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Assim, o romance é gestado ao longo dos anos e , de maneira turbulenta, o que nos é revelado pelas cartas de Caio F. O prazo se esgotaria e sobreviria um ultimato, um apito, um alarme, mas Benjamim entenderia como ameaça de criança, contando até três um Agora senta e escreve. Naquele episódio, relata ele: Entre seus dedos frios, de unhas curtas, pintadas de preto, apanhou meus dedos e, curvando mais a cabeça, levou-o até seu pescoço, fazendo-me tocar no mesmo ponto onde tocara antes. Suspeitei que fosse ela.

Download Filme Onde Andará Dulce Veiga? INFORMAÇÕES DO FILME Ano de Lançamento: Gênero: Aventura / Drama Tempo Nos anos de , um jornalista decide descobrir o paradeiro de Dulce Veiga, uma. Oscar Magrini Alberto Veiga. Nuno Leal Maia Rafic. Matilde Mastrangi Iracema. Maitê Proença Dulce Veiga Star Filmes See more». Show more on . nde andará dulce veiga carolina dieckmann, onde andará dulce veiga livro, onde onde andará dulce veiga filme download, taşınabilir fabuła Onde Andará . Dulce Veiga (Maitê Proença) é uma atriz e cantora que fez sucesso durante um curto período de tempo e que desapareceu misteriosamente. Caio (Eriberto. Dulce Veiga (Maitê Proença, de Tolerância) desapareceu durante as filmagens Onde Andará Dulce Veiga? certamente não é um filme para qualquer público.

Meu cabelo começara a cair. Eu também conhecera melhores tempos p. Mas tentei p. Certa tarde, outro tempo. Aqueles objetos, estas memórias. Se duas pernas de cadeira, mesa ou mulher. Se dois braços de poltrona, de fera ou macho p. A palavra aparece na mente do narrador em quatro momentos da narrativa: ao ouvir as Vaginas Dentatas cantando Nada além, ao refletir sobre a palavra e traduzi-la como um sentimento com pena, na lembrança d ele Saul e no encontro com Dulce em Estrela do Norte.

Os homens saíram correndo, eu fui embora. Dentro do elevador, ou na saída do prédio, ouvi os homens dando socos e pontapés na porta do apartamento.

De certa forma, aquele beijo ainda ardia. Como se um pedaço da minha boca, durante todos aqueles anos tivesse ficado perdido, grudado na boca de Saul p.

Realidade que nosso narrador busca erraticamente na urbe paulista e só vai ser encontrada afastado dela. Ao conversar com a cantora e dividir suas paranoias e suspeitas, recebe como resposta um sorriso, como se achasse engraçado o que eu dizia p. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse até o fim do mundo.

Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Purificado pelo Daime, renascido no encontro com Dulce, quando finalmente encontra o real, nosso narrador reestabelece seus vínculos afetivos, engendrados em meio à busca, em um sonho no qual todos os personagens se fazem presente: Entre as sobrancelhas e o início dos cabelos, no centro da minha testa, havia um ponto como a lente na extremidade de um telescópio que eu apontava para as pessoas que amava, e estavam distantes.

Ao lado de Castilhos, Teresinha O'Connor também dormia.

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E Filemon, inteiramente nu, virado de bruços. E Jacyr, num pijama curto um tanto ridículo, a cara de Garfield estampada. E Jandira de Xangô, sem turbantes. E Lilian Lara, o lenço ainda nos cabelos, retesada como se estivesse desperta. E Alberto Veiga entre Arturo e Marco Antônio, numa cama de motel, redonda, e Pepito Moraes debruçado no piano do bar vazio, e todos os outros, e Lídia em sua casa de janelas azul-marinho, entre quadros inacabados, e os outros de antes deles, os de muito antes ainda.

Segundo Costa , p. Se achar melhor. Longe de tudo, perto do meu canto p. Às vezes apertava suavemente, parecia apalpar alguma coisa. Redonda, pequena, imperceptível p. É importante dizer que falamos aqui de um tempo no qual os homossexuais eram considerados um grupo de risco, e a doença uma espécie de praga gay. Dessa forma, Caio F. Assim, ao trabalharmos com a obra de Caio F. E ao mesmo tempo o aproximam de uma literatura que tematiza sobre a AIDS, diretamente relacionada a essas sexualidades desviantes.

