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TANCREDO A TRAVESSIA BAIXAR


Sinopse: Em "Tancredo Neves - A Travessia" o diretor Sílvio Tendler traça a trajetória de Tancredo Neves () ao longo de fatos importantes da história. Tancredo, a travessia é um documentário brasileiro que retrata, por meio de depoimentos, a biografia do O download deste filme não está disponível. Cinema brasileiro na Globo Filmes: Confira a sinopse, imagens, elenco e detalhes do filme Tancredo, a Travessia.

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Na verdade, na dcada de 50, os Estados Unidos geralmente se recusaram a ajudar empreendimentos industriais de propriedade do Estado. A Fora Area criou a sua prpria comisso de inqurito, rapidamente localizando o assassino no palcio presidencial. Na ocasio, como se de propsito quisesse acentuar suas inclinaes ideolgicas, Goulart realizava uma visita de boa vontade Repblica Popular da China. A Revoluo de prometeu mudar o sistema de formulao da poltica econmica. Após três anos misturando agrotóxicos, ele morreu de uma hepatopatia grave. John Markoff e Silvio R. Em fundou a Caliban Produções Cinematograficas Ltda. Brizola e Machado Lopes conceberam o seguinte plano para frustrar a ao dos ministros: Goulart entraria no Brasil via Rio Grande do Sul; se a Marinha ameaasse intervir, Brizola reagiria mandando afundar bastantes navios para impedir o acesso ao porto de Porto Alegre. A UDN e os militares antigetulistas atacaram o governo pessedista de Juscelino, mas, graas exuberncia do seu estilo poltico e criatividade do seu programa de metas econmicas, os ataques diminuram. Por quaisquer clculos, a economia brasileira se achava em extremas dificuldades no incio de No menos importante, "a revoluo vitoriosa legitima-se a si prpria". Esses oficiais ficaram mais tarde conhecidos como castelistas e desempenhariam importante papel em subseqentes governos militares. Como, ento, ocupar a presidncia? Os militares estavam exigindo que fosse facilitado o caminho para a posse de um novo presidente que eles indicariam - sem dvida um general. Dizia ele agora que a crise econmica do Brasil - da qual o impasse do balano de pagamentos e a inflao eram os sintomas mais imediatos s podia ser resolvida com a aprovao do seu pacote de reformas. O Brasil dependia quase totalmente de tecnologia importada possuda por empresas como a Brown Boveri geradores , Bayer medicamentos , Bosch equipamentos eltricos , Coca-Cola refrigerantes e Volkswagen veculos. Em maio, decretou um aumento de por cento do salrio mnimo, mais at do que Joo Goulart havia recomendado. A instruo primria e secundria era atribuio dos municpios e dos estados, mas menos de 10 por cento dos alunos matriculados no primeiro grau concluam o curso primrio, e apenas 15 por cento dos estudantes secundrios conseguiam ir at o fim do curso. O dinheiro ia diretamente para o Ministrio do Trabalho, que o repassava aos sindicatos, cujas despesas eram supervisionadas pelo Ministrio.

Tancredo, a travessia é um documentário brasileiro que retrata, por meio de depoimentos, a biografia do O download deste filme não está disponível. Cinema brasileiro na Globo Filmes: Confira a sinopse, imagens, elenco e detalhes do filme Tancredo, a Travessia. Tancredo Neves: pensamentos e fatos / Organizado por: Elisiane da Silva; Gervásio sem tréguas, uma travessia desassombrada por terreno minado. Da mesma forma, assumiu a responsabilidade de realizar, como produtor, outra ideia do autor, o filme Tancredo, a travessia, dirigido por. usuários. Nela, as imagens do político mineiro Tancredo de Almeida Neves e de seu neto, o .. Travessia: da Abertura à Constituinte. Rio de.

É a primeira vez que faço um filme assinado por uma coletividade de organizações, entidades muito sérias. Ele é antipirataria.

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Este Comando extralegal foi a defesa que imaginaram contra um possvel contragolpe de militares de alta patente ainda leais ao governo. O presidente em exerccio Mazzilli confirmou os poderes de jacto, obedientemente nomeando os trs como ministros militares do seu governo. A 7 de abril os novos titulares fardados exigiram publicamente legislao de emergncia suspensiva dos procedimentos legais para realizarem expurgos no servio pblico, na rea militar e entre os ocupantes de cargos eletivos em todos os nveis.

Mas os lderes parlamentares conservadores ainda no estavam prontos para abrir mo dos seus poderes. Por isso redigiram seu prprio "Ato Constitucional", que delegava ao Comando Revolucionrio somente com dois teros dos votos do Congresso poderes limitados para expurgar o Legislativo e a burocracia federal.

Os trs ministros militares ignoraram o projeto dos polticos, e a 9 de abril emitiram seu prprio "Ato Institucional" - que seria seguido por muitos outros. No menos importante, "a revoluo vitoriosa legitima-se a si prpria".

