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Assim Falava Zaratustra. Frederico Nietzsche. Tradução base. José M endes de Souza. Versão para eBook. papawemba.info Fonte Digital. Digitalização de. Nietzsche, por meio da lendária figura do filósofo persa do século VI a.C., apresenta os grandes temas de sua construção filosófica: o além-do-homem. "Assim falava Zaratustra", o livro mais famoso e controverso de toda a obra nietzschiana, lança mão da figura semilendária do filósofo persa do século.

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Que importa isso a Zaratustra! Se Zaratustra diz isso é porque o silêncio o convoca para o seu retiro e para a necessidade de parar de tagarelar. A tua sorte foi que riram de ti; e, na verdade, falaste como um palhao. Sua verdade diz: ficar desperto para bem dormir. Muitas pessoas influenciaram Hitler,inclusive Charlie Chapplin, do qual ele adotou o mesmo bigode do personagem Carlitos. No impossvel que a atitude da jovem russa contribusse para tornar mais speras, na obra, certas opinies bastantes misginas, que, de supor-se, j deviam existir no varonil pensamento de Zaratustra. Friedrich nietzsche assim falou zaratustra 1. Ou segues tu mesmo, agora, porventura, os caminhos dos ladres, tu, o amigo dos malvados? De que modo é possível querer o foi? Aula 1: Prólogo de Zaratustra. Unknown 27 de setembro de A quarta parte de Assim falou Zaratustra, por exemplo, que passou a ser a ltima, provavelmente, por esse motivo numa carta, fala-se em cinco como sendo o nmero de partes previstas -, teve Nietzsche de faz-la imprimir a expensas de suas limitadssimas posses, em somente quarenta exemplares; e no encontrou mais de sete pessoas s quais julgasse conveniente enviar um exemplar. Acontece, porm, que essa "poesia filosfica" fosse ou no sugerida pelas recordaes de fragmentos pr-socrticos, tem por autor um escritor ps-romntico, admirador de Goethe, de. É melhor amaldiçoar também um pouco! Ou é isso: alimentar-se das bolotas e da erva do conhecimento e pela verdade padecer fome na alma? Com frequência pulo degraus ao subir — isso nenhum degrau me perdoa.

Nietzsche, por meio da lendária figura do filósofo persa do século VI a.C., apresenta os grandes temas de sua construção filosófica: o além-do-homem. "Assim falava Zaratustra", o livro mais famoso e controverso de toda a obra nietzschiana, lança mão da figura semilendária do filósofo persa do século. “Assim falava Zaratustra” é um dos pontos altos da obra de Nietzsche e ele sabia disso: não faltam referências à obra nas páginas de outros. AssiM fALOU. ZARAtUstRA assim falou zaratustra: um livro para todos e para ninguém .. riqueza. Para isso devo baixar à profundeza: como fazes à noite. Compre o eBook Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, na loja eBooks Kindle. Encontre ofertas, os livros mais vendidos e dicas de leitura na Amazon.

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Oh, essa alma era, ela mesma, ainda magra, horrvel e faminta; e a crueldade era a sua volpia! Mas tambm ainda vs, meus irmos, dizei-me: que vos informa vosso corpo a respeito da vossa alma? No ela misria, sujeira e mesquinha satisfao? Em verdade, um rio imundo, o homem. E realmente preciso ser um mar, para absorver, sem sujar-se, um rio imundo.

Vede, eu vos ensino o super-homem: ele o mar onde pode submergir o vosso grande desprezo. Que podeis experimentar de mais excelso? A hora do grande desprezo. A hora em que tambm a vossa felicidade se converte em nusea, do mesmo modo que a vossa razo e a vossa virtude. A hora em que dizeis: 'Que me importa a minha felicidade! No passa de misria, sujeira e mesquinha satisfao. Mas, justamente, a minha felicidade que deveria justificar a existncia! Acaso cobia ela o saber, como o leo o seu alimento?

No passa de' misria, sujeira e mesquinha satisfao! Ainda no me fez delirar. Como estou farto daquilo que, para mim, o bem e o mal! Tudo isso no passa de misria, sujeira e mesquinha satisfao! No vejo que por ela eu me tornasse carvo em brasa. Mas o justo torna-se carvo em brasa! No a compaixo a cruz na qual se prega aquele que ama os homens? Mas a minha compaixo no crucificao. J gritastes assim?

Ah, se eu vos tivesse ouvido, algum dia, gritar assim! No o vosso pecado, a vossa moderao brada aos cus, a. Mas Zaratustra olhou, admirado, para o povo. Depois, falou assim: "O homem uma corda estendida entre o animal e o superhomem - uma corda sobre um abismo. O que h de grande, no homem, ser ponte, e no meta: o que pode amar-se, no homem, ser uma transio e um ocaso. Amo os que no sabem viver seno no ocaso, porque esto a caminho do outro lado.

Amo os grandes desprezadores, porque so os grandes veneradores e flechas do anseio pela outra margem. Amo aqueles que, para o seu ocaso e sacrifcio, no procuram, primeiro, um motivo atrs das estrelas, mas se sacrificam terra, para que a terra, algum dia, se torne do super-homem.

Amo aquele que vive para adquirir o conhecimento e quer o conhecimento para que, algum dia, o super-homem viva. E quer, assim, o seu prprio ocaso.

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Amo aquele que trabalha e faz inventos para construir a casa. Amo aquele que ama a sua prpria virtude: porque a virtude vontade de ocaso e uma flecha do anseio. Amo aquele que no guarda para si uma s gota de esprito, mas quer ser totalmente o esprito da sua virtude: assim transpe, como esprito, a ponte. Amo aquele que da sua virtude faz o seu prprio pendor e destino: assim, por amor sua virtude, quer ainda e no quer mais viver.