Segundo Guacira Louro , p. Queer é, também, o sujeito da sexualidade desviante homossexuais, bissexuais, transsexuais, travestis, drags. In: O segundo sexo: fatos e mitos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, ; O segundo sexo: a experiência vivida.

Queer é um corpo estranho, que incomoda, perturba, provoca e fascina. Para isso, deveríamos deglutir o conceito e, antropofagicamente, nos apropriarmos daquilo que nos interessa, pois nós guardamos marcas histórias e culturais dos discursos que nos constituíram como periféricos História da sexualidade I: a vontade de saber.

Maria Thereza da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, Ao mesmo tempo, ao refletir sobre cultura ou identidade, ou nacionalidade, e olharmos somente para as questões da sexualidade acabamos por elidir do romance discussões que se referem à forma, visto que, via de regra, falamos aqui de representações.

Segundo a autora, o romance queeriza a experiência homoerótica, relacionando sexualidade e gênero com a cidade, logo com o caos. Se apagarmos os personagens ditos menores, como. Somente a atmosfera, visto que a ambivalência do narrador no que se refere a sua sexualidade pode ser contida somente na figura de Pedro e nas revelações da voz narrativa.

A ótica adotada é a da teoria queer e as relações entre a literatura e a sociedade. O intuito da autora é analisar o que ela chama de sexualidade dissidente nas obras, afirmando que a voz do homossexual é inserida no romance de Caio F.

Pela leitura proposta, a busca por Dulce seria a busca da própria sexualidade. Vizinho do narrador, o jovem é filho de Jandira de Xangô, a vizinha cartomante. Ou cliente dos rapazes do segundo andar, embora jovem demais para pagar homem. Eu estava enganado.

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Botas brancas até o joelho, minissaia de couro, cabelos presos no alto da cabeça, pulseiras tilintando, a maquiagem de prostituta borrada como se tivesse dormido sem lavar o rosto ou pintado a cara sem espelho era Jacyr p. Você sumiu, Jacyr. E arremata: Fico bem louca quando baixa, depois passa p. Ou seja, a crítica é feita a uma norma mais do que heterossexual, mas também sexista. Imbuídas de um espírito podemos dizer feminista mais radical afinal, as.

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Acho que ninguém sabe. Isso pode ser corroborado com as relações heterossexuais que o narrador apresenta: Lídia e Dora.

A primeira foi embora, deixando o apartamento. Ele era bonito. Todo claro, quase dourado. Eu gostava de mulher, eu tinha medo. Todos os medos de todos os riscos e desregramentos p. Ao encontrar o amor homossexual reinventa-se, mas perde esse jeito e o anterior ao perder esse amor.

Era bonita, sua boca. Tive uma vontade insensata de beijar aquela boca p. Naquele episódio, relata ele: Entre seus dedos frios, de unhas curtas, pintadas de preto, apanhou meus dedos e, curvando mais a cabeça, levou-o até seu pescoço, fazendo-me tocar no mesmo ponto onde tocara antes. Estendi os dedos sobre sua pele. Circundei-os, apalpei-os levemente. Ela fechou os olhos. Eram grânulos ovalados, fugidios. Tenho medo de procurar um médico, fazer o teste p. Na sequência: Toquei o pescoço, no lado direito.

Inaparentes, rolavam sob as pontas dos dedos p. Além de qualquer memória ou desejo, ele continuava a olhar para o fundo dos meus olhos.

Como alguém que vai morrer no próximo minuto pediria a um desconhecido, sangrando no asfalto, ele pedia. É preciso beijar meu próprio medo, pensei, para que ele se torne meu amigo.

Assim, entre o desaparecimento de Dulce e o seu reencontro, temos os dois beijos em Saul. Assim, qual o medo que o narrador beija? A sexualidade? A AIDS? Com uma experiência econômica e social integrada à voz que canta, esse narrador, para usarmos os termos de Garcia , é um flâneur no Rio de Janeiro.