O Congresso, afirmava, recebia sua legitimidade do "Ato Institucional" e no vice-versa. Para resolver o impasse poltico, o Ato continha, entre outras, as seguintes estipulaes: 1 O presidente pode apresentar emendas constitucionais ao Congresso, que ter apenas 30 dias para examin-las, sendo necessrio para sua aprovao apenas o voto da maioria ao contrrio dos dois teros requeridos pela Constituio de O aumento dos poderes do Executivo era necessrio, segundo o Ato, para "a reconstruo econmica, financeira, poltica e moral do Brasil".

O objetivo era "a restaurao da ordem interna e do prestgio internacional do nosso pas". Os novos poderes eram necessrios porque os poderes constitucionais existentes no tinham sido suficientes para deter um governo que "estava deliberadamente tentando bolchevizar o pas". Este Ato Institucional no foi uma total surpresa, mas apenas a ltima de uma srie de respostas crise de autoridade poltica evidente no Brasil desde meados da dcada de O presidente Jnio Quadros, por exemplo, queixara-se de que lhe faltavam bastantes poderes para lidar com o Congresso.

E citou a irresponsabilidade dos "polticos" como razo de sua abrupta renncia aps seis meses apenas no governo em Goulart, que repetira a queixa de insuficientes poderes presidenciais, chegou at a propor um estado de stio em outubro de , e no comeo de apresentou propostas especficas para fortalecer o Executivo.

O Supremo Comando Revolucionrio de adotou, contudo, uma ttica diferente. No tentou observar as regras da poltica democrtica, como fizeram seus antecessores, mas unilateralmente mudou as regras. O impacto mais imediato foi sobre a prpria presidncia.

Esvaziando a clusula da Constituio de que tornava os oficiais das foras armadas inelegveis para cargos eletivos e determinando a realizao de eleies para presidente e vice presidente dentro de dois dias a partir de sua publicao ao contrrio dos 23 dias que ainda faltavam decorrer segundo a proviso constitucional de 30 dias , o ato do Comando tornou inevitvel a eleio do candidato de consenso dos militares e dos governadores antiGoulart.

O candidato foi o general Castelo Branco, coordenador da conspirao militar, escolhido pela esmagadora maioria dos revolucionrios militares e civis. A 11 de abril o Congresso respeitosamente elegeu Castelo Branco por votos, contra 72 abstenes e 5 votos para outros heris militares conservadores.

Castelo Branco era um interessante produto de influncias brasileiras e estrangeiras. A famlia mudou-se muitas vezes sempre que chegava a vez de o pai ser transferido para outras guarnies. Escolhendo a arma de infantaria, fez um curso notvel distinguindo-se entre os seus companheiros de turma na importante escola. Posteriormente fez o curso de dois anos na cole Suprieure de Guerre na Frana e, em Fort Leavenworth, nos Estados Unidos, o curso de estadomaior e comando. Adquiriu experincia de combate na Fora Expedicionria Brasileira, que lutou ao lado do Quinto Exrcito norte-americano na Itlia em Castelo teve assim longa vivncia pessoal nos dois pases estrangeiros que mais profundamente influenciaram o Brasil no sculo vinte: Frana e Estados Unidos.

A exerccios fsicos extenuantes ele sempre preferiu a leitura e o estudo. Homem de poucas palavras e dado reflexo, Castelo estava determinado a devolver dignidade presidncia. O chefe revolucionrio era tambm reconhecido como o lder do grupo da "Sorbonne" - oficiais estreitamente ligados Escola Superior de Guerra ESG , instituio patrocinada pelos militares, cujos cursos de um ano atraam igual nmero da elite militar e civil.

Este grupo, mais moderado do que a linha dura, defendia a livre iniciativa embora considerando tambm necessria a existncia de um governo forte , uma poltica externa anticomunista, a adoo preferencialmente de solues tcnicas e fidelidade democracia, achando, no entanto, que a curto prazo o governo arbitrrio se impunha como uma necessidade.

A coeso desses oficiais da Sorbonne resultou das experincias comuns que viveram na FEB, durante a Segunda Guerra Mundial; na ESG no s como estagirios mas sobretudo como professores ; e em cursos em instituies militares do exterior, especialmente nos Estados Unidos. Esses oficiais ficaram mais tarde conhecidos como castelistas e desempenhariam importante papel em subseqentes governos militares. Muitos udenistas ficaram furiosos com o acordo que, afinal, reabilitava "velhos e corruptos polticos".

O que os contrariava era o fato de o compromisso beneficiar o PSD, um rancoroso adversrio que, segundo eles, a Revoluo devia ter eliminado de qualquer funo no novo governo. Lembravam-se muito bem da crise de quando o suicdio do presidente Vargas os deixou desarvorados, o que os impediu de assumirem o controle poltico em sua plenitude. O novo Ministrio ficou constitudo em parte por indicaes de Costa e Silva imediatamente aps o golpe e por escolhas de Castelo Branco na semana seguinte9, formando uma combinao de conservadores e tecnocratas.