Amo aquele que no deseja ter demasiadas virtudes. Uma s virtude mais virtude do que duas, porque um n mais forte ao qual se agarra o destino. Amo aquele que prodigaliza a sua alma, no quer que lhe agradeam e nada devolve: pois sempre dadivoso e no quer conservar-se. Amo aquele que sente vergonha se o dado cai a seu favor e que, ento, pergunta: 'Sou, acaso, um trapaceiro?

Amo aquele que atira palavras de ouro precedendo seus atos' e, ainda assim, cumpre sempre mais do que promete: pois quer o seu ocaso.

Amo aquele que justifica os seres futuros e redime os passados: porque quer perecer dos presentes. Amo aquele que pune o seu Deus, porque o ama: pois dever perecer da ira do seu Deus.

Amo aquele cuja alma profunda tambm na mgoa e pode perecer de uma pequena ocorrncia pessoal: assim transpe a ponte de bom grado.

Amo aquele cuja alma to transbordante, que se esquece de si mesmo e que todas as coisas esto nele: assim, todas as coisas tornam-se o seu ocaso. Amo aquele cujo esprito e corao so livres: assim, nele, a cabea apenas uma vscera do corao, mas o corao o arrasta para o ocaso. Onde est o raio que vos lambe com sua lngua?

Onde, a loucura com que devereis ser vacinados? Vede, eu vos ensino o super-homem: porque ele esse raio e essa loucura! Mas o funmbulo, julgando que o discurso se houvesse referido a ele, preparou-se para o seu trabalho. Amo todos aqueles que so como pesadas gotas caindo, uma a uma, da negra nuvem que paira sobre os homens: prenunciam a chegada do raio e perecem como prenunciadores. Vede, eu sou um prenunciador do raio e uma pesada gota da nuvem; mas esse raio chama-se super-homem.

Ser preciso retumbar como tambores e pregadores de sermes quaresmais? Ou acreditaro somente nos que gaguejam? Possuem alguma coisa da qual se orgulham. Como chamam mesmo, quilo que os torna orgulhosos? Por isso ouvem com desagrado, a seu respeito a palavra 'd esprezo '. Vou, portanto, falar-lhes ao orgulho. J tempo de o homem plantar a semente da sua mais alta esperana.

Seu solo ainda bastante rico para isso. Mas, algum dia, esse solo estar pobre e esgotado, e nenhuma rvore poder mais crescer nele. Ai de ns! Aproxima-se o tempo em que o homem no mais arremessar a flecha do seu anseio para alm do homem e em que a corda do seu arco ter desaprendido a vibrar! Eu vos digo: preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar luz uma estrela danante.

Eu vos digo: h ainda caos dentro de vs. Aproxima-se o tempo em que o homem no dar mais luz nenhuma estrela. Aproxima-se o tempo do mais desprezvel dos homens, que nem sequer saber mais desprezar-se a si mesmo.

Eu vos mostro o ltimo homem. Que criao? Que anseio? Que estrela? A terra, ento, tornou-se pequena e nela anda aos pulinhos o ltimo homem, que tudo apequena. Sua espcie inextirpvel como o pulgo; o ltimo homem o que tem vida mais longa.

Assim Falou Zarathustra

Abandonaram as regies onde era duro viver: porque o calor necessrio. Cada qual ainda ama o vizinho e nele se esfrega: porque o calor necessrio. Adoecer e desconfiar pecado, para eles: deve-se andar com toda a ateno. Um tolo, quem ainda tropea em pedras ou homens! De quando em quando, um pouco de veneno: gera sonhos agradveis. E muito veneno, no fim, para um agradvel morrer. Ainda trabalham, porque o trabalho um passatempo. Mas cuidam de que o passatempo no canse. Mais ningum torna-se rico ou pobre: por demais penosas so ambas as coisas.

Quem, ainda, deseja governar? Quem, ainda, obedecer? Por demais penosas so ambas as coisas. Nenhum pastor e um s rebanho! Todos querem o mesmo, todos so iguais; e quem sente de outro modo vai, voluntrio, para o manicmio. Zangam-se, ainda, mas logo reconciliamse - para no estragar o estmago. Tm seus pequenos prazeres para o dia e seus pequenos prazeres para a noite; mas respeitam a sade.

E aqui terminou o primeiro discurso de Zaratustra, tambm chamado "o prlogo": pois, nesse ponto, foi ele interrompido pela algazarra e o jbilo da multido. E ns te damos de presente o super-homem! Mas Zaratustra entristeceu-se e disse ao seu corao: "Eles no me compreendem: eu no sou a boca para esses ouvidos. Demasiado tempo, decerto, vivi na montanha, por demais escutei os crregos e as rvores: falo com eles, agora, como os pastores de cabras.

Assim Falou Zaratustra

Serena est minha alma e clara como a montanha pela manh. Mas eles me acham frio e julgam-me um zombador que diz sinistras pilhrias. E olham para mim rindo e, rindo, ainda me odeiam. H gelo no seu riso. Estava ele, justamente, na Para que eu no te comiche com o meu calcanhar! Que fazes aqui, entre as torres?

Dentro da torre teu lugar! Este, ao ver, assim, o rival triunfar, perdeu a cabea e o p; deitou fora a maromba e, mais depressa do que esta, num remoinho de braos e pernas, despencou no vazio. A praa e o povo, ento, pareceram um mar revolto pela tempestade: todos fugiam em debandada e atropelo, principalmente no lugar onde o corpo iria espatifar-se. Zaratustra, no entanto, no se moveu, e foi justamente perto dele que o corpo caiu, gravemente ferido e com os ossos.