Para, depois, findar o dia e recomeçar o outro. Segundo Garcia , p. E é essa dicotomia entre a forma e matéria, que ora aproxima o narrador, ora o repele, que seria a chave para entender a circularidade da obra, que vai da gostosa, quentinha, tapioca até o gostosa, quentinha, tapioca : essa ciclicidade seria a recusa em aceitar as consequências do rebaixamento cantado na própria obra p.

Explicamos: o tempo cíclico tem se mostrado a grande marca formal dos romances do autor. Dito isso e face ao mosaico romanesco que se forma, é importante dizermos que a fortuna crítica sobre esses romances é bastante vasta, seja pela qualidade, seja pela marca Chico Buarque. No portal exclusivo para teses , 17 trabalhos integram o corpus, e apenas 5 deles referem-se aos romances.

Logo após o lançamento de Estorvo , primeiro romance de Chico Buarque, Roberto Schwarz escreve uma resenha intitulada Um romance de Chico Buarque, publicada inicialmente na revista Veja, de 07 de agosto de , depois lançada no livro Sequências brasileiras.

Diz Schwarz , p. Se eu vivesse numa torre de marfim, isolado, talvez saísse um jogo de palavras com algo etéreo no meio [ Ou seja, o que sabe é controlado pelo narrador-câmera que permite que tenhamos pouquíssimos discursos diretos no romance, por exemplo.

Se por um lado este trabalho é devedor de algumas reflexões feitas por Ridenti, ele pretende ser também um avanço ao dar centralidade a questões de ordem estética. Mas como o romance se constituiria como balanço?

Douglas, e o esvaziamento da variante utópica pelo final sem saída. O tempo da narrativa pode ser calculado pelo intervalo entre os sete capítulos, todos correspondem ao espaço de uma semana BUARQUE, Benjamim Zambraia é o protagonista-título do romance. Mas nem só da pedra e da estaticidade constitui-se Benjamim. Essa empatia com o subalterno vai alcançar outro patamar quando decide doar suas roupas, em um momento de euforia, para os mendigos que vivem na frente do seu prédio.

Se o personagem revela-se como deslocado em seu tempo, Ariela Masé sente essa difícil temporalidade de outra forma. Jovem, com vinte e poucos anos, corretora de imóveis, vinda do interior e casada com Jeovan, um ex-policial.

Ao ser estuprada por um de seus clientes, por exemplo, aumenta os detalhes do acontecido. Os demais amantes de Ariela, distintos em suas trajetórias, corroboram esse senso de uma temporalidade especialmente difícil de compreender.

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De um lado, Zorza, que tem um papel mais lateral no romance, é amante de Ariela, casado e com dois filhos. Por outro lado, Aliandro Sgaratti, que em consulta a uma numeróloga muda seu nome para Alyandro, é um personagem bastante interessante: filho de uma prostituta, cresceu praticando pequenos e grandes furtos, até que se tornou pastor e agora é candidato a deputado federal.

De delinquente juvenil a político, Aliandro convenceu-se de que se acatasse as estatísticas, moraria até hoje nas palafitas, estaria tuberculoso, seria semianalfabeto p. Nessa época, Benjamim era famoso como modelo e também nas rodas de amigos na praia. Mas com o envolvimento de Castana num grupo de estudos com uns amigos novos, que se reuniam na casa do Professor para discutir a América Latina p.

Essa escolha sela seu destino e o do professor: a vida clandestina e o posterior assassinato pelo Estado repressor.

Essa necessidade da imagem é uma constante no romance, seja pelo narrador-câmera, seja pela memória de Benjamim, seja pela vaidade dos personagens. Ele precisaria que Castana Beatriz o encarasse como fez a moça no restaurante e depois na galeria p.

De maneira geral, mulheres de aspectos comuns. Mas enquanto Benjamim divaga sobre a namorada do passado passam-se sete anos pelo rosto de Castana Beatriz durante o minuto em que a contempla p. Esses rastros deixados formam um mosaico que se fecha somente ao final da narrativa. Assim esse recordar-se do passado por Benjamim é um revelar-se para nós. A moça, nesse momento, nem sabe quem é Benjamim. Mas quando ela tomou um ônibus no centro da cidade, talvez a divertisse saber que Benjamim a vigiava de uma padaria p.