Os ministros da Marinha e da Aeronutica, que haviam assumido no dia 2 de abril, foram afastados. Rademaker, conhecido por suas idias fortemente direitistas, foi substitudo pelo almirante Ernesto de Melo Batista, sendo Correia de Melo substitudo pelo brigadeiro Lavanre Wanderley.

Possuindo o Exrcito maior peso poltico, o papel dos titulares da Marinha e da Aeronutica era relativamente secundrio. Para chefe da Casa Militar foi escolhido o general Ernesto Geisel, notabilizado pela sua autoconfiana e um dos elementos de maior destaque na conspirao que derrubou o governo Goulart. O mais importante ministrio, o da Fazenda, foi confiado ao professor Octavio Gouveia de Bulhes, da Fundao Getlio Vargas, respeitado centro de ensino e pesquisas econmicas financiado pelo governo.

Acatado monetarista, foi absolutamente franco quanto necessidade de reorganizar toda a estrutura financeira do Brasil e "sanear" suas finanas pblicas. Apesar do vigor de suas idias, Bulhes era um profissional pouco dado retrica partidria ou intriga burocrtica. Campos era um economista que resolvera fazer carreira no prestigioso corpo diplomtico do seu pas. Na dcada de 50, um tecnocrata em ascenso, servia na Comisso Econmica Mista BrasilEstados Unidos , que estabeleceu as prioridades de investimento para o Brasil.

No final da dcada era diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico BNDE e figura- chave no frustrado programa de estabilizao econmica de mandado elaborar pelo presidente Juscelino Kubitschek. Para obter a aprovao do FMI - indispensvel renegociao da dvida externa em andamento - o governo de Juscelino teria que adotar polticas muito restritivas de salrios, de crdito e fiscal, perspectiva que provocou uma onda de oposio nacionalista. Durante as batalhas polticas em torno das medidas antiinflao altamente impopulares, Campos caracterizou- se pela agressividade com que conduzia os debates.

Tinha especial agrado em ridicularizar os nacionalistas que atacavam o capital estrangeiro. Primeiro, era marcadamente udenista. Segundo, alm dos ministros militares e do chefe da Casa Militar da Presidncia que sempre fora ocupada por um oficial superior , possua apenas um militar Castelo Branco: arrumando a casa com atuao recente no servio ativo: o general Cordeiro de Farias, ministro para a Coordenao de Agncias Regionais.

Ou planejavam exercer influncia atravs de canais extraministeriais? E qual seria o papel de organizaes como o IPES Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais , grupo bem financiado de pesquisa e ao0'que desde reunira militares influentes e polticos de moderados a conservadores, profissionais especialmente economistas e homens de negcios?

Esse grupo criou um "governo marginal", com planos para a reforma do ensino, os investimentos estrangeiros e a classe trabalhadora. Os militares que conspiraram contra Goulart esperavam enfrentar resistncia armada. Supunham que oficiais legalistas defenderiam o presidente e seu governo, talvez mergulhando o Brasil em uma guerra civil.

Por isso queriam atacar antes que os legalistas pudessem se mobilizar. Para surpresa virtualmente de todos, a resistncia jamais se materializou.

Os rebeldes estavam "empurrando uma porta aberta", na clssica expresso dos brasileiros. Mas eles no estavam procura apenas de adversrios armados; queriam pr as mos tambm naqueles lderes "subversivos" que supostamente estavam levando o Brasil para o comunismo.

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Outros alvos foram oficiais e praas das trs armas considerados pelos setores de inteligncia dos rebeldes como favorveis esquerda, assim como os organizadores do proletariado tanto urbano como rural. Alis, o estado de Pernambuco servira de abrigo para um dos maiores centros de atividade do Partido Comunista no Brasil, embora modesto em nmeros absolutos. A G-2 inteligncia do Quarto Exrcito vinha h muito observando de perto o trabalho dos organizadores das ligas camponesas e os ativistas polticos de esquerda.

Vitoriosa a Revoluo, os militares prenderam centenas deles, trazendo muitos para o Recife, onde fica o quartel-general do Quarto Exrcito. Alguns foram submetidos a torturas, como o "telefone" tapa que se aplica simultaneamente, com as mos em concha, nos dois ouvidos da vtima, muitas vezes lhe estourando os tmpanos , o pau-de-arara pau rolio que, depois de passado entre ambos os joelhos e cotovelos flexionados, suspenso em dois suportes, ficando a vtima de cabea para baixo e como que de ccoras, sujeita a pancadas e choques eltricos e o "banho chins" mergulhar a cabea da vtima em uma tina de gua fervida ou de leo at virtualmente sufoc-la.