Aps algum tempo, o infeliz recuperou os sentidos e viu Zaratustra de joelhos a seu lado. Agora, ele me arrasta para o inferno; pretendes impedi-lo? A tua alma estar morta ainda mais depressa do que o teu corpo; portanto, no receies nada! No sou muito mais do que um bicho, que ensinaram a danar fora de pancadas e pouca comida. Morres, agora, vtima do teu. Mas Zaratustra permaneceu sentado no cho, junto do morto, engolfado em pensamentos; e, assim, esqueceu-se do tempo. Por fim, contudo, chegou a noite, e um vento frio soprou sobre o solitrio.

Levantou-se, ento, Zaratustra, e disse ao seu corao: "Em verdade, uma linda pescaria fez hoje Zaratustra! No pescou nenhum homem, mas um cadver. Assombrosa a existncia humana e ainda sem qualquer sentido: pode um palhao tornar-se-Ihe fatal. Quero ensinar aos homens o sentido do seu ser: que o super-homem, o raio que rebenta da negra nuvem chamada homem.

Mas estou ainda longe deles e o sentido do que eu falo no diz nada aos seus sentidos. Ainda sou, para os homens, um ponto intermdio entre um doido e um cadver. Escura a noite, escuros so os caminhos de Zaratustra. Vem, rgido e frio companheiro! Vou levar-te para onde te sepulte com minhas mos. Mas, nem bem tinha dado cem passos, um homem se lhe acercou de mansinho e murmurou alguma coisa ao seu ouvido - e eis que quem falava era o palhao da torre. Odeiam-te os bons e os justos, e chamam-te seu inimigo e desprezador; odeiam-te os crentes da verdadeira f, e chamam-te um perigo para a multido.

A tua sorte foi que riram de ti; e, na verdade, falaste como um palhao. A tua sorte foi que te acamaradaste com esse co morto; ao rebaixar-te assim, salvaste-te, por hoje. Mas vai-te embora desta cidade; - ou, amanh, eu pulo por cima de ti, um vivo por cima de um morto.

Na porta da cidade, encontrou-se com os coveiros, que iluminaram seu rosto com os archotes, reconheceram Zaratustra e riram muito dele. Porque nossas mos so demasiado limpas para essa carne assada.

Acaso Zaratustra pretende roubar ao Diabo o bocado que lhe cabe? Pois muito bem! Bom apetite, e que lhe faa bom proveito! Contanto que o Diabo no seja um ladro melhor que Zaratustra - e roube e coma os dois!

Zaratustra no lhes deu resposta e continuou seu caminho. Aps andar duas horas, perlongando florestas e brejos, tinha ouvido bastante o faminto uivar dos lobos, e ele mesmo sentiu fome. De sorte que parou diante de uma casa solitria, onde havia um lume aceso.

Singulares caprichos, tem minha fome. Vem-me, amide, so-. Surgiu trazendo um lume, e perguntou: "Quem procura por mIm e pelo meu mau sono? Quem d de comer ao faminto regala a sua prpria alma: assim fala a sabedoria. O velho retirou-se, mas, logo depois, voltou, oferecendo a Zaratustra po e vinho.

Bichos e homens procuram por mIm, o eremIta. Mas manda tambm o teu companheiro comer, ele est mais cansado do que tu. Comei e passai bem. Mas, a? E logo adormeceu, com o corpo cansado, mas a alma tranqila. E aSSIm, entao, falou ao seu corao: ".

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Uma luz raiou em mim: no multido fale Zaratustra, mas a companheiros! No deve Zaratustra tornar-se pastor e co de um rebanho! Atrair muitos para fora do rebanho - foi para isso que vim.

Dever irar-se comigo a multido e o rebanho: 'ladro', quer chamar-se Zaratustra para os pastores. Pastores digo eu mas eles se dizem os bons e os justos. Olhai-os os bons e os justos! A quem odeIam maIS que todos? Olhai-os os crentes de todas as fs! A quem odeiam mais que todos? Companheiros, procura o criador, e no cadveres; nem, t ampouco rebanhos e crentes.

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Participantes na criao, procura o criador, ,que escrevam novos valores em n? Ma,s faltamlhe as cem foices e, assim, irritado, vai arrancando espIgas. Destruidores, sero chamados, e desprezadores do bem e do mal. Mas so eles que faro a colheita e a festejaro. Participantes na criao, procura Zaratustra, participantes na colheita e festejadores, procura Zaratustca; que tem ele a ver.

E tu, meu primeiro companheiro, repousa em paz! Ests bem sepultado em tua rvore oca, ests bem protegido contra os lobos. Mas separo-me de ti, o tempo acabou. Entre uma aurora e outra, uma nova verdade apareceu-me. No pastor, devo ser, nem coveiro. No quero mais, sequer, falar novamente ao povo; pela ltima vez, falei a um morto.

Quero unir-me aos que criam, que colhem, que festejam; quero mostrar-lhes o arco-ris e todas as escadas do super-homem. Cantarei minha cano aos que vivem solitrios ou em soli do a dois; e, quero que, quem ainda tem ouvidos para o que nunca se ouviu, sinta minha ventura oprimir-lhe o corao. Quero atingir a minha meta, quero seguir o meu caminho; e pularei por cima dos hesitantes e dos retardatrios. Que a minha jornada seja a sua runa! Possam guiarme os meus animais! Pudesse eu ser prudente por natureza, como a minha serpente!

Mas estou pedindo o impossvel; assim, peo minha altivez que acompanhe sempre a minha prudncia. E se,algum dia, a minha prudncia me abandonar - ah, como gosta de bater asas!

E eis que viu uma guia voando em amplos crculos no ar e dela pendia uma serpente, no como presa, mas como amiga, pois se segurava enrolada em seu pescoo. Querem saber se Zaratustra ainda est vivo. Em verdade, estou eu ainda vivo?