Enquanto revive o passado, busca desculpas para o que aconteceu: se Castana tivesse feito outra coisa, nada daquilo teria acontecido, em uma tentativa de redimir-se consigo e também com Ariela. O motorista examina a miniatura de automóvel dourado que lhe caiu entre as pernas, depois aciona o taxímetro e pergunta aonde deve conduzir o cavalheiro p.

Ao rever o sobrado verde-musgo do passado, Benjamim mistura os tempos e, ao ver um carro ao seu lado, imagina ser uma viatura policial. O dedo, o fuzil, a metralhadora e o medo pressentido no personagem permitem que o leitor comece a desvendar o sumiço de Castana. E naquilo que temos por reminiscência talvez esteja um destino que, com jeito, poderemos arbitrar, contornar, recusar, ou desfrutar com intensidade dobrada p.

E admite: esqueceu-a de modo cabal, resgatando-a por culpa da filha p. O estranho apontou para foto tamanho passaporte, torta e diminuta naquela moldura, de um sujeito com o rosto esburacado. Batucou no vidro do porta-retratos e perguntou: conhece?.

Douglas, doutor Campoceleste deserda a filha. Apesar disso,. E a pergunta que ecoa: como ele sabe essas informações sobre o professor? Ao finalmente problematizar que nada garante que Ariela seja filha de Castana Beatriz p. Dessa forma, o personagem que poderia ser visto como ingênuo e boa gente, ganha ares de individualista e alienado. No topo da duna, o indivíduo requisitou os documentos de Benjamim, sem lhe apontar a metralhadora. Requisitou com civilidade, mas entre os dedos suados de Benjamim a carteira de crocodilo escorregava feito um sabonete.

Virou-se para o Barretinho, a quem chamou Zilé e ordenou-lhe que deixasse Benjamim em casa. Pelo canto dos olhos, Benjamim relanceou os homens que convergiam de postos esparsos para o sobrado verde-musgo. Vê a dobradiça que se desprende do batente, fazendo tombar a porta no assoalho do sobrado onde Castana Beatriz e seu amante talvez namorassem com mais fervor, enquanto tramavam derrubar o governo p. Marcado pela imobilidade e apatia de sua vida, Benjamim age de fato somente em dois momentos de sua vida: no seguir Castana e no seguir Ariela.

Nos dois casos, o saldo é a morte. Se esses assassinatos podem ser vistos por um lado como uma armadilha do destino, também podem ser vistos como fruto do desejo dos personagens: Benjamim persistindo na busca pela ex-namorada, Ariela indo até a casa de Benjamim. Destino ou desejo, é a memória dele, a sua armadilha ou. Assim, o romance termina onde começou: Mas para Benjamim Zambraia soa como um rufo, e ele seria capaz de dizer em que ordem haviam disparado as doze armas ali defronte.

Cego, identificaria cada fuzil e diria de que cano partira cada um dos projéteis que agora o atingiam no peito, e na cara. Segundo Ricoeur , ao tratarmos de memórias, precisamos saber de quem é a lembrança e do que é a memória. Assim para resumirmos o romance: Benjamim lembra de Castana. Mas quem é Benjamim? Quem é Castana?

O primeiro, um senhor deslocado em seu tempo, esperando a morte chegar, poderíamos dizer. Ela, o paraíso perdido e a culpa esquecida. O vetor dessa memória é Ariela, que se coloca agindo sobre três fatores: a apatia do presente, a felicidade e a infelicidade do passado, sendo que o primeiro age por contraste com os outros.

Benjamim é o senhor absoluto do seu passado e o narrador o seu mediador absoluto. Lembrando Seligmann-Silva , p. Da mesma maneira, as escolhas que a memória faz e que o discurso engendra mostram como essa história o constitui como sujeito. Podemos assim dizer que Benjamim se apropria de características de um romance de memórias, diferentemente de outro romance de Chico Buarque, Leite Derramado Nesse romance, o vetor da memória é Matilde, a mulher desaparecida do narrador.

Nesse romance, o narrador em primeira pessoa, Francisco de Hollander, busca o. O personagem vê a chegada dos policiais e ouve os tiros. Para refletirmos sobre isso, retomamos um conceito amplo de testemunho: ele pode ser feito, via de regra, tanto em primeira pessoa, pelo sobrevivente, como em terceira pessoa, pela testemunha ocular.