Os torturadores acreditavam que seus prisioneiros sabiam de segredos vitais, como os nomes de seus contatos russos ou de militares brasileiros que seriam exterminados. Foram divididos em dois grupos: os que haviam confessado e os que precisavam de mais interrogatrio. Notcias dessas torturas logo chegaram ao Rio, onde o Correio da Manh, outrora entusistico defensor do golpe, publicou matrias com abundncia de pormenores. Mrcio Moreira Alves, jovem e audacioso reprter do jornal, foi mandado ao Nordeste para cobrir o assunto.

Segundo informaes que recolheu, 39 prisioneiros haviam sido torturados, com pelo menos dez oficiais das foras armadas envolvidos diretamente. Mrcio fez ampla descrio das torturas, enriquecendo seu trabalho com o relato de mdicos que trataram das vtimas.

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Veteranos reprteres policiais denunciaram que as torturas eram do tipo usado para arrancar confisses de suspeitos de crimes comuns. A violncia contra os detidos por motivos polticos no se limitou ao Nordeste. O primeiro reduziu substancialmente o uso da violncia logo aps o golpe, mas o segundo continuou.

O DOPS, um instrumento a servio do inconstante governador do estado, Carlos Lacerda, fora aparelhado para caar o pessoal da esquerda e sua felicidade consistia em perseguir os lderes das organizaes sindicais, religiosas e estudantis. Outras partes do pas conheceram tambm a prtica de torturas, embora o que se divulgou a respeito tenha sido muito pouco.

O estado de Gois, por exemplo, testemunhou atos de extrema violncia contra presos polticos quando os militares e os polticos da UDN ali intervieram para depor o governador do PSD, Mauro Borges. Quais foram as dimenses globais da represso? Talvez em sua maior parte tenha ocorrido nos dez dias entre a deposio de Goulart e a eleio de Castelo Branco, embora no Nordeste tenha continuado at junho.

O nmero dos detidos em conseqncia do golpe s pode ser estimado, pois no se divulgaram dados oficiais a respeito; provavelmente o total variou entre Muitos foram libertados dentro de dias, e outros, de semanas. Chegaram talvez a centenas os que sofreram torturas prolongadas mais de um ou dois dias. Os apologistas da represso costumavam dizer que os possveis excessos seriam insignificantes em comparao com o que a esquerda teria perpetrado se houvesse conquistado o poder.

No entanto, permanecia o fato de que elementos da polcia das foras armadas, devidamente autorizados, recorreram tortura. Esse poder concedido pelo Art. Os militares da linha dura possuam uma lista de cerca de 5.

Com isso, formou-se uma atmosfera de caa s bruxas nos gabinetes governamentais, com a mistura de ideologia com vendetas pessoais. Os acusados no tinham direito de defesa, nem as acusaes contra eles foram jamais publicadas.

Dar satisfaes no era uma das suas regras. Alguns militares queriam que se prorrogasse a vigncia do Art. Neste sentido, o marechal Taurino de Rezende, presidente da comisso geral de investigaes, se dirigiu publicamente ao general Castelo Branco. Mas a opinio dos "moderados" prevaleceu e o Art.

O expurgo no teve a dimenso que muitos temiam. A lista dos polticos expurgados continha poucas surpresas. O nome de Joo Goulart, por exemplo, era uma concluso inevitvel.

O mesmo se podia dizer de Jnio Quadros, que desencadeara a crise que o pas atravessava, com sua incompreensvel renncia em agosto de Com a cassao de 45 parlamentares, foi duramente atingida a Frente Nacionalista Parlamentar FNP , coalizo de esquerda empenhada em desviar o Brasil de sua tradicional postura pr-Estados Unidos para uma posio mais nacionalista tanto em economia como em poltica. Castelo relutou muito em puni-lo dentre outras razes por ser ele presidente de honra do PSD, de cuja ajuda no Congresso o chefe revolucionrio no podia prescindir.

Juscelino era tambm candidato eleio presidencial de , tendo iniciado sua campanha a eleio para um segundo mandato consecutivo era proibida logo aps deixar o governo em Era inegavelmente fortssimo candidato a uma eleio marcada para dentro de 19 meses.

Sua larga base de apoio poltico, sustentada pelo PSD que fornecera o vice presidente de Castelo , era ajudada por sua imagem de lder dinmico que criara a indstria automobilstica e construra Braslia. A Embaixada americana, que apoiou com entusiasmo a Revoluo, advertiu o presidente e a cpula militar que o expurgo de Juscelino seria mal recebido pela opinio pblica americana e europia.

Juscelino, explicava a Embaixada, era visto favoravelmente tanto pelo acervo de suas realizaes em favor do desenvolvimento econmico como pela sua fidelidade ao processo democrtico.

Estas acusaes eram uma espcie de mercadoria em depsito nas dispensas dos udenistas, sobretudo de Carlos Lacerda, que tambm aspirava presidncia e que, portanto, gostaria de ver seu concorrente expulso do campo. Muitos dos assessores polticos do expresidente concitaram-no a manter-se discreto, minimizando possveis pretextos para o seu expurgo.