Encontrei mais perigos entre os homens do que entre os ani Das trs metamorfoses Trs metamorfoses, nomeio-vos, do esprito: como o esprito se torna camelo e o camelo, leo e o leo, por fim, criana. Muitos fardos pesados h para o esprito, o esprito forte, o esprito de suportao, ao qual inere o respeito; cargas pesadas, as mais pesadas, pede a sua fora. No ser isto: humilhar-se, para magoar o prprio orgulho?

Fazer brilhar a prpria loucura, para escarnecer da prpria sabedoria? Ou ser isto: apartar-se da nossa causa, quando ela celebra o seu triunfo? Subir para altos montes, a fim de tentar o tentador? Ou ser isto: alimentar-se das bolotas e da erva do conhecimento e, por amor verdade, padecer fome na alma?

Ou ser isto: estar enfermo e mandar embora os consoladores e ligar-se de amizade aos surdos, que no ouvem nunca o que queremos? Ou ser isto: entrar na gua suja, se for a gua da verdade, e no enxotar de si nem as frias rs nem os ardorosos sapos?

Mas, no mais ermo dos desertos, d-se a segunda metamor. Procura, ali, o seu derradeiro senhor: quer tornar-se-Ihe ini. Qual o grande drago, ao qual o esprito no quer mais chamar senhor nem deus? Mas o esprito do leo diz: "Eu quero. Todo o valor j foi criado e todo o valor criado sou eu. Na verdade, no deve mais haver nenhum 'Eu quero'! Assim fala o drago. Meus irmos, para que preciso o leo, no esprito? Do que j no d conta suficiente o animal de carga, suportador e respeitador?

Criar novos valores - isso tambm o leo ainda no pode fazer; mas criar para si a liberdade de novas criaes - isso a pujana do leo pode fazer. Conseguir essa liberdade e opor um sagrado "no" tambm ao dever: para isso, meus irmos, precisa-se do leo.

Conquistar o direito de criar novos valores - essa a mais terrvel conquista para o esprito de suportao e de respeito.

Constitui para ele, na verdade, um ato de rapina e tarefa de ani. Como o que h de mais sagrado amava ele, outrora, o "Tu deves"; e, agora, forado a encontrar quimera e arbtrio at no. Mas dizei, meus irmos, que poder ainda fazer uma criana, que nem sequer pde o leo? Por que o rapace leo precisa ainda tornar-se criana? Inocncia, a criana, e esquecimento; um novo comeo, um jogo, uma roda que gira por si mesma, um movimento inicial, um sagrado dizer "sim", Sim, meus irmos, para o jogo da criao preciso dizer um sagrado "sim": o esprito, agora, quer a sua vontade, aquele que est perdido para o mundo conquista o seu mundo.

Nomeei-vos trs metamorfoses do esprito: como o esprito tornou-se camelo e o camelo, leo e o leo, por fim, criana. E achava-se, nesse tempo, na cidade chamada A Vaca Pintalgada. Das ctedras da virtude Gabaram a Zaratustra um sbio, que sabia falar doutamente do sono e da virtude; diziam que muitos o respeitavam e remuneravam por isso, e que todos os jovens se aglomeravam diante da sua ctedra.

Foi ouvi-lo Zaratustra e sentou-se com os jovens diante da sua ctedra. E assim falou o sbio: "Respeito e pudor diante do sono! Isso em primeiro lugar! E evitar todos os que dormem mal e passam a noite acordados!

Diante do sono, at o ladro tem pudor: sempre de mansinho que se retira na noite. Mas despudorado o guarda-noturno, que traz despudoradamente a sua corneta. No uma arte fcil, dormir: faz-se mister, para comear, passar o dia todo acordado. Dez vezes, durante o dia, s obrigado a vencer-te a ti mes-. Dez vezes s obrigado a reconciliar-te contigo mesmo; pois penoso vencer-se a si mesmo e dorme maIo irreconciliado.

Dez verdades cumpre-te achar durante o dia; de outro modo, ainda procuras verdades durante a noite, pois a tua alma ficou com fome. Dez vezes deves rir, de dia, e estar alegre; do contrrio, noite, te incomodar o teu estmago, esse pai das aflies. Poucos sabem disto: que preciso ter todas as virtudes, para dormir bem. Direi falso testemunho? Cometerei adultrio? Desejarei a mulher do meu prximo?

Nada disso seria com patvel com um bom sono. E, mesmo quando se possuem todas as virtudes, cumpre ain da entender de uma coisa: mandar dormir, a tempo, tambm as virtudes. Para que no briguem entre si, essas amveis mulherzinhas! E a teu respeito, infeliz! Paz com Deus e o teu prximo: o que exige o bom sono. E paz, tambm, com o demnio do teu prximo. Seno, ele vir incomodar-te durante a noite. Respeito autoridade e respeito, tambm, autoridade cambaia! Que culpa tenho eu de que o poder goste de caminhar com pernas tortas?

Sempre, a meu ver, ser o melhor pastor aquele que levar sua ovelha para o pasto mais verde: isso condiz com o bom sono.

No quero muitas honras nem, tampouco, grandes tesou ros: isso causa inflamao do bao. Mas dorme-se mal sem uma boa reputao e um pequeno tesouro. Prefiro a companhia de pouca gente companhia de gente m; mas ela deve vir e ir embora a tempo. Isso condiz com o bom sono. Muito me agradam, tambm, os pobres de esprito: conciliam o sono. Bem-aventurados so eles, especialmente se lhes damos sempre razo. Assim transcorre o dia para o homem virtuoso. Quando, porm, chega a noite, eu bem me guardo de invocar o sono!

No quer ser invocado, o sono, que o senhor das virtudes! Mas penso no que fiz e pensei durante o dia. Ruminando, eu me pergunto, paciente como uma vaca: quais foram, afinal, as dez vitrias sobre mim mesmo? E quais foram as dez reconciliaes e as dez verdades e as dez risadas com que se regalou o meu corao? Assim meditando e embalado por quarenta pensamentos, assalta-me, repentinamente, o sono, o no invocado, o senhor das virtudes. Bate o sono em meus olhos: e eles tornam-se pesados.

