferiu passar incógnito.

Absteve-se de pedir informações. Mais seis horas e estaria naquela cidadezinha, face a face com a mulher sonhada. Detinha o burro a cada momento; olhava, hesitava. Nem mesmo se inquietara com a nuvem de chuva que vinha avançando do nordeste. O aguaceiro caiu, molhou a ambos.

José Maria tinha medo de chegar. Passou a chuva, veio o sol, borboletas voejavam sobre a lama recente. E Pouso Triste se aproximando Agora, o cemitério onde dormem os seus pais Olhou confrangido. E a cidade? Foi descendo devagar. Passou em frente à igreja, entrou na praça vazia. Fantasmas desdentados conversavam à porta da venda. Tinha sido ali Parou e entrou. Pediu um banho, mudou de roupa.

Sórdido chuveiro. Foi para a janela. Teve raiva de si mesmo. Nenhum parente, ninguém para reconhecê-lo.

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Melhor assim. Era a mesma Pelo menos aquilo sobrevivera. Saiu para vê-la de perto; deixou-se ficar debaixo de seus galhos. Reviveu a cena inesquecível Dentro de poucos instantes-o seu rosto, a sua voz, os seios!

A velha fez um esforço de memória. E tal como o passageiro da "jardineira", respondeu:-Duília? Ainda que mal lhe pergunte, vosmecê é parente dela?

E para desarmar a curiosidade da velha: -Trago-lhe umas encomendas; Deixou passar alguns instantes. Perguntou por perguntar: -Sabe dizer se tem filhos? Um horror de netos! Que Deus me perdoe, o marido era uma peste. Despediu-se de Soero, o bom camarada; pagou-lhe bem o serviço. Seguiria sozinho até Monjolo.

Conhecia a estrada. Pouco mais de três léguas. Léguas que se tornaram difíceis, pois a lama era muita, e o burro mal ferrado patinhava. A viagem se arrastava sem o encantamento da que terminara na véspera. Tudo agora parecia pior, o caminho mais estreito, mais aflitiva a ausência de claridade.

Sua alma deixou de viajar. Fazia-lhe falta a presença muda de Soero. Fez parar o animal. Novamente lhe viera o terrível pressentimento. A poucas horas da amada, José Maria tremia de medo. O burro começou a andar por conta própria. Monjolo se anunciava por um som de sanfona que parecia o gemido constante do fundo do Brasil. José Maria engoliu um soluço. Tomados de espanto, os poucos moradores espiavam o estrangeiro.

O letreiro "Escola Rural" aparecia em tinta esmaecida. A sala de espera limpa, com gravuras de santos enfeitados de flores de papel, e que tanto servia à Escola como à residência, nos fundos. As carteiras escolares estavam quebradas. O viajante apeou-se, bateu à porta.

Dona Duília A senhora fê-lo entrar e sentar-se. Pediu licença, deixou a sala. Momentos depois, voltou mais arrumada. Duas crianças gritaram da porta:-Dona Dudu! Dona Dudu! Esses meninos acabam com a gente. José Maria sentiu como que uma pancada na nuca. A professora ficou esperando que ele se identificasse. Notou-lhe a fisionomia alterada, um começo de vertigem. O cansaço da viagem. Olhava para ela, estarrecido. A mulher, aflita por que o desconhecido desse o nome.

Sou brasileiro E daqui Sou também de Pouso Triste José Maria encarou-a com dolorosa intensidade. Subitamente empalideceu.

Chegara o momento culminante. A professora pressentiu que algo de grave trouxera até ali o sombrio visitante. Atordoada, esperou. A mulher abriu os olhos. Eu olhava como um louco para você, Duília Hesitou um momento. Nunca mais me esqueci. E só agora Parou no meio da frase.

Tremia-lhe o queixo. A mulher, assustada, reconhecera nele o rapazinho de outrora. Passou-lhe pelo rosto um lampejo de mocidade. Quedaram-se por alguns momentos.

O vazio do mundo pesava sobre o sossego do povoado. Grunhiam os porcos embaixo. José Maria suspirou fundo. Aquela mulher, flor de poesia, era agora aquilo! Fantasma da outra; ruína de Duília A mulher interrompeu a longa pausa: -Tudo aqui envelheceu tanto! Que veio fazer neste fim de mundo, seu José Maria? Parecia que davam juntos o mesmo salto no tempo.

E volvendo-se para si mesma:-Veja a que fiquei reduzida. A distância alimenta o sonho. A tarde caía depressa. Os casebres se fundiam na cinza suja. Nada mais a esperar. Ficaria por ali mesmo Floripes fizesse o que entendesse da casinha de Santa Teresa.. Felizes os que ainda desejam alguma coisa, os que lutam e morrem por alguma coisa.

Felizes aquelas meninas que desceram cantando para Belo Horizonte. Sentiu falta de ar. Bem a seu lado se achava alguém que se dizia Duília, espectro da outra. Desse corpo de que só vira um trecho, num relâmpago de esplendor Procurou aliviar-lhe o desespero contido. Ao ouvir a voz mansa, José Maria enterneceu-se. Sentia-lhe no timbre a ressonância musical da antiga.

Achou-se ridículo, pediu desculpas. Um sentimento comum aproximava-os. Duas sombras dentro da sala triste Ergueu-se, saiu precipitadamente. Senhor José Maria! A voz rouca mais parecia soluço do que apelo.

Parada no meio do largo, Duília arquejava. Ninguém lhe ouvia mais a voz nem lhe distinguia o vulto. Alguns soluços cortaram a treva. Conheço estes caminhos. Muitas vezes, bêbado ou vencido pelo cansaço, deixei-me ficar encostado à cangalha, sobre o pedregulho do leito, enquanto o meu cachorro farejava os bichos e a mula aproveitava o capinzinho das margens. A garoa afastou-se do vale. Chegamos ao alto onde o pé de coqueiro joga uma sombra curta para o lado das jazidas.

Deve ser pouco mais de meio-dia. Os homens param. Tal como eu queria. O dia clareou bonito. Nunca o vira assim. Estou feliz. Circulo nele agora, participo-lhe da atmosfera. Se ela soubesse quem vai aqui! Até Churchil, Reagan ou mesmo Trump poderiam desfilar estilosos por aí — bastaria deixarem aparecer o hipster que o caricaturista enxerga em cada político.

Mas como essas enormes formações retangulares apareceram na paisagem do continente? É como se o gelo procurasse por onde seguir seu caminho. Primeiro, as fendas aparecem paralelamente ao movimento para a frente do gelo, criando uma série de fendas horizontais. Ou seja, o gelo provavelmente fluía ao longo dos caminhos mais rasos, e os cortes mais profundos e retos apareceram mais recentemente. Quantos segredos como esse o continente gelado ainda esconde?

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