No incio de junho aumentara de tal modo a presso da linha dura que Juscelino chegou a oferecer-se para renunciar sua candidatura. Era tarde demais. A presso militar vencera os recalcitrantes do Planalto, e a 6 de junho Castelo assinava o decreto suspendendo por dez anos os direitos polticos de luscelino Kubitschek e os de outras 39 figuras de menor importncia.

Ao contrrio de Jnio Quadros ou de Joo Goulart, ele demonstrou que podia realizar um governo eficiente convivendo com interesses conflitantes e aspiraes concorrentes. Seu governo exercido entre assinalara o ltimo triunfo de uma poltica moda antiga.

Os militares da linha dura queriam sepultar tal poltica como coisa do passado. Nada melhor para a conquista deste objetivo do que a morte poltica de Juscelino. Entre l de abril e 15 de junho, cerca de oficiais foram forados a se aposentar embora com penso integral. Muitos deles haviam feito oposio ao golpe, enquanto outros eram acusados de considerar o novo governo constitucionalmente ilegtimo. Outros ainda eram tidos como to extremadamente esquerdistas, ou to identificados com Goulart, que no podiam merecer confiana.

Expurgos de militares no eram novidade no Brasil sublevaes anteriores, como a Revoluo de e a intentona comunista de , foram seguidas por iguais transferncias foradas para a inatividade. A Revoluo de foi entusiasticamente festejada pela maior parte da mdia brasileira.

Paulo e O Estado de S. Paulo pugnavam abertamente pela deposio do governo Goulart. No ficava atrs em sua oposio a cadeia de revistas, jornais e estaes de rdio e TV dos "Dirios Associados". O nico jornal importante que combateu o golpe foi o Ultima Hora, cujo diretor e fundador, Samuel Wainer, teve que fugir.

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A hierarquia da Igreja foi outra fonte de opinio de elite que apoiou a interveno militar. Em manifesto de 26 de maio um grupo de bispos influentes elogiou o golpe notando que "as foras armadas intervieram a tempo de impedir a implantao de um regime bolchevista em nosso pas". Embora a declarao defendesse os ativistas do laicato.

Por outro lado, " posio da hierarquia deixou perplexos e profundamente irritados os catlicos mais jovens que militavam em certos grupos como a Ao Catlica Brasileira e a Ao Popular. A priso de muitos deles e os maus tratos que receberam fizeram com que alguns membros do episcopado reconsiderassem seu apoio ao golpe. Os civis mais conhecidos envolvidos na conspirao no perderam tempo, contudo, para usar a interveno militar em proveito prprio. O movimento liderado pelos militares forara o presidente legal a exilar-se e instalou um governo que nunca poderia Ter alcanado o poder pelo voto.

At onde iria esta reverso ao autoritarismo? Ningum desconhecia que os militares da linha dura estavam procurando um pretexto para silenciar maior nmero de polticos. Muitos membros do PTB e da ala esquerda do PSD, no obstante, concentraram-se na discusso da duvidosa legalidade da [deposio de Goulart, e denunciaram as cassaes de figuras ilustres, como o nutricionista e especialista em sade pblica Josu de Castro, o economista Celso Furtado e o reformador do sistema educacional Ansio Teixeira.

A nova publicao de esquerda, Revista Civilizao Brasileira, tachou as cassaes de "terrorismo cultural" e historiou em 60 pginas a crnica das prises, vexames e intimidaes a destacadas personalidades das artes, da cincia e da educao.

Os trs ltimos escreviam no Correio da Manh, que apoiara fortemente a deposio de Goulart, mas que se achava agora desiludido com a atuao do governo militar.

Ele via o Brasil sob a Revoluo guinando para a direita e advertiu em abril de que "a extrema direita era to antidemocrtica quanto a extrema esquerda.. Agora comeo a ter. A esquerda descartava os militares como nada mais do que agentes do imperialismo e dos ricaos e privilegiados do Brasil, que lutavam desesperadamente para impedir que o pas empreendesse reformas sociais bsicas. Johnson se dizia satisfeito em saber que os brasileiros estavam resolvendo suas dificuldades "no, contexto da democracia constitucional", o que no era, naturalmente, a plena expresso da verdade.

Johnson tambm afirmou prever a "intensificao da cooperao no interesse do progresso econmico e da justia social para todos".

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No comeo de abril Adolf Berle, ex-embaixador americano no Brasil e um dos criadores da Aliana para o Progresso, declarou que Goulart estava levando o seu pas para as fileiras do comunismo cubano e por isso tinha que ser deposto.

Berle era um autntico representante do estabelecimento liberal que defendia a poltica da cenoura e do porrete na Amrica Latina - a cenoura para os reformadores apoiados pelos Estados Unidos e o porrete para os revolucionrios que ameaassem com reformas radicais. A ele juntou-se no incio de maio o ex-embaixador Gordon, que descreveu a Revoluo brasileira de como um evento que "pode na verdade figurar ao lado do Plano Marshall, do Bloqueio de Berlim, da derrota da agresso comunista na Coria e da soluo da crise dos msseis em Cuba como um dos momentos decisivos da histria do mundo na metade do sculo vinte".