Toca o sono minha boca: e ela fica aberta. Em verdade, vem a mim na ponta dos ps, o mais amado dos gatunos, e rouba meus pensamentos; e l fico eu em p, estpido como esta ctedra. Mas, ento, no me demoro assim ainda por muito tempo: eis que j estou deitado. E assim falou ao seu corao: "Um louco parece-me este sbio com os seus quarenta pensamentos; mas acho que, realmente, entende de sono.

Feliz quem mora perto deste sbio! Um sono como esse contagioso, at, atravs de uma espessa parede. H um fascnio mesmo na sua ctedra. E no em vo ficam os discpulos sentados diante do pregador de virtude. Sua sabedoria reza: ficar acordado para dormir bem. E, na verdade, no tivesse a vida sentido algum e devesse eu escolher um disparate, tambm para mim esse disparate seria o mais digno de escolha. Compreendo, agora, claramente, o que outrora se procurava, acima de tudo, quando se procuravam os mestres de virtude.

Procurava-se um bom sono e, mais, virtudes com a virtude da papoula. Bem-aventurados so os que tm sono: porque breve adormecero. Dos trasmundanos Noutro tempo, tambm Zaratustra projetou sua iluso para alm do homem, tal como todos os trasmundanos. Obra de um Deus sofredor e atormentado afigurava-se-me, ento, o mundo. Queria o Criador desviar o olhar de SI mesmo - e, ento, criou o mundo.

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Inebriante prazer e olvido de si mesmo parecia-me noutro tempo, o mundo. Ah, meus irmos, esse Deus, que eu criava, era obra humana e humana loucura, como todos os deuses! Homem, era ele, e nada mais do que um pobre pedao de homem e do meu eu; surgia em mim da minha prpria cinza e brasa, em verdade, esse fantasma! No vinha a mim do alm! Que aconteceu, meus irmos? Sofredor, superei a mim mesmo, levei a minha cinza para o monte e inventei para mim uma chama mais clara. E eis que, ento, o fantasma desapareceu!

Um sofrimento seria agora, para mim, e, em minha convalescena, um suplcio, acreditar em tais fantasmas; um sofrimento seria, para mim, e uma humilhao. Assim falo aos trasmundanos. Sofrimento e impotncia - foi isso que criou todos os trasmundanos; e, mais, a breve loucura da felicidade que s o grande sofredor experimenta.

Um cansao que, num nico salto, um salto mortal, quer chegar ao marco extremo, um pobre, ignorante cansao, que j no quer nem mesmo querer: esse criou todos os deuses e trasmundos. Acreditai-me, meus irmos! O corpo que desesperava do corpo - foi ele que andou tateando, com os dedos perturbados do esprito, as ltimas paredes. E, ento, quis passar a cabea atravs das ltimas paredes, e no somente a cabea, para o outro lado, para "aquele mundo".

Mas "aquele mundo" acha-se bem oculto dos homens, aquele mundo desumanado e inumano, que um celestial nada; e o ventre do ser no fala absolutamente ao homem, a no ser como homem.

Na verdade, difcil de demonstrar todo o ser, e difcil faz-lo falar. Dizei-me, meus irmos: acaso, no se demonstra melhor a mais estranha das coisas? Sim, este eu, e a contradio e confuso do eu, ainda quem mais honestamente fala do seu ser: este eu que cria, que quer, que estabelece valores e que a medida e o valor de todas as coisas. E este honesto ser, o eu - esse fala do corpo e quer, ainda, o corpo, mesmo quando faz poesia e sonha e esvoaa com as asas partidas.

Aprende a falar de forma cada vez mais honesta o eu' e quanto mais o aprende, tanto mais encontra palavras e,gestos"de respeito pelo corpo e pela terra. Uma nova altivez ensinou-me o meu eu, e eu a ensino aos homens: no mais enfiar a cabea na areia das coisas celestes, mas, sim, traz-Ia erguida e livre, uma cabea terrena, que cria o sentido da terra!

Uma vontade nova ensino aos homens: querer este caminho que o homem palmilhou s cegas e declar-lo bom e no mais afastar-se sorrateiramente dele, como fazem os enfermos e os moribundos!

Enfermos e moribundos, eram os que desprezaram o corpo e a terra e inventaram o cu e as gotas de sangue redentoras; mas tambm esses doces e sombrios venenos eles os tiraram do corpo e da terra! De sua prpria misria, queriam libertar-se, e achavam as estrelas por demais distantes. E alimentavam, os ingratos, a iluso de ter fugido do corpo e desta terra.

Mas a quem deviam o espasmo e a volpia da fuga? Ao seu corpo e a esta terra. Indulgente Zaratustra com os enfermos. Na verdade, no verbera os modos de seu consolo e ingratido. Possam eles sarar e superar a si mesmos e criar para si um corpo superior ao que tm! Tampouco ver bera, Zaratustra, o convalescente, quando este olha com ternura sua iluso desfeita e, meia-noite, vagueia rondando o tmulo do seu Deus; contudo, para mim, enfermidade e corpo enfermo so, ainda, suas lgrimas.

Sempre houve muita gente enferma entre os que poetam sfregos de Deus; odeiam eles, furiosamente, aquele que busca o conhecimento e a mais jovem dentre as virtudes, que se chama: honestidade. No, na verdade, em trasmundos e redentoras gotas de, sa? Mas , para eles, uma coisa enferma; e de bom grado deseJariam sair da sua prpria pele. Por isso, do ouvidos aos pregadores da morte e pregam, eles mesmos, os trasmundos. Escutai-me, antes, a mim, meus irmos, escutai a voz do corpo so; uma voz mais honesta e mais pura.