Para o autor, o testemunho se constitui pelo presente, ou seja, o local do testemunho é a memória, assim parte-se de um agora para reconstituir o que foi testemunhado como partimos do presente para rememorar. Assim, a testemunha restitui a sua humanidade ao narrar. Mas quando falamos em Benjamim, temos, além das questões teóricas referente à literatura de testemunho, o fato de que o seu lugar de testemunha ocular é marcado por um paradoxo: ele é testemunha e delator, mesmo que quase por fruto do acaso.

Assim, Benjamim carrega a marca da testemunha mas também a do algoz e a da incapacidade de narrar Se a lente de Benjamim é o narrador, como é essa lente que filtra os pensamentos e reminiscências do peripatético Benjamim Zambraia?

Contraditório, esse movimento entre escravismo e capitalismo é considerado a nascente de muitos dos nossos impasses, que inclusive sobrevivem até hoje: atrasado e moderno, o Brasil do século XIX se travestia de Europa enquanto escondia a senzala e os escravos de sua vista.

Na teoria explicitada, essa ideia fixa nada mais é do que a busca do sujeito dual pela completude. Cego, identificaria cada fuzil e diria de que cano partira cada um dos projéteis que agora o atingiam no peito, no pescoço e na cara. O prazo se esgotaria e sobreviria um ultimato, um apito, um alarme, mas Benjamim entenderia como ameaça de criança, contando até três um Concomitantemente ao uso de verbos no pretérito perfeito e imperfeito, que indicam algo que de fato aconteceu, o narrador utiliza o futuro do pretérito: seria, identificaria, diria, extinguiria, poderia, sobraria, preferiria, esgotaria, sobreviria, entenderia, deteria, aprenderia, surpreenderia, alcançaria, cessaria e caberia.

Uma noite Benjamim o viu fumando na poltrona Benjamim foi de cargueiro em seu encalço Dessa forma, nessa ambivalência, conhecemos Benjamim e seu narrador. Podemos inferir, ao longo do romance, que o personagem é aparvalhado, egocêntrico, alucinado etc. Segundo ele, adquiriu uma câmera invisível desde a adolescência e decidiu abolir a ridícula coisa quando o primeiro fio de cabelo branco apareceu. Assim, essa câmera ironiza: [Benjamim] sabe que, se uma lente perspicaz focalizasse sua.

Mas isso de fato acontece, pois focalizamos o maníaco que o personagem se tornou. Ou ainda: E indica um senhor muito bem vestido que se aproxima olhando fixo para Ariela, possivelmente acreditando que seja ela a fiscal da gincana p.

O narrador assume o personagem, induzindo o leitor a crer na sua forma enquanto observador. Para o narrador talvez o rapaz tenha visto Benjamim ou talvez evitasse o confronto, pois essa é a etiqueta p. No contraponto, Castana Beatriz, jovem rica e intelectualizada, e Benjamim, relativamente intelectualizado mas pertencente a uma classe mais baixa.

Como o narrador nunca assume o foco em Castana, poderíamos pensar que todas as menções a ela se referem a divagações de Benjamim, mas se o narrador é câmera e o acompanha, ele também estaria presente naquele passado.

A índia sabia apenas que tal mulher fora um sacrilégio do homem da foto [que Ariela possui], e fora uma demônia e fora a causa de toda a desgraça p. Nosso narrador se compõe assim de uma terceira pessoa que funciona como uma câmera em um movimento circular, quase espiralado, como o romance Estorvo:.

Se o narrador em terceira pessoa, tradicionalmente, é um narrador distanciado, aqui ele perde esse afastamento: o indireto livre confunde as vozes e o leitor, em um artificio que vai do personagem para o narrador e desse para o personagem. É na morte de Benjamim que esse narrador elabora a linguagem. Enfim, o capitalismo continua empilhando vitórias p.

No plano estético, o narrador buarquiano se confunde com o personagem em um processo de ambivalências. Assim se constrói a ambiguidade do discurso que carrega em si o passado recalcado e a impossibilidade de futuro. Pela nossa hipótese, o ponto de vista da morte, em um processo de ambiguidade, mescla discursos pois emula na estrutura narrativa, no narrador e no personagem, os impasses do nosso fim de século: passado recalcado e futuro impossível.