O embaixador Gordon advertiu os brasileiros que era preciso distinguir entre subverso e oposio poltica, embora reiterando tambm a probabilidade de um golpe comunista se Goulart tivesse permanecido no poder. As palavras do diplomata tinham por fim expressar a preocupao dos Estados Unidos e assim manter a devida distncia entre o governo do seu pas e os possveis excessos dos revolucionrios.

Era tambm verdade que o programa econmico e poltico do novo governo, que inclua medidas antiinflacionrias e reformistas, estava destinado a provocar vigorosa oposio. Os extremistas estavam determinados a exigir a retomada de poderes de emergncia se a estabilidade do novo governo fosse ameaada? E, em tal caso, que espcie de regime adotariam? E poderiam os Estados Unidos se identificar com um regime altamente impopular? Aps consolidar a tomada do poder e centralizar a autoridade no Executivo, Castelo Branco e seus companheiros revolucionrios voltaram-se para os males econmicos do Brasil.

Por quaisquer clculos, a economia brasileira se achava em extremas dificuldades no incio de Os fornecedores estrangeiros, como as companhias internacionais de petrleo, no concediam mais crdito ao Brasil. As vendas s eram feitas vista, em divisas, e estas se haviam esgotado. A inflao alcanara a taxa anual de por cento, e a interminvel miscelnea de subsdios e controles governamentais estava distorcendo a alocao de recursos atravs da economia.

Homens de negcios, banqueiros e at o homem comum achavam a situao to catica que passaram a adiar suas decises econmicas salvo as mais imediatas. A equipe econmica do novo governo, liderada por Roberto Campos e Octavio Gouveia de Bulhes, parecia bastante qualificada para a sua ingrata tarefa.

Tanto Campos como Bulhes possuam contatos na comunidade empresarial e financeira e ambos haviam adquirido grande experincia anteriormente durante a execuo do programa de estabilizao que o expresidente Juscelino Kubitschek adotara em para depois engavetar em Como muitos outros diagnsticos da economia brasileira nos primeiros anos da dcada de 60, este identificava na inflao acelerada o principal obstculo a um sadio desenvolvimento econmico.

Os autores afirmavam que a inflao era causada principalmente pelo excesso de demanda, que, por sua vez, tinha as seguintes causas: dficits do setor pblico, excesso de crdito para o setor privado e excessivos aumentos de salrio. Quando a base monetria era ampliada para atender demanda, estimulava um "crnico e violento processo inflacionrio". O resultado era um monte de distores econmicas: bruscas oscilaes nas taxas de salrios reais, desorganizao do mercado de crdito, distoro do mercado de trocas externas e incentivo ao uso de capital para manipular inventrios ou especular com moedas estrangeiras.

O caos resultante exclua a possibilidade de investimentos a longo prazo de que o Brasil tanto necessitava. Diante de paciente to anmico, Bulhes e Campos receitaram um enfoque "gradualista", em contraste com o "tratamento de choque" defendido pelo FMI e que consiste no congelamento de todos os salrios e preos. Propuseram-se ento os dois ministros a reduzir gradualmente da o rtulo "quase ortodoxo" o dficit do setor pblico, contrair o crdito privado e estabilizar os ndices salariais.

Com estas e outras medidas, o governo planejava, segundo os melhores princpios monetaristas, reduzir a taxa de crescimento dos meios de pagamento na economia que fora de 64 por cento em e atingiria 86 por cento em para 30 por cento em e 15 por cento em Supondo uma velocidade constante de circulao do dinheiro, isto reduziria a taxa de inflao anual de por cento no incio de para 25 por cento em e 10 por cento em Em o dficit do governo federal fora 4,2 por cento do PIB. A formulao de polticas era apenas o primeiro passo.

Muito mais difcil iria ser aplic-las. Nenhum observador perspicaz poderia ter deixado de notar que no incio dos anos 60 o Brasil no possua capacidade administrativa para implementar complexas polticas econmicas. O estilo de governo voltado para questes especficas, como acontecia nos anos 50, era mais compatvel com um perodo de expanso econmica do que com uma fase de dificuldades. Por isso nenhum governo que se instalasse no comeo de , fosse da direita ou da esquerda, poderia ter evitado a necessidade de uma reforma institucional.

O Banco do Brasil, emprestador que o setor pblico procurava em ltimo recurso, era tambm o principal banco comercial. Mas no conseguira escapar ao controle do Banco do Brasil e por isso no se transformara em banco central.

O novo governo s teve condies para criar tal banco em abril de , quando converteu a SUMOC em Banco Central do Brasil que, ainda assim, precisou de vrios anos para funcionar efetivamente.