De modo mais honesto e mais puro fala o corpo sao, perfeIto, quadrad0 1; e fala do sentido da terra. Assim falou Zaratustra. No devem, a meu ver, mudar o que aprenderam ou ensmaram, mas, apenas, dizer adeus ao seu corpo - e, destarte, emudecer. H uma passagem da tica Nicomaquia, precisamente do captulo X do I livro, ue Aristteles fala no "homem verdadeiramente bom, Irrepreensvel e perfelem q 'kl'" to como o quadrado".

E assim deve ter entendido o ad"jetlvo "rec,htWtn tg " retangular" o helenista Nietzsche, ao empreg-lo neste e em outros pontos da obra, N. E por qq reflete em como poder no sofrer mais - e para isto, mte, deve pensar.

Que nico sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um Ptem decorre de que prezam. Mas quem criou o apreo e o Instrumento de teu corpo , tambm, a tua pequena lto e o valor e a vontade? Eu vos digo: justamente Aquilo que os sentidos experimentam, aquilo que o eS1 ser prprio que quer morrer e que volta as costas, vida.

Isto ele quer acima de tudo; o seu frvido anselO. IS achou que, agora, era tarde demais para isso; e" assas: tamanha sua vaidade. Instrumentos e brinquedos, so os sentidos e o espritot;lvosso ser prprio quer perecer, desprezadores da vIda. Porque no conseguis mais criar para do esprito. E sempre o ser prprio escuta e procura: compara, subpor isso, agora, vos assanhais contra a vida e a terra.

H conquista, destri. No se um soberano poderoso, um sbio desconhecido - e chara mim, ponte que leve ao super-homem! Mora no teu corpo, o teu corpo. H mais razo no teu corpo do que na tua melhor sabed E por que o teu corpo, ento, precisaria logo da tua melha bedoria? I" E, entao, - lem comum a ser proprIO m dvida, queres cham-la pelo nome e afag-la; queres.

Se tens sorte, meu irmo, possuirs uma nica virtude e no E eis que, agora, tens o seu nome em comum com o povo e mais do que uma: mais leve, assim, poders transpor a ponte. Ter muitas virtudes confere distino, mas um pesado desMelhor terias feito dizendo: "Inexprimvel e sem nome o tino; e no poucos foram para o deserto, cansados que estavam que faz o tormento e a delcia da minha alma, e que , tambm, de ser batalha e campo de batalha de virtudes.

Mas necessrio Que a tua virtude seja demasiado elevada para a familiaridaesse mal, necessrias so a inveja, a desconfiana e a calnia ende dos nomes; e, se tens de falar nela, no te envergonhes de tre as tuas virtudes. V como cada uma delas almeja o que h de mais elevado: Fala, pois, gaguejando: "Este o meu bem, o que amo,.

No o quero como uma lei de Deus, no o quero como uma Ciumenta da outra, cada virtude, e coisa terrvel o cime. Aquele que est cercado pela chama do cime acaba, como o uma virtude terrestre, a que amo: pouca prudncia h nela escorpio, voltando contra si mesmo o ferro envenenado.

Ah, meu irmo, ainda no viste nunca uma virtude caluniarMas foi em mim que essa ave fez seu ninho; amo-a, por ISSO, se e apunhalar-se a si mesma? Assim deves gaguejar e louvar a tua virtude.

Um tempo, tiveste paixes e as dizias ms. Agora, porm, restam-te somente as tuas virtudes: brotaram das tuas paixes. No centro dessas paixes puseste o teu alvo mais alto: tornaram-se elas, ento, as tuas virtudes e alegrias.

Do plido criminoso E, ainda que fosses da raa dos colricos ou dos voluptuosos, dos fanticos ou dos vingativos, No quereis matar, juzes e imoladores, enquanto o animal Todas as tuas paixes, por fim, tornaram-se virtudes e todos no inclinar a cabea? Eis que o plido criminoso inclinou a caos teus demnios, anjos.

Noutro tempo, tinha ces ferozes no poro da tua casa; no , "O meu eu algo que deve ser superado, o meu eu , para fim, porm, transformaram-se em maviosas aves cantoras. Dos teus venenos, destilaste um blsamo; ordenhaste a tua Que ele julgasse a si mesmo, foi o seu momento mais excelso; vaca tribulao - e sorves, agora, o doce leite do seu ubre. E mais nada de mau brotar de ti, doravante, a no ser o mal No h salvao para aquele que assim sofre de si mesmo, a que brotar da luta entre as tuas virtudes.

Vosso matar, juzes, precisa ser piedade, e no vingana. E, ao matar, cuidai de que vs mesmos justifiqueis a vida! No basta reconciliar-vos com aquele que matais. Que a vossa tristeza seja amor ao super-homem: assim justificareis o vosso continuardes vivos. E tu, rubro juiz, se quisesses dizer em voz alta tudo o que j fizeste em pensamento, no haveria quem no gritasse: "Fora essa imundcie e esse verme venenoso!

A roda da causalidade no gira entre elas. Uma imagem fez empalidecer esse homem plido. Da mesma estatura da sua ao era ele, quando a executou; mas no lhe suportou a imagem, depois de executada. Desde ento, sempre viu a si mesmo como autor de uma nica ao. A isto eu chamo loucura: a exceo converteu-se, para ele, em essncia. O risco no cho obsedia a galinha; o golpe que ele levou a efeito obsediou a sua pobre razo - a loucura depois da ao o que chamo a isto.

Ouvi, juzes! Ainda h outra loucura: e esta antes da ao. Ah, no penetrastes bastante a fundo nessa alma! Assim fala o rubro juiz: "Por que, afinal, assassinou, esse criminoso? Ele queria roubar. A sua pobre razo, porm, no compreendeu essa loucura e foi ela que o persuadiu. Tirar alguma vingana? No queria envergonhar-se da sua loucura. I ' Se mal pudesse, agora, sacudir a cabea, seu fardo ro ana ao lOlo; mas quem ir sacudir essa cabea? Que esse homem? Um novelo de cobras braVias, que e raro estarem quietas, quando juntas - e, ento, cada uma por sua conta, vo pelo mundo em fora procura de presa.