Na forma, no romance de Caio F. Somado a isso, as diferenças reiteradas na cartografia dos romances. A partir de. Tudo isso mediado pelo narrador-câmera que assume os diferentes focos. Premonições e arrepios que se repetem ao longo do romance, surpreendendo o leitor e de certa forma até o protagonista. Teria se apropriado dos traços de. Poderíamos ter versões diferentes que partem de locais sociais de fala diferentes: o jovem estudante, o professor, o jornalista.

Assim, o silenciamento constitui também o romance. Para além de comparações qualitativas, tratamos de romances contemporâneos que circundam o tema da ditadura pela forma memorialística. Da mesma maneira, esse tom confessional quer ser ouvido, postulando um eu leitor. Essa falta do eu se daria pela própria falta de uma identidade em um país diverso.

Além disso, que legitimidade teria esse enunciador?

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Assim, para falamos de um passado precisamos fingir ou ficcionalizar para sermos verdadeiros. Para assumir a própria culpa, o jornalista narra. Desse modo, o dado da categoria memória e o dado local da nossa linhagem de memórias servem para desnudar um passado recalcado nos romances de Caio F.

Escrevemos sobre o passado para entendê-lo mas também para sobrevivermos a própria pecha de país do futuro, aquele que nunca chega. Milton Hatoum, nos dois romances, traz dois narradores distanciados e intelectualmente ilustrados que recriam um passado manauara que é individual e também coletivo. A narradora de Adriana Lisboa, Vanja, que ao contar a sua vida em pleno século XXI descobre estar atrelada a um tempo que teoricamente nem era o dela e sim de Fernando, o guerrilheiro.

Nael e Lavo, Gustavo, o jornalista, Vanja: ou ocupam posições como professor, escritor, jornalista, ou se constituem assim pela própria feitura da narrativa romanesca. Ao mesmo tempo, o senhor K. Por esse recorte, poderíamos dizer que somente com o trabalho intelectual é possível sobreviver.

Ou somente transformando a vivência em narrativa, em discurso, é possível sobreviver. Para garantir a legitimidade desses narradores, enunciadores intelectualizados e confessionais, ou a falsa aparência distanciada de uma terceira pessoa-câmera.

Essa desaparecida que aparece na fotografia do outro lado da vida se coloca assim ao lado dos nossos desaparecidos nos romances: Dulce Veiga, Saul e Castana Beatriz. Assim, o personagem, da morte até a morte, tem o fim de sua vida narrado. A memória impedida dessa terceira pessoa se coloca como a chave para encontrar Dulce e se mostra como condutora do re encontro do narrador consigo mesmo.

Esse nome deflagra no narrador sentimentos que reforçam o mistério do encontro entre eles, alegando assim o narrador: Saul: aquele nome despertava alguma coisa em mim.

Seguindo esses rastros, da memória do narrador e de Dulce, ao encararmos o romance como um gênero policial, somos levados a duas hipóteses sobre o desaparecimento: uma fuga no sentido espiritual, pois a cantora sempre dissera que queria encontrar outra coisa ABREU, , p. Importante frisar que quem o narrador teme lembrar é exatamente aquele que foi de fato preso e torturado pelo regime. Por outro lado, o jogo memorialístico do jornalista de Caio F.

Nos dois casos falamos da juventude desses protagonistas e de um momento histórico, a ditadura militar, criando uma ambivalência no próprio sentido desse paraíso, no melhor sentido Ai que saudade que eu tenho dos meus negros verdes anos CACASO, , o que é constitutivo do foco narrativo dos dois romances.

No primeiro estamos falando provavelmente de um período pós AI-5, o que intensifica o impasse e depõe contra a figura do narrador; o segundo aponta para a um período ditatorial mas ainda marcado pela efervescência cultural.

Contudo, esse paraíso perdido é problematizado na obra de Caio F. Era horrível pensar aquilo. Se os esquecimentos e perturbações do narrador passam pela culpa, ele divide seus remorsos apenas com seus leitores, procurando minimizar seu possível erro: De que.