Enquanto isso, a equipe CamposBulhes rapidamente instituiu um Conselho Monetrio Nacional que, a partir da segunda metade de , atuava como rgo de previso e coordenao das contas fiscais e monetrias. Esta autorizao Castelo Branco delegou-a a Roberto Campos, ministro do Planejamento, que logo props lei proibindo que os governos estaduais emitissem ttulos sem permisso federal.

Era uma medida importante para o controle financeiro do setor pblico, porque os governos estaduais no passado emitiram papis por conta prpria para a cobertura de dficits oramentrios. Bulhes e Campos voltaram-se a seguir para a rea das empresas pblicas, pois o diagnstico do PAEG conclura corretamente que a inflao fora alimentada por dficits do governo federal.

Oh no, there's been an error

Este cobria os grandes dficits com emisses de moeda precisamente por lhe faltar determinao poltica para aumentar preos e controlar os gastos das empresas estatais. O governo Castelo Branco por isso mesmo tratou de pr fim imediatamente aos gigantescos dficits das indstrias federais que administravam ferrovias, navegao e explorao de petrleo.

Em cada caso era fatal o aumento dos preos dos servios, medida que elevava diretamente o custo de vida a curto prazo. Mas a cobertura de custos significava a possibilidade de investimentos h muito adiados voltarem a ser feitos nas empresas estatais aumentando-lhes a produtividade e, conseqentemente, reduzindo seus custos no futuro.

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O governo aumentou tambm o preo em cruzeiros de importaes bsicas, como petrleo e trigo, usando uma taxa de cmbio realista em vez das taxas anteriores artificialmente baixas. A defasagem da taxa de cmbio fora usada intencionalmente por Goulart e outros antes dele para manter baixo o preo das passagens de nibus altamente dependentes do petrleo importado e do po fabricado com trigo importado.

Os aumentos de preos, contudo, eram profundamente impopulares e o pblico no ocultava sua revolta com a elevao dos preos dos nibus, dos trens, da eletricidade e do po. Um governo eleito poderia ter executado tais medidas e ainda assim sobreviver? Provavelmente no. Como muitos pases em desenvolvimento, o Brasil era notoriamente ineficiente em matria de arrecadao de impostos, salvo o de vendas e consignaes.

Tancredo Neves - A Travessia | Canal Curta!

Parte da ineficincia era devida estrutura tributria terrivelmente complexa vigente nas esferas federal, estaduais e municipais. Para ela tambm contribua a vantagem que o contribuinte obtinha atrasando o pagamento de impostos no reajustados para compensar a inflao. Os lucros da depreciao induzida pela inflao do imposto de um contribuinte excedia de muito as penalidades por atraso de pagamento.

O novo governo atacou o problema de dois modos: primeiro, reformulou a regulamentao tributria penalizando os infratores; segundo, sujeitou todos os impostos em atraso, inclusive as contribuies para a previdncia social, correo monetria para reajustar o valor do dinheiro corrodo pela inflao. O contribuinte inadimplente da por diante no tinha mais qualquer vantagem em atrasar seus pagamentos. O primeiro uso da indexao foi determinado pela lei aprovada pelo Congresso em julho de Estabelecia a correo obrigatria de todos os ativos fixos e dos impostos em atraso e autorizava a criao de um novo ttulo do governo, a Obrigao Reajustvel do Tesouro Nacional ORTN , reajustada mensalmente segundo uma mdia mvel do ndice de preos por atacado.

Do P AEG constavam todos esses usos da indexao sem descrev-los, contudo, como inovao importante. Em julho de a lei estendeu a indexao a virtualmente todo o mercado de capital a taxa de indexao era a mesma da ORTN.

O governo instituiu a indexao como medida "transitria" para induzir uma alocao de recursos mais eficiente com reduo da inflao.

O objetivo era fazer com que todos os participantes do processo econmico pensassem em termos reais e no em como se beneficiarem com a diferena entre crditos ajustados pela inflao e dbitos no corrigidos monetariamente. O uso da indexao no Brasil no foi bem-aceito em certos crculos financeiros ortodoxos como o FMI,45 mas o pas no precisava preocupar-se com opinies ortodoxas a menos que lhe fosse preciso recorrer quela instituio.

As rigorosas medidas de arrecadao de impostos resultaram em significativa elevao da receita federal. Ela passou de 7,8 por cento do PIB em para 8,3 por cento em , depois para 8,9 por cento em e 11,1 por cento em Este controle no pde ser feito nos planos de estabilizao dos anos 50 e 60 por causa das desavenas entre o Ministrio da Fazenda e o Banco do Brasil, uma vez que os esforos de estabilizao ortodoxos do primeiro eram frustrados pelas polticas pr-empresas privadas do ltimo.

Campos e Bulhes no tiveram esse tipo de problema por causa de suas incontrastveis autoridades. Mas o problema no era apenas de coordenao. Os brasileiros estavam cticos em relao a qualquer nova tentativa de estabilizao econmica por causa do malogro dos programas de 54, , , e A inflao que ultrapassa as expectativas favorece o devedor que pode pagar o emprstimo e os juros em moeda desvalorizada.