Mas houve outros tempos e outro mal e outro bem. Mas que me importam os bons dentre vs? Mas no sou a vossa muleta. Do ler e escrever De tudo o que se escreve, aprecio somente o que algum escreve com seu prprio sangue. Escreve com sangue; e aprenders que o sangue esprito. No fcil compreender o sangue alheio; odeio todos os que lem por desfastio. Aquele que conhece o leitor nada mais faz pelo leitor.

Mais um sculo de leitores - at o esprito estar fedendo. Que toda a gente tenha o direito de aprender a ler, estraga, a longo prazo, no somente o escrever, seno, tambm, o pensar. Outrora, o esprito era Deus, depois tornou-se homem e, agora, ainda acaba tornando-se plebe. Aquele que escreve em sangue e mximas no quer ser lido, mas aprendido de cor.

Na montanha, o caminho mais curto de cume a cume; para isso, porm, precisa-se de pernas compridas. Mximas, cumpre que sejam cumes; e aqueles aos quais so ditas devem ser altos e fortes. O ar rarefeito e puro, a vizinhana do perigo e o esprito imbudo de uma alegre malvadez: coisas que combinam bem uma com a outra.

Quero ter duendes a meu redor, porque sou corajoso. A coragem que afugenta os fantasmas cria seus prprios duendes: a coragem quer rir. Eu j no sinto do mesmo modo que vs: essa nuvem que vejo debaixo de mim, essa coisa negra e pesada - , justamente, a vossa nuvem de temporal. Vs olhais para cima, quando aspirais a elevar-vos.

E eu olho para baixo, porque j me elevei. Quem de vs pode, ao mesmo tempo, rir e sentir-se elevado? Aquele que sobe ao monte mais alto, esse ri-se de todas as tragdias, falsas ou verdadeiras. Corajosos, despreocupados, escarninhos, violentos - assim nos. Dizeis: "A vida dura de suportar. A vida dura de suportar; mas, por favor, no vos faais de to delicados!

No passamos, todos juntos, de umas lindas bestas de carga. Que temos em comum com o boto de rosa, que estremece ao sentir sobre o corpo uma gota de orvalho? H sempre alguma loucura no amor. Mas h sempre, tambm, alguma razo na loucura.

E tambm a mim, que sou bondoso com a vida, parece-me que as borboletas e as bolhas de sabo e o que mais do gnero h entre os homens, so as que melhor conhecem a felicidade. Ver voejar essas alminhas loucas, leves e graciosas - induz Zaratustra a chorar e a cantar.

Eu acreditaria somente num Deus que soubesse danar. E, quando vi o meu Diabo, achei-o srio, metdico, profun-. No com a ira que se mata, mas com o riso. Eia, pois, vamos matar o esprito de gravidade! Aprendi a caminhar; desde ento, gosto de correr. Agora, estou leve; agora vo; agora, vejo-me debaixo de mim mesmo; agora, um deus dana dentro de mim. CIdade chamada A Vaca Pintalgada, eis que deparou com esse Jovem sentado no cho e apoiado numa rvore, con.

Zaratustra agarrou a r. Jovem estava apoiado e assim falou:. O jovem, ento, levantou-se espantado e disse: "Estou ou. VIndo Zaratustra e, justamente, pensava nele. Eu mesmo no confio mais em. Pulo, ammde, os degraus, ao subir - e isto nenhum degrau me perdoa. Se estou no alto, acho-me sempre s. Ningum fala comigo o gelo da solido me faz tremer.

Que pretendo no alto, afinal? Como me envergonho do meu subir e tropear! Como escarneo o meu violento arquejar!

Como odeio quem voa! Como me sinto cansado, no alto! E Zaratustra contemplou a rvore, junto da qual estavam, e falou assim: "Esta rvore ergue-se solitria, aqui, no monte; cresceu muito, sobreexcedendo homens e animais. E, se quisesse falar, no acharia ningum que a compreendesse: tamanha altura atingiu.

Agora, est espera e no cessa de estar espera - espera de qu, afinal? Mora perto demais das nuvens: estar espera do primeiro raio? Minha destruio eu desejava, quando quis subir, e tu s o raio do qual estava espera! Olha: que sou eu ainda, depois que apareceste? Foi a inveja de ti que me destruiu!

Zaratustra, porm, ps o brao em torno dele e o levou embora consigo. E, aps caminharem juntos por algum tempo, entrou Zaratustra a falar assim: "Sinto meu corao despedaar-se. Melhor do que as palavras, o teu olhar me diz todo o perigo que corres. Ainda no ests livre, ainda procuras a liberdade. Tresnoitado e! Queres alcanar as livres alturas, a tua alma est sequiosa de estrelas.

Mas tambm os teus maus impulsos tm sede de liberdade. Sair para a liberdade, querem os teus ces ferozes; latem de alegria em seu poro, quando o teu esprito visa a abrir todas as prises. Ainda s, para mim, um preso imaginando a liberdade: sagaz torna-se a alma de tais presos, mas tambm, ai de ns, velhaca e baixa. Ainda precisa purificar-se o liberto no esprito.

Muita priso. Sim, conheo o perigo que corres. Mas, pelo meu amor e esperana, eu te imploro: no deites fora o teu amor e esperana! Ainda te sentes nobre e nobre ainda te sentem tambm os outros, que te guardam rancor e te lanam olhares maus. Aprende que um homem nobre um obstculo no caminho de todos.