Lembra o passado, apaga o presente e aponta para o futuro, soterrando Saul novamente. Sem chances de recomeços, o. Se a memória se mostra semelhante, o esquecimento e o trauma também: ambos se culpam por delações acontecidas no regime militar e que foram relegadas ao esquecimento, banindo o trauma para seus subconscientes. À vista disso, retomam o trauma ao olhar para o passado, reelaborando-o no presente narrativo.

Também pensando na conjuntura da violência da guerra, Walter Benjamin escreve seus ensaios Experiência e Pobreza e O narrador Segundo o autor, traumatizados pela guerra, desmoralizados pela experiência de violência ao outro e a si próprio, os soldados voltam silenciosos da frente de batalha. Obscuro mas presente na memória, essas recordações aparecem em outra modalidade, a do esquecimento, local no qual Dulce Veiga, Saul e Castana Beatriz se encontravam para os protagonistas. Porém, para pensarmos nesses personagens como testemunhas precisamos rever algumas questões referentes à literatura de testemunho como categoria teórica.

A primeira referente ao regime nazista, tendo como articuladores o trauma e a história da memória. Seu percursor é o romance Biografia de un Cimarrón , de Miguel Barnet, que consiste nas transcrições dos relatos orais de um escravo cubano feito pelo autor. Assim esse testemunho às avessas parte das ambiguidades acerca dessas testemunhas. É ainda um testemunho? Se ele se vincula a um passado vivido, sim, mas sem a sobrevivência e tendo certa cumplicidade como centro, a marca é a ambiguidade.

Se o testemunho de terceiros tem a ideia da objetividade, e o do sobrevivente é marcado pela subjetividade, onde se encaixa o testemunho ambivalente? Ao articularmos assim as reflexões de falta de um projeto coletivo, interrompido com o golpe e nunca retomado, e de esquecimento engendrado nos romances, somos remetidos ao plano cronológico de feitura dessas obras.

Ao nos depararmos com esses dois romances somos levados a dois planos: o ficcional e o real, e em ambos somos remetidos a um passado recente e infeliz da história brasileira.

O compromisso é com esses. Elaborando a sua vivência e seu trauma através do discurso, o narrador desvela os seus fantasmas e a sua falta de perspectivas em um futuro pela própria fantasmagoria daquele passado.

Guardadas as devidas proporções, tanto o jornalista quanto Benjamim também possuem os seus fantasmas e sentem a ausência de um futuro. Assim, podemos assumir que ambos possuem um ponto de vista em comum: o da morte iminente. Ponderamos que Benjamim guarda uma característica peculiar, a narrativa em terceira pessoa, conforme vimos no subcapítulo 2.

Esses narradores internalizam as concepções de sujeito que esses sistemas dicotômicos externalizam e, assim, incompletos, por carregarem em si características excludentes, buscam a completude pela ideia fixa. Pelo argumento exposto, esses narradores mergulham nos problemas estruturais da sociedade ao adotarem um ponto vista impossível: o da morte ou o da sua iminência e assim se constituírem enquanto narrador. Mas qual seria o problema estrutural internalizado no s romance s , seguindo o raciocínio de Pasta ?

Por outro lado, o regime militar é findado, vivemos pois em uma democracia liberal. Por outro lado, no romance de Caio F. Apesar disso podemos assumir o seu ponto de vista como o da morte iminente. Afinal falamos de um romance que poderia ser policial, poderia ser noir, poderia ser kitsch. Por quê? Condenado pelas rememorações Ariela o leva a Castana, ao trauma e à morte por fuzilamento , Benjamim sofre uma vingança quase banal do passado.

A ciclicidade no romance de Caio F. Dessa forma, as ciclicidades revelam características diferentes: em Caio F. Enquanto Caio F. Benjamim parece forjar a pergunta apontada por Schwarz , p. Se em. Trabalho que é compartilhado pela voz narrativa: o jornalista efetua um novo.

O filme, de certa forma, como os sonhos para Freud, realiza um desejo que a realidade bloqueia. O passado é recalcado, o presente é fragmentado e o futuro é impossível. Denunciando a violência mas também fazendo uma auto crítica, essas obras testemunham pela vivência o período ditatorial.