E a inflao brasileira no era exceo.

TRAVESSIA BAIXAR A TANCREDO

Nessas condies os emprestadores, correndo o risco da falncia, no queriam ou no podiam emprestar seno em prazo curtssimo, significando semanas ou no mximo meses. Os emprestadores sobreviveram s dcadas de 50 e 60 por causa dos vultosos subsdios governamentais canalizados para setores prioritrios, como agricultura, bens de capital e infra-estrutura.

Os ministros da rea econmica sabiam que esta precria estrutura de crdito precisava urgentemente de reformulao. Enquanto isso, tiveram que deixar as taxas de juros do setor privado ao sabor do mercado. O objetivo era induzir os homens de negcios a pensarem em termos de recursos reais, o que permitiria o fornecimento de crditos para empreendimentos que garantissem taxa real de retorno mais alta. Campos e Bulhes sabiam disto, da porque afirmavam aos empresrios que perseguiriam a qualquer preo suas polticas.

Era uma escaramua decisiva na batalha das expectativas. O terceiro grande instrumento do programa antiinflao depois da reduo do dficit pblico e do controle mais rigoroso do crdito foi a poltica salarial.

General da Banda

Para se compreender esta poltica sob o governo Castelo Branco, convm examinar a estrutura das relaes trabalhistas no setor urbano a partir de Primeiro, todos os empregados cobertos pela CLT eram obrigados a uma contribuio sindical um dia por ano descontada de seus contracheques. O dinheiro ia diretamente para o Ministrio do Trabalho, que o repassava aos sindicatos, cujas despesas eram supervisionadas pelo Ministrio. Segundo, todas as eleies sindicais eram fiscalizadas pelo Ministrio, que tinha que validar os resultados, podendo at desqualificar candidatos.

Alm disso, todos os dirigentes sindicais eram sujeitos a remoo pelo Ministrio, de acordo com diretrizes propositadamente vagas. Terceiro, a lei tornava as greves virtualmente ilegais, j que quase todas as possveis disputas tinham que ser transferidas para os tribunais trabalhistas para efeito de deciso.

Quarto, os sindicatos podiam ser formados para representar apenas uma categoria dentro de um s municpio. Poderia haver uma federao ao nvel estadual e uma confederao ao nvel federal desses sindicatos. Mas negociar em qualquer daqueles dois nveis era extralegal. Igualmente importante, o cdigo no dava status legal a alianas horizontais de sindicatos, isto , de categorias diferentes.

Qualquer tentativa de uma CGT ao estilo francs ou argentino era portanto extralegal. Finalmente, a lei desencorajava fortemente, se no impedia, a negociao direta. Uma das questes mais vitais, o salrio mnimo, era controlada pelo governo.

Quase todas as outras questes iam para os tribunais do trabalho para deciso compulsria. A Constituio de reconheceu o direito greve Art.

As disputas entre empregadores e sindicatos a partir de geralmente eram levadas aos tribunais trabalhistas e, como os seus juizes eram nomeados pelo governo, estes procuravam no contrari-lo. Est claro agora por que sucessivos governos acharam fcil conviver com a estrutura da CLT.

No final dos anos 40 o governo do presidente Dutra usou-a para expurgar a liderana sindical de todos os esquerdistas.

Em seu perodo presidencial de Getlio Vargas usou-a atravs do seu jovem ministro do Trabalho Joo Goulart, para estimular a mobilizao trabalhista em So Paulo. No comeo dos anos 60 o presidente Goulart usou a estrutura sindical oficial para gerar apoio poltico s suas malfadadas reformas.

Como se comportou essa estrutura quando se tratou de aplicar programas de estabilizao? A experincia de Goulart foi instrutiva. Em meados de , quando seu governo enfrentava violenta inflao, Goulart criou o Conselho Nacional de Poltica Salarial com autoridade para fixar salrios para todo o setor pblico e o de economia mista , inclusive para todas as empresas privadas licenciadas para prestar servios pblicos.

Mas a verdade que os ajustes salariais naquelas empresas durante o resto de no foram inferiores aos das empresas no controladas. Goulart caiu antes que pudesse experimentar novas formas de controle de salrios. A Revoluo de prometeu mudar o sistema de formulao da poltica econmica. O primeiro Ato Institucional fortaleceu o poder do presidente s custas do Congresso. O governo Castelo Branco estava firmemente determinado a assumir o controle dos salrios.

E comeou com uma vassourada nos lderes sindicais. Durante os dois primeiros meses de expurgos o governo afastou de seus cargos conhecidos dirigentes trabalhistas, como Clodsmith Riani, Hrcules Correia dos Reis, Dante Pelacani e Oswaldo Pacheco da Silva, e suspendeu seus direitos polticos; alguns foram at julgados por acusaes de subverso.

Um total de sindicatos havia sofrido interveno at o final de , inclusive muitos dos grandes sindicatos industriais.