Um obstculo tambm no caminho dos bons, um homem nobre; e, mesmo quando eles o dizem um bom, querem, com isso, arred-lo dali. Coisas novas, quer criar o homem nobre, e uma nova virtude. Coisas velhas, quer o bom, e que o que velho seja conservado. Mas no esse, o de tornar-se um bom, o perigo que corre o homem nobre, seno o de tornar-se um descarado, um zombador, um destruidor. Conheci homens nobres, ai de ns, que tinham perdido a sua mais alta esperana.

E, ento, caluniavam todas as altas esperanas. Descaradamente, ento, viviam em prazeres de breve durao e j no lanavam meta alguma para alm do mesmo dia. Ento, partiram-se as asas de seu esprito, que, agora, rasteja por a, emporcalhando tudo o que ri. Tinham pensado, outrora, em tornar-se heris; no passam, agora, de libertinos. E o heri , para eles, um objeto de raiva e horror.

Mas, pelo meu amor e esperana, eu te suplico: no deites fora o heri que h na tua alma! Conserva sagrada a tua mais alta esperana! Dos pregadores da morte H pregadores da morte; e a terra est repleta de gente qual deve pregar-se que abandone a vida.

Repleta est a terra de gente suprflua, estragada est a vida pelos muitos-demais. Possa a "vida eterna" atra-los para fora desta vida! Mas eu quero mostr-los noutras cores. A esto os seres terrveis, que trazem a fera dentro de si e para os quais no h escolha seno entre os prazeres e a macerao. E tambm seus prazeres ainda so macerao. Ainda nem sequer se tornaram homens, esses seres terrveis; oxal preguem o abandono da vida e eles mesmos se sumam! A esto os tsicos da alma: mal nasceram, j comeam a morrer e suspiram por doutrinas do cansao e da renncia.

Gostariam de estar mortos; e ns deveramos, realmente, aprovar-lhes a vontade!

Guardemo-nos de despertar esses mortos e bater nesses atades! Se deparam com um enfermo ou um velho ou um cadver; dizem logo: ''A vida est confutada!

Envoltos em espessa melancolia e sequiosos dos pequenos acasos que ocasionam a morte: assim que a esperam, cerrando os dentes. Ou, ento, recorrem a confeitos que os consolem, motejando, ao mesmo tempo, da sua prpria criancice; agarram-se tnue palha de suas vidas, motejando de que ainda se agarram a uma palha.

Assim reza a sua sabedoria: "Insensato quem continua vivo, mas ns somos to insensatos! E esta, justamente, a maior insensatez da vida! E que a doutrina da vossa virtude assim reze: "Deves matarte a ti mesmo!

Deves tu mesmo subtrair-te existncia! S nascem infelizes! Tomai o que sou! Tanto menos, assim, estarei preso vida! Serem maus - esta seria a sua verdadeira bondade. Mas querem soltar-se da vida; que lhes importa, se com suas correntes e ddivas, acabam prendendo mais solidamente os outros! E vs tambm, para quem a vida rduo trabalho e inquietao: no estais cansados da vida?

No estais maduros para a pregao da morte? VS todos, que gostais do trabalho rduo e do que rpido, novo, estranho - vs suportais mal vossas prprias pessoas: o vosso zelo uma fuga e uma vontade de esquecer-vos de vs mesmos.

Se acreditsseis mais na vida, no vos abandonareis tanto ao momento presente. Mas no tendes em vs contedo suficiente para esperar - e nem sequer para a indolncia. Por toda a parte, ecoa a voz dos que pregam a morte - e a terra est repleta de gente qual deve pregar-se a morte. Ou "a vida eterna": para mim, tanto faz - contanto que se suma depressa!

De1xaI, pOlS, que vos diga a verdade! Eu vos amo de todo o coraao, sou e fui um vosso igual. E sou, tambm, o vosso melhor inimigo. Deixai , pois , que vos diga a verdade! No S01S astante grandes para no conhecer dio e inveja. Sede bastante grandes, pois, para no envergonhar-vos de. So estes os companhe1ros e precursores de tal santidade. Em alguns de vs, nasce um dlO.

Deveis procurar o vosso inimigo, deveis fazer a vossa guerra e faz-la pelos vossos pensamentos! E, se o vosso pensamento for vencido, que a vossa retido lance, ainda assim, um grito de vitria! Deveis amar a paz como meio para novas guerras. E mais a. A vos, nao , aconselh; a paz, mas a vitria. Que o vosso trabalho seja uma luta; e a vossa paz, uma vitria!

S se pode ficar calado e tranqilo quando se tem arco e flecha: do contrrio, vive-se em ociosas conversas e desavenas. Que a vossa paz seja uma vitria! Dizeis que a boa causa santifica at a guerra? Eu vos d1go: a boa guerra santifica qualquer causa. Do novo dolo A guerra e a coragem realizaram grandes coisas, muito mais do que o amor ao prximo. No a vossa compaixo, mas a vossa bravura salvou, at aqui, as vtimas de desgraas.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou papawemba.info

Ainda h povos e rebanhos, em algum stio, mas no entre ns, "O que bom? Ser valente bom. Deixai s me-. Que isto? Pois seja! E, Dizem-vos sem corao; mas o vosso corao verdadeiro, com toda a frieza, tambm mente; e esta mentira sai rastejando e eu amo o pudor da vossa cordialidade. VS vos envergonhais.

Criadores, foram os que formaram os povos e baixa-mar. Pois muito bem, meus irmos! Enrolai-vos no sublime, que o manto do feio!

Destruidores, so os que preparam armadilhas para muitos E, quando se engrandecer, a vossa alma se tornar temerria as chamam Estado; e suspendem por cima deles uma espada e e e, em vossa sublimidade, haver malvadeza. Eu vos conheo. Primeiro, quem é esse personagem? Ele se baseia numa personalidade histórica, da qual, porém, sabe-se muito pouco.

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