Morangos Mofados. Refletimos assim sobre produções que estavam diretamente atreladas ao seu universo histórico-social, compondo literariamente seu tempo. Ao mesmo tempo, lidamos com uma outra figura intelectualizada, o senhor K. Concomitantemente, retoma o romantismo. Conforme vimos no capítulo 2.

Assim, o romantismo presente, pela leitura que aqui nos propusemos, se refere ao protagonista e seu paraíso perdido no passado.

Resta ao narrador fílmico observar o fuzilamento. O esquecimento da tortura e dos assassinatos de militantes políticos e inocentes civis é exemplar. Benjamim relembra o seu passado através de Ariela, suposta filha de Castana Beatriz, e esse passado é marcado por um duplo: o paraíso perdido do personagem e a morte de Castana pelo regime militar. Ao aproximarmos esses romances com vistas a iluminar suas leituras, investigamos categorias que emergem das próprias narrativas: a memória, o esquecimento, o trauma, o testemunho, bem como suas matrizes formais de circularidade que mantém um ponto de vista em comum, o da morte.

Para investigarmos como a memória se constrói e se revela nesses. Segundo Fischer , ao escrever sobre o passado, essas obras apontam a própria busca das origens, o que freudianamente falando pode ser entendida como a busca paterna. Incorporando essa.

Traumatizados, o jornalista e Benjamim levam uma vida entre o fracasso e o patético até conseguirem rememorar, ato condutor da narrativa e de suas vidas.

Da mesma forma, Nael, Lavo e o senhor K. A grande peculiaridade desse romance é exatamente a escolha paterna, Fernando, que desconstrói a figura heroica do militante. Conforme vimos anteriormente, a bibliografia consolidada da literatura de testemunho gira em torno da Shoah e do Testimonio, com características diferentes entre eles. Porém, essa literatura de testemunho é considerada a história dos vencidos, das vítimas ou dos sobreviventes. Dessa forma essas testemunhas carregam em si características que poderiam ser consideradas excludentes, mas que se colocam como.

Esses mecanismos opostos constituem os sujeitos que, incompletos, buscam na ideia fixa a sua completude. Ela é otimista e enganadora em Caio F. Dessa maneira, forjam o testemunho à brasileira : a testemunha ambígua que carrega em si a pecha de delator mas também de vítima das circunstâncias.

Ao analisarmos todos os romances podemos apostar em algumas hipóteses para o balanço feito pela literatura brasileira contemporânea na democracia. Para pensarmos nisso é importante retomarmos a crise pressentida por Schwarz nas narrativas dos anos que crise era essa? E utilizaremos novamente das palavras de Schwarz, mas agora em seu texto Fim de Século , p. Com Gustavo, de Bracher, a memória é o dispositivo para resolver o seu trauma, agora transformado em discurso e em Vanja, de Adriana Lisboa, é a memória dela e de Fernando que compõem o presente.

Associados aos romances de Caio F. Assim, através do trabalho intelectual, aquele emulado em alguns desses romances, conseguimos começar a refletir sobre esses traumas e heranças. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, Porto Alegre: Iel, As frangas. Ítalo Moriconi org. Rio de Janeiro: Aeroplano, In: Ficções. Rio de Janeiro, ano I, n. Porto Alegre: Sulina, Limite Branco. O ovo apunhalado.

Onde Andará Dulce Veiga?: Um Romance B

Um romance B. Rio de Janeiro Nova Fronteira, Ovelhas Negras. Textos escolhidos. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Teoria Estética. Lisboa: Edições 70, A letra, o corpo e o desejo uma leitura comparada de Puig, Abreu e Bayly.

Tese Doutorado em Letras. In: Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n. Os subterrâneos da liberdade. O rei da vela. In: Revista Estudos Feministas. Notas sobre A nova narrativa, de Antônio Candido: experimentalismo na narrativa e impasses do narrador depois do colapso do populismo. Revista Letras, Curitiba, n. In: Revista Letras, Curitiba, n. Urano Filmes, 92 minutos.

Literatura de testemunho e regime militar: breves apontamentos teóricos. O segundo sexo: fatos e mitos. O segundo sexo: a experiência vivida. Pelas noites: identidades homoeróticas em Caio Fernando Abreu